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11 de Dezembro, 2008 Ricardo Alves

Crente perde bilhete para o paraíso

A polícia belga deteve 14 islamistas suspeitos de ligações à Al-Qaeda, dos quais pelo menos um já se despedira da família por tencionar entrar em breve «no paraíso».

Os suspeitos tinham feito a habitual peregrinação aos santuários ex-mujahedin, ex-talibã, ex-anticaxemira da fronteira noroeste do Paquistão.

11 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

O 107.º Aniversário do CADC

Tenho pavor aos adjectivos que qualificam a democracia, nomeadamente os de natureza confessional, embora o Islão abomine também o substantivo, embirração que abrange o álcool, a carne de porco, a apostasia e outros legítimos prazeres com que o cristianismo já parece conformado.
Na comemoração do seu 107.º aniversário, o Centro Académico da Democracia Cristã (CADC) desfiou memórias e evocou nomes para provar que “a democracia, a luta pelas liberdades e a fé católica são compatíveis”, verdade de que há provas, mas de que são escassos os indícios no seio da centenária agremiação.

O combate a Salgado Zenha, quando presidente da Associação Académica de Coimbra, não abona o júbilo com que Manuel Porto e Jorge Biscaia, mais conhecidos na piedade do que na luta pelas liberdades, comemoraram a efeméride, citando Lurdes Pintasilgo e Sousa Franco para legitimarem o D que a sigla exibe e o passado desprezou.

Os esqueletos incómodos, Salazar e Cerejeira, jazem no armário da memória e exigem um acto de contrição em vez da celebração. Quem lutou contra a ditadura, que o CADC guarnecia com os seus mais distintos elementos, esperava a penitência em vez do júbilo e um requiem em lugar da missa de acção de graças que soe assinalar o aniversário.

Ao contrário dos católicos da Capela do Rato, que assumiram a condição de crentes na luta contra a tirania e a guerra colonial, o CADC foi esteio do mais longevo ditador do século passado em toda a Europa.

A conferência de segunda-feira, em Coimbra, lembrou mais um aniversário e procedeu ao usual exercício de branqueamento da sua história, omitindo a vocação totalitária inscrita na matriz genética.

Salazar, Cerejeira, Antunes Varela e outros eram provavelmente crentes, e seguramente católicos, mas a aversão à democracia rivalizava com a dos talibãs. Pode a fé orgulhar-se deles mas a democracia é alheia às pias comemorações do CADC.

11 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Direitos Humanos

NOVA YORK (AFP) — O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, celebrou o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, pedindo que o texto fundamental seja “completamente aplicado em todas as partes, por todos”.

O Diário Ateísta subscreve o pedido do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

10 de Dezembro, 2008 Ludwig Krippahl

A cura pelo cura

O novo acordo de colaboração entre o Ministério da Saúde e a Igreja Católica, no sentido de regular a assistência religiosa nos hospitais, levanta sérias preocupações a dois níveis. Por um lado, porque se aparenta justificar numa suposta eficácia terapêutica que terá a participação de padres católicos no processo de recobro. Por outro lado porque representa uma intromissão inaceitável do Estado nesta matéria tão pessoal que é a religião.

A Sra. Ministra da saúde Ana Jorge anunciou em Fátima que o acordo com a igreja católica se justificava porque a saúde «não é só o tratamento físico», mas a «espiritualidade entra neste campo global»(1). No entanto, mesmo que o bem estar dos doentes não resulte só da terapia e da medicação, não é verdade que exija uma espiritualidade no sentido de crença religiosa ou dependência do sacerdócio. Muitos doentes encontrarão todo o conforto e consolo nos seus familiares, nos seus amigos e na competência e empenho dos técnicos de saúde que os acompanham. A religião não é uma componente necessária da terapia.

Além disso, a espiritualidade religiosa não é necessariamente o catolicismo. Só se justificaria por razões médicas celebrar este acordo específico com a Igreja Católica se houvesse evidências concretas que esta religião não só é eficaz no recobro dos pacientes como é mais eficaz que as outras religiões que não estão cobertas por este acordo. Não há indícios que assim seja.

Quanto ao direito de acompanhamento religioso este acordo tenta resolver um problema inexistente. O direito de receber apoio espiritual já está garantido nas visitas hospitalares, nas quais o doente pode receber familiares, amigos ou sacerdotes da sua religião sempre que tais visitas não comprometam a sua recuperação. Por isso o que parece estar em causa neste acordo não é o direito à assistência religiosa mas sim quem financiará este encargo, se a Igreja Católica ou se o contribuinte. O que põe em causa outros direitos do doente.

Põe em causa o direito do doente, enquanto doente, que o Ministério da Saúde promova uma utilização eficiente dos recursos de que dispõe. E estes não são tão abundantes que o salário de um capelão não faça falta para equipamento, técnicos de apoio, de enfermagem ou médicos. Põe em causa o direito do doente, enquanto crente, que o Estado não se intrometa na religião nem favoreça umas em detrimento de outras. E põe em causa o direito do doente, enquanto contribuinte, que o seu contributo para o Estado seja usado com justiça para ajudar aqueles que mais precisam em vez de subsidiar a Igreja Católica, uma das organizações mais opulentas de Portugal.

1- Agência Ecclesia, Acordo entre Ministério e Capelanias Hospitalares

9 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Momento de Poesia

Dissertação sobre o Big Bang

E naquele momento zero em que tudo começou,

no primeiro segundo cósmico,

surgido a partir do Nada

a energia, concentrada e tensa, explodiu

fazendo saltar matéria incandescente a alta velocidade

para formar estrelas, cometas, planetas e galáxias

a ensaiar uma louca dança orbital

e a obedecer com precisão infinita

à lei da gravitação universal

Newton ainda estava a muitos anos-luz de distância

na escala temporal, até uma maçã o despertar

Galileu leu todos os sinais dos céus,

observou, fez experiências, analisou e calculou

e tudo ficou mais claro e transparente

para um cabal e definitivo entendimento

nem o Papa, que o mandou calar,

nem a sentença da Sagrada Inquisição

estancou aquele pensamento perverso

de ser a Terra continuamente a rodar

e de nunca ter sido o centro do Universo

desmentindo assim as verdades divinas

vertidas pela Fé nas Escrituras

e o Mundo continuou a girar, a girar,

rasgando segredos e descobrindo infinitos

com estrelas ainda a nascer

e outras a desaparecer, em lenta agonia cósmica

até um buraco negro as devorar

como se tudo se reduzisse a uma liminar equação

entre energia e matéria, na sua matemática relação

e que Einstein revolucionariamente resolveu

mas há ainda uma outra lei desconhecida,

a do ciclo e do contra-ciclo, marcada pelo tempo,

com o Universo a inverter-se e a matéria a contrair-se

quando a energia se esgotar e o espaço terminar,

deixando de se dilatar

aparecendo uma força descomunal

a esmagar galáxias, estrelas, cometas e planetas

(fulminando a Humanidade, se ela ainda existir)

até a matéria se dissolver

e a energia regressar ao ponto inicial

para um outro Big Bang começar…

Alexandre de Castro

8 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Danados para a pedrada

MINA, Arábia Saudita (AFP) — Milhões de peregrinos  dirigiram-se nesta segunda-feira ao Vale de Mina, perto de Meca, para celebrar o tradicional rito da lapidação de Satã, após a festa do sacrifício.

8 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Momento zen de segunda

João César das Neves (JCN) começa a homilia de hoje, no DN, intitulada «Primavera da vida cristã», afirmando que «no dia da Imaculada Conceição, rainha de Portugal, é bom considerar a situação da Igreja Católica».

JCN é um indefectível prosélito do catolicismo medieval cujo paradigma é a monarquia absoluta com a mãe do seu deus promovida a rainha e virgem como todas as mulheres, maculadas pelo pecado original, deviam ser.

Não admira, pois, que o catecúmeno veja «um dos melhores períodos dos 2000 anos de vida cristã» quando «mesmo entre fiéis mantém-se consensual a sensação de decadência da Fé face aos séculos passados».

Nas, no optimismo que partilha com ateus, agnósticos, cépticos e os livres-pensadores, que Pio IX excomungou, JCN fica-se pela mera afirmação para logo se queixar das malfeitorias de que a sua Igreja foi vítima esquecendo as que praticou.

Parece apreciar a «paz de Constantino» esquecendo que o imperador foi responsável por autos de fé, exílios forçados, assassinatos, destruições de edifícios pagãos, profanação e objectos de culto, incêndios de bibliotecas e outras monstruosas tropelias. Rejubila com a evangelização e lamenta a Reforma que acusa de ser a responsável por duzentos anos de guerras.

JCN reescreve assim a história: «Por fim, quando a Igreja se globalizava nas caravelas, a suprema ruptura da reforma protestante gerou 200 anos de guerras religiosas. Os 200 anos seguintes de ataques maçons e perseguição ateia conduziram ao nosso tempo».

Como é possível esta amargura com o «nosso tempo» depois de o considerar «um dos melhores períodos dos 2000 anos de vida cristã»? A coerência não parece ser um dom do Espírito Santo!

Antes deste despautério, acusa a sua Igreja de ser responsável pela modernidade. É uma acusação injusta e uma ingratidão para a Contra-Reforma, o tribunal do Santo Ofício e a piedade de numerosos papas.

O melhor é ler a homilia.

8 de Dezembro, 2008 Carlos Esperança

Milagre sem certificado de garantia

A Virgem sob suspeita

As aparições de Nossa Senhora de Medjugorje estão na mira do Vaticano. A Igreja desconfia da veracidade dos relatos dos seis videntes que, desde 1981, dizem receber mensagens da Virgem. Além disso, o líder espiritual deles foi acusado de “manipular consciências” e de “imoralidade sexual”