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10 de Maio, 2009 palmirafsilva

Não se importa de repetir?

O tema blasfémia tem estado na ordem do dia um pouco por todo o mundo, facto que não me tenho esquivado de notar. Agora é a Irlanda, cuja Constituição no seu artigo 44 reza que o «Estado reconhece que é devida a Deus Todo Poderoso a homenagem de culto público. O Estado deve mostrar reverência ao Seu Nome e deve respeitar e honrar a religião», que se prepara para debitar uma lei anti-blasfémia dracónica, que esperemos seja rejeitada como o monte de lixo anacrónico que é e que muitos irlandeses denunciam.

A blasfémia não era criminalizada na Irlanda, embora seja proibida pela Constituição no artigo 40 (Direitos Fundamentais), em que o Estado garante:

O direito dos cidadãos de se expressarem livremente suas convicções e opiniões.

A Educação da opinião pública é, contudo, uma questão de tão grave importância para o bem comum, que o Estado deve empenhar-se em assegurar que órgãos de opinião pública como o rádio, imprensa, o cinema, enquanto preservando suas liberdades de expressão, incluindo críticas às políticas do Governo, não devem ser usadas para afectar a ordem pública ou a moralidade ou a autoridade do Estado.

A publicação ou emissão de conteúdo blasfemo, sedicioso ou material indecente é um delito que deve ser punido em conformidade com a lei.

Ou seja, a Constituição Irlandesa diz que todos têm liberdade de expressão desde que não afectem coisas tão intangíveis e subjectivas como a moralidade (?) ou a autoridade do Estado e, em particular, não blasfemem. Mas pelo facto de serem subjectivas, estas disposições não têm sido aplicadas. No único caso irlandês ao abrigo deste artigo, Corway x Jornais Independentes, em 1999, o Supremo Tribunal concluiu que era impossível dizer «em que consiste o crime de blasfémia». O Supremo pronunciou-se igualmente sobre a protecção especial para o cristianismo que considerou incompatível com a liberdade religiosa prevista nas disposições do artigo 44.

O devoto ministro da Justiça, Dermot Ahern, resolveu recentemente pôr termo a este inadmíssivel estado das coisas e pretende introduzir na legislação penal irlandesa um novo crime, a blasfémia, como uma alteração à Defamation Bill, ou seja, à lei anti-difamação. Mais concretamente, propõe a introdução de uma nova secção na lei, que reza «Uma pessoa que publica ou pronuncia matérias blasfemas será culpado de um crime e deve ser penalizada se considerada culpada de uma multa não superior a €100.000».

Leram bem, uma multa de 100 000 libras por material «blasfemo», sendo que este é definido como «aquilo que é ofensivo ou insultuoso em relação a assuntos considerados sagrados por um qualquer religião, causando assim indignação entre um número substancial dos aderentes dessa religião».
Como as nossas caixas de comentários espelham, um número substancial de crentes considera-se ofendido nas suas convicções «sagradas» por tudo e mais botas , em particular pela existência de ateus que não finjam serem crentes, pelo que, se a referida talibanização da Irlanda for para a frente, não é preciso grande presciência para prever um futuro inquisitorial na Irlanda.

Aliás, alguns crentes já reagiram à proposta da forma esperada, um deles propondo mesmo a criminalização do ateísmo. Citando um cretino cujo pen name é Vox Day, que se tem distinguido não só no seu blog como no World Nut Daily pelas barbaridades que debita, o devoto senhor propõe que, no interesse da racionalidade (???) e do senso comum (???), a legislação irlandesa deveria emular a Sharia e declarar o ateísmo um crime do pensamento. Não é muito complicado imaginar qual a pena que Eric Conway gostaria ver aplicada aos perigosos [sic] ateus!

10 de Maio, 2009 Carlos Esperança

A opinião muda segundo o local

Num discurso frente a líderes religiosos muçulmanos na maior mesquita de Amã, o Papa Bento XVI denunciou a “manipulação ideológica da religião” que pode levar à violência, no seu segundo dia de visita à Jordânia.

Criticou aqueles que defendem que “a religião é necessariamente uma causa de divisão no mundo”.

Comentário: B16 estaria a lembrar-se da manipulação ideológica dos bispos espanhóis contra o PSOE nas últimas eleições?

9 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Maratonas pias

Por

José Moreira

Confesso que não sou consumidor de “As Tardes da Júlia”. Mas hoje, talvez porque fosse a menos chata das opções televisivas, deixei-me ficar por ali. A minha mulher diz que eu tive preguiça de me levantar para mudar de canal e, se calhar, tem razão.

Bom. A Júlia defrontava um podologista a propósito das caminhadas que os peregrinos fazem até Fátima, pista de aterragem de arcanjos e virgens. Os peregrinos, dizia-se, forçam os pés, não habituados a andanças daquele tamanho e, naturalmente, sofrem. E o podologista ia dando conselhos para as pessoas tirarem melhor partido dos pés.

Errado, quanto a mim. O cumprimento de uma promessa deste tipo implica, necessariamente, sacrifícios. O peregrino tem de sofrer, para que a paga da promessa tenha valor. Deus e a virgem gostam de sacrifícios, e não foi por acaso que colocaram o joelhódromo ali à volta da capela das alegadas aparições. Não tarda nada, e as pessoas, em vez de irem a Fátima a pé vão a Fátima de pé, no autocarro. Como se não bastasse colocarem almofadas nos joelhos, para não doerem durante o circuito. Se não doer não há sacrifício, se não houver sacrifício a promessa não se considera cumprida. É a mesma coisa que pagar uma dívida com dinheiro falso. Esta é a minha opinião, e acho que a Madre Teresa de Calcutá não diria melhor.

Se não querem sacrifícios, façam como as “tias”: vão de carro, levem um bruto farnel, e façam um piquenique.

9 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Fé e tolerância

Há nas religiões do livro, em especial na mais implacavelmente monoteísta – o Islão – uma tara que ameaça a paz e impede a liberdade.

Só o judaísmo, pela fidelidade tribal à sua origem, resistiu à obsessão de converter os diferentes.

O cristianismo, nascido da cisão de Paulo de Tarso com o judaísmo, virou-se para o exterior e, depois de se converter em religião do Império Romano, com Constantino,  lançou-se na evangelização com a violência de todos os proselitismos. Só no concílio Vaticano II, numa Europa secularizada, admitiu a liberdade religiosa, liberdade ainda encarada com azedume pelo actual pontífice que reiteradamente lembra aos fiéis ser o catolicismo a única religião verdadeira.

Por sua vez, o Islão, que não passa de um plágio grosseiro do cristianismo, incólume à cultura grega e ao direito romano, é acometido por uma formidável demência prosélita, incapaz de renunciar à espada para impor os princípios bárbaros da Idade Média em que se encontra.

As famílias cristãs de Karachi agredidas na semana passada por um grupo de talibãs, estão aterrorizadas e fechadas em suas casas” – segundo o director das Pontifícias Obras Missionárias do Paquistão, Pe. Mário Rodriguez, que manifestou preocupação pelo aumento da violência no País, provocada pelo grupo fundamentalista.

Não há respeito multiculturalista que possa compadecer-se com este ataque aos cristãos paquistaneses. Os organismos internacionais têm de considerar crime, agravado pelo racismo, as agressões, intimidações ou quaisquer outras tentativas de conversão violenta perpetradas por qualquer religião.

Os cristãos paquistaneses merecem a solidariedade do mundo civilizado tal como os judeus e cristãos perseguidos no Iraque depois da agressão americana, assim como os crentes e os descrentes de qualquer religião em qualquer parte do mundo. As conversões forçadas são crimes os países civilizados têm obrigação de erradicar.

8 de Maio, 2009 palmirafsilva

Uma questão de princípios

Há quasi um ano e a propósito de um editorial da Nature elogioso do recém-falecido John Templeton, Matthew Cobb e Jerry Coyne publicaram uma carta na revista, que pode ser lida na íntegra no Pharyngula para quem não tenha acesso à Nature. A carta, que ajuda a explicar como o mundo social, em especial a religião, influencia para tantos a forma como veêm o mundo natural, foca-se num dos temas que mais inflama o nosso espaço de debate e vale a pena ser lida por ajudar a esclarecer algumas questões recorrentes nesse espaço e que podem ser apreciadas neste excerto:

«Ficámos perplexos com seu Editorial sobre o trabalho da Fundação Templeton (‘Templeton’s legacy’ Nature 454, 253–254; 2008). Com certeza ciência é sobre encontrar explicações materiais para o mundo – explicações que podem inspirar aqueles sentimentos de assombro, maravilhamento e reverência no hiper-evoluído cérebro humano. A religião, por outro lado, é sobre humanos pensando que assombro, maravilhamento e reverência são a pista para entender um Universo construído por Deus. (O mesmo é verdade para a prima pobre da religião, a ‘espiritualidade’, que introduziu no seu Editorial da forma como um criacionista usa o ‘design inteligente’.) Há um conflito fundamental aqui, um que nunca pode ser reconciliado até que todas as religiões parem de fazer alegações sobre a natureza da realidade.» (…)

O seu editorial sugere que a ciência pode trazer “avanços no pensamento teológico”. Na realidade, a única contribuição que a ciência pode fazer para as ideias religiosas é o ateísmo».

Lembrei-me desta carta quando li no blog de Coyne que o cientista recusou um convite para participar no Festival Mundial de Ciência por este ser financiado pela Fundação Templeton, fundada pelo senhor cuja elegia na Nature tanto desagradou a Coyne e Cobb (e a muitos outros cientistas, certamente).

Vale a pena referir o curioso Prémio Templeton, que até 2001 era o prémio Templeton para o Progresso da Religião e que premeia com a módica quantia de 1,4 milhões de dólares as individualidades que supostamente consigam a improvável façanha de aproximar a ciência da religião.

(mais…)

8 de Maio, 2009 Carlos Esperança

A senhora de Fátima salvou-lhe a vida

Peregrino de Amarante repete peregrinação ao Santuário há 40 anos

Vicente Esteves viaja a pé, há 40 anos consecutivos, de Amarante até ao Santuário de Fátima, por devoção à Virgem Maria, que diz já lhe ter salvo a vida duas vezes

Comentário: Há nove mil mortos da guerra colonial e cerca de 14 mil deficientes que a senhora de Fátima ignorou, sendo indiferente às centenas de milhares de vítimas do outro lado da barricada.

O meu regresso não se deve à senhora de Fátima, com quem nunca mantive relações, mas também não lhe atribuo a maldade de ter matado o Moura e o Dias que magoadamente recordo.

Em 13 anos, foi enorme o sofrimento de Portugal e o dos países onde 800 mil jovens fizeram parte do exército de ocupação. Se a senhora de Fátima esteve metida na guerra, são mais as razões para a levar a julgamento do que para a louvar.

8 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Bento 16 em viagem de negócios

O Papa Bento 16, monarca vitalício da ICAR, encontra-se em viagem de negócios nos sítios onde foram criadas as três religiões monoteístas. Vai falar de paz, como é hábito da função, onde ninguém esquece as guerras que dilaceram os três monoteísmos.

As Cruzadas não são um cartão de apresentação que tranquilize os anfitriões sobre o sucessor de Urbano II. A obsessão de B16 em querer canonizar o Papa de Hitler – Pio XII – não ajuda às relações com os judeus e, muito menos, aquele gesto de reintegrar um bispo fascista que nega o Holocausto.

Quanto aos muçulmanos, a afirmação de que os ensinamentos do profeta Maomé são “diabólicos e desumanos”, uma das raras afirmações verídicas do seu pontificado, não seduzem os fundamentalistas islâmicos. E os crentes são sempre fundamentalistas, seja qual for a religião.

O Papa não vai apagar do Novo Testamento as centenas de afirmações anti-semitas, os muçulmanos não vão rasgar as páginas do Corão que os manda recorrer à espada para convencerem a humanidade a virar-se para Meca e os judeus não apagam da Tora a certidão do Registo Predial Celeste que lhes confere, com o povo eleito, direitos sobre a Palestina.

É com este ódio visceral que vão decorrer as negociações sobre umas propriedades que os judeus ocupam por usucapião, os muçulmanos reclamam com argumentos históricos e o Papa quer reaver por estarem ligadas ao alegado fundador da religião cristã. Não é fácil o negócio e é discutível a legitimidade papal para representar o cristianismo pois há muitos cristãos que vêem B16 com o mesmo amor que os muçulmanos aprendem a dedicar ao toucinho.

Nada que o dinheiro não resolva.

8 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Deus é cego…

… mas os automobilistas não.

Campanha «Torne-se Visível» visa sensibilizar peregrinos

A Estradas de Portugal (EP) está a promover a campanha «Torne-se Visível», dirigida aos peregrinos que se deslocarão a Fátima no âmbito da Grande Peregrinação de Maio.

A campanha visa reduzir o número de mortes acidentais de peregrinos relacionadas com os perigos da estrada, reforçando, para tal, a importância de estar eficazmente «visível» quando se circula na rodovia a pé.