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18 de Maio, 2009 Ricardo Alves

Pior, é sempre possível

A comunidade muçulmana não quer que se distribuam preservativos nas escolas. Segundo David Munir, não deve sequer haver «contacto físico» entre rapazes e raparigas antes do casamento.

Fantástico. É sempre possível pior. Se a ICAR nos quer manter no século 19, o Islão quer levar-nos para a Idade Média. Se a ICAR aceita o contacto físico antes do casamento mas não o sexo, o Islão não aceita nem um nem outro. Felizmente que são ultra-minoritários na ocidental República lusitana.

18 de Maio, 2009 Luís Grave Rodrigues

A Mensagem da Bíblia

 

Consideremos o caso de uma criança educada num país ocidental com uma população de maioria cristã.
 
Não é preciso um grande esforço de imaginação para a vermos ser-lhe repetidamente impingida a existência de seres mágicos e sobrenaturais e a ser-lhe incutida a ideia de que é absolutamente normal tomar como certo algo que se não vê e de cuja existência não existe uma única prova, um único indício.
 
Depois, como «explicação» para este contra-senso, e quando tudo aconselharia que se ensinasse à criança algum sentido de razoabilidade, vemos que é então que se ensina a criança a dar os primeiros passos na senda da mais incrível irracionalidade. Como se não bastasse, ainda ouvimos dizer-lhe que para que essa irracionalidade passe a ser «razoável» e perfeitamente aceitável como princípio de vida, bastará darmos-lhe o nome de… «fé»!
 
E pronto, está aberto o caminho para vermos uma criança aterrorizada com as penas do Inferno e ainda por cima com a ideia incutida de que nem sequer é livre para tomar as suas próprias decisões, por si própria e pelos seus valores éticos e da sociedade em que está inserida, pois passará o resto da sua vida a ser permanentemente vigiada por um ser invisível que está em todo o lado e que tudo vê e tudo sabe.
E que criou as galáxias e os planetas, mas que ao mesmo tempo gosta de ser bajulado com orações e jaculatórias.
 
Um ser tão poderoso que criou todo o Universo, mas que não gosta que os seres humanos usem preservativos e que considera a castidade como uma virtude porque tudo o que se relaciona com sexo tem uma conotação de “sujidade” e tem um cheiro pecaminoso e a enxofre.
 
E que valores, que modelos de moral e de ética vemos a ser ensinados a essa criança?
Para começar, diz-se que esses modelos e esses valores estão todos inscritos e explicados num «livro sagrado» chamado Bíblia, que contém a palavra de Deus ditada aos Homens.
 
Ensina-se depois à criança que os valores que deve seguir e que os critérios éticos que deve adoptar ao longo de toda a sua vida não são os seus, e que não se vivenciam só por si e por aquilo que representam, mas simplesmente porque já antes de si foram instituídos e que, por isso, se devem aceitar e seguir acriticamente e sem discussão.
Como se a criança não estivesse apta a encontrar os seus próprios valores e a sua ética pessoal, mas precisasse que alguém estranho e de fora lhos ensinasse e incutisse.
 
Mas é então que vemos ensinar à criança que o mesmo Deus que lhe é dado como referência dos valores, da moral e da ética a seguir, que o mesmo Jesus Cristo que lhe dão como exemplo de bondade e de amor ao próximo, são antes os maiores facínoras e os mais empedernidos assassinos que alguém possa imaginar.
 
Diz-se à criança que Jesus Cristo é paz e amor, diz-se à criança que ela é «cristã».
Mas depois contam-se-lhe os ensinamentos desse mesmo Jesus Cristo, que disse que tinha vindo à Terra não para trazer a paz, mas sim a espada.
Que disse que tinha vindo tratar somente do seu próprio povo e não de toda a gente.
O mesmo Jesus Cristo que disse para lhe trazerem à sua frente aqueles que não o quisessem seguir e que os matassem à sua frente.
 
A questão é esta:
Que poderemos esperar de uma criança a quem, desde a mais tenra idade, são incutidos os valores de um Deus que nos diz que não se pode trabalhar ao sábado sob pena de morte, que os homossexuais e os judeus devem ser mortos à pedrada e que nos mostra ao longo de todo o «livro sagrado» como se propagam pragas e se assassinam e dizimam populações inteiras?
 
Que poderemos esperar de uma criança a quem são ensinados como exemplos de vida a seguir os de um Jesus Cristo, que antes de mais nada mostrou ser o maior dos xenófobos e o maior dos intolerantes, e que nos deixou como exemplos de ética e de moralidade a própria morte de quem não pensa como ele e simplesmente não o quer seguir?
            
18 de Maio, 2009 Carlos Esperança

C O N V I T E – 1.º Aniversário da AAP

AAP – Almoço de convívio e troca de impressões em COIMBRA


Faz 1 ano no próximo dia 30 de Maio, Sábado
, que a Associação Ateísta Portuguesa se constituiu. Dezassete dias antes tinha havido a peregrinação a Fátima, contra o ateísmo, presidida pelo criador de milagres e fabricante de santos e beatos – o cardeal Saraiva Martins. Algum tempo depois o patriarca Policarpo considerava o ateísmo a maior tragédia da actualidade.

São exagerados estes publicitários. Até nos quatro bispos que soltaram ao longo deste 1.º ano para afrontarem a Associação Ateísta Portuguesa (AAP).

É boa altura para o encontro de todos os ateus, agnósticos, cépticos e livres-pensadores que queiram reunir-se nesse dia em Coimbra onde se pode aproveitar para discutir um documento a pedir um atestado de apostasia às dioceses.

Local: Restaurante «O Cantinho dos Reis» – Terreiro da Erva, N. 16 – COIMBRA (Largo entre a Rua da Sofia e a Av. Fernão de Magalhães, tudo locais muito conhecidos em Coimbra)

Ementa: Refeição completa com bebidas incluídas.

Hora: 13H00

Preço – > 10 € (Habitualmente anda pelos 7 € e a comida é boa e variada)

INSCRIÇÕES: (durante a próxima semana, até ao dia 22) para o e-mail da AAP.

[email protected]

Caros ateus e ateias, Deus provavelmente não existe, portanto venham fruir este almoço e esqueçam a última ceia.

Bem-vindos a Coimbra. Viva o livre-pensamento.

Saudações ateístas.

17 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Cristo-Rei – 50.º aniversário

Nascido da megalomania conjunta da ditadura e do episcopado, com pretensão de imitar o Cristo do Corcovado, fez-se a obra, de gosto duvidoso, como destino de peregrinações para cultivar o nacionalismo e a fé. Ao sítio falta a beleza do Corcovado, ao monumento  a dignidade do original e a ambos a grandeza e a formosura que serviram de inspiração.

Assistiram à inauguração os piores daquele tempo. Salazar e os ministros, Cerejeira e os bispos, a força pública e o público à força. Passado algum tempo houve a peregrinação sob o lema «Os novos escolhem Deus», uma torrente de jovens e de oportunidades para atenuar a castidade.

O cardeal Cerejeira exortou, então, os jovens a irem para África defender a civilização cristã e ocidental. Depois vi o comportamento do exército colonial e percebi o que era a civilização cristã e ocidental, com as armas benzidas e militares assistidos por capelães para que não lhes faltassem as missas e os últimos sacramentos.

O conúbio obsceno entre o regime fascista e o clero romano levou muitos a duvidar da virtude dos padres e do martírio de deus. A cumplicidade da ditadura com o clero foi o alarme que levou muitos padres a abandonar a Igreja e muitos jovens a evitar os padres.

Cinquenta anos depois, altos dignitários da Nação, não respeitam a separação da Igreja e do Estado e vão abrilhantar o espectáculo pio com a vergonhosa presença na cerimónia beata de uma religião particular.

É difícil distinguir os que hoje frequentam as comemorações pias dos que, há cinquenta anos, perseguiam os que não se ajoelhavam. Se a ditadura se mantivesse, podiam ser os mesmos a gravitar em torno das sotainas, tal a falta de pudor republicano e a desfaçatez com que confundem as devoções particulares com as funções de Estado.

Antero de Quental tinha razão quando diagnosticou as causas da decadência dos povos peninsulares. Em relação a Portugal mantêm-se actuais.

Post Scriptum – Na designação de Cristo-Rei permanece o paradigma da Igreja católica – a monarquia absoluta, cujo chefe é o rei, assim na terra como no Céu.

17 de Maio, 2009 palmirafsilva

Não se importa de repetir – II?

O cardeal Cormac Murphy O’Connor é o presidente da conferência episcopal de Inglaterra e do País de Gales e foi até há cerca de um mês o arcebispo de Westminster. O cardeal, conhecido pelas suas posições agostinianas sobre sexo e «liberais» em relação a pedofilia no seio da igreja, ainda enquanto dignitário mor da hierarquia católica inglesa debitou esta lucubração absolutamente espantosa de que secularistas e ateus não são completamente humanos.

Embora esta posição não seja exactamente nova e tenha justificado a eliminação de inúmeros «outros não completamente humanos» ao longo da História da humanidade, a sua cândida assumpção pelo prelado é arrepiante no século XXI. Em particular, deixa-me na dúvida sobre os métodos que o cardeal considera deverem ser usados para me tornar «completamente humana» ou sobre se considera que a minha existência de sub-humano tem menos valor que a de outro «completamente» humano, aka religioso.

As nossas caixas de comentários são testemunho de um fenómeno bem mais geral; a cristianovitimização que se traduz em ululações constantes por parte dos crentes de supostos insultos de ateus – que podem ser coisas tão rudes como considerar que Fátima ou o Cristo Rei devem ser incluídos nos Horrores de Origem Portuguesa que de facto são ou descrever uma hóstia como, horror dos horrores, uma hóstia e não o corpo do cristo.

Claro que os mesmos que carpem a intolerância, catolicofobia, cristofobia, preconceito anti-religioso nos 166 comentários ao post do Miguel ou que estridentemente exigem pedidos de desculpa pelo insulto e falta de respeito dos jornalistas que se referem a uma hóstia como uma hóstia, devem achar completamente pacíficas e nada insultuosas as palavras do bispo. Ou antes, devem considerá-las como reflectindo uma «posição razoável e equilibrada» dos crentes em relação aos ateus, que contrastarão certamente com a minha atitude inadmissível, «radical» e incitadora de fundamentalismos sortidos (nos crentes) de relatar mais esta tonteria de outro responsável da hierarquia católica…

Em stereo na jugular.

17 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Justas preocupações de um leitor

Neste momento, a RTP – a televisão paga por todos nós – está a emitir uma mensagem de obscurantismo a todos os títulos inadmissível. Li, em rodapé, que do programa do aniversário da inauguração do “cristo-rei” – pois é disso que se trata – fazia parte a “recepção a nossa senhora”.

Ora, eu não sei, ao certo, quem é essa tal “nossa senhora”; mas suponho que se trata de uma boneca a quem, contrariando a dita “lei de Deus”, se presta culto, numa imitação foleira do anacrónico politeísmo idólatra. E a RTP transmite isso!!!

Eu não sei até que ponto a Igreja tem legitimidade para, em nome de uma efeméride bacoca e medieval, inundar as ruas de Lisboa com procissões e outras manifestações de gosto mais que duvidoso; mas, como ainda acredito na boa fé dos homens, parto do princípio que foram preenchidos os eventuais requisitos legais, como se de uma manifestação pública contra a fome se tratasse. Mas não posso admitir que uma estação televisiva DO ESTADO (ou seja, nossa, paga por todos nós), dedique, através dos seus vários canais, mais de vinte e quatro horas a este espectáculo, digno dos piores espectáculos religiosos da Malásia.

Pergunto: que posição vai, a AAP, tomar?

Saudações ateístas.

a) José Moreira

16 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Resposta ao rapaz Ratzinger das tropas nazis

EL OADA CONTRA WALTER MIXA

“Las pasadas décadas han demostrado la inhumanidad del ateísmo a través de los regímenes del nacional-socialismo y del comunismo, con sus campos de concentración, su policía secreta y los asesinatos masivos”

Walter Mixa, Obispo castrense de Augsburgo, durante la misa de Pascua de 2009. Ver Deutsche Welle, 13.04.09: German bishop: Atheism responsible for Nazis and mass murder.

Una vez más, hemos de soportar por parte de un jerarca católico la acusación de “inhumanidad” dirigida al ateísmo, “ideología” que, según se encarga machaconamente la curia de repetir, se hallaría en el núcleo de los totalitarismos políticos del siglo pasado. Recurrió a una infumable cita de Fiodor Dostoievski (“Sin Dios todo está permitido”) para argumentar los peligros del ateísmo. Mixa dijo a sus fieles, además, que una sociedad “sin dios” es el “infierno en la tierra”, y que podría derivar en un régimen sangriento, al estilo de los de la Alemania nazi o el comunismo soviético.

Ratzinger, en la Carta Encíclica “Spe Salvi”, también cita al escritor ruso en su crítica del ateísmo. En ella, nos describe como personas “que han destruido totalmente en sí mismas el deseo de la verdad”, “que viven para el odio” y para las que “no habría ya nada remediable”. “La pretensión de que la humanidad pueda y deba hacer lo que ningún Dios hace ni es capaz de hacer –prosigue Benedicto XVI- es presuntuosa e intrínsecamente falsa”.

Sin embargo, lo que a nosotros nos parece “presuntuosa e intrínsecamente falso” es justo el discurso repetitivo de la iglesia católica al respecto. El totalitarismo nunca ha hundido sus raíces en la negación de los dioses; por el contrario, los ha fabricado y alimentado siempre con exquisita dedicación. Todo régimen sangriento celebra un permanente holocausto en su honor. Tanto el stalinismo como el nazismo obedecieron a patrones religiosos, con la exaltación de sus divinidades, la sumisión aceptada de sus fieles, la persecución del diferente y la negación de la libertad y de la autonomía individual. Pero dejaremos a un lado al soso de Iosiv Stalin, premiado a los 14 años con una beca en el seminario de Tifflis. Resumir aquí el contenido fideísta del capitalismo de Estado estaría fuera de lugar en un comunicado dirigido contra un obispo castrense alemán.

Walter Mixa practica la máxima de la propaganda goebbeliana, según la cual toda mentira repetida mil veces se convierte en verdad. Y silencia así que el movimiento nazi, contrariamente a la opinión convencional, se inspiró en valores tan cristianos como el antisemitismo, el antimarxismo y el antiliberalismo.

Dijo Rosenberg que Jesús era un eje vital en la historia de Alemania. Y el cardenal Pacelli, alias “Pío XII”, lo sabía bien cuando aprobó y firmó un concordato con el Estado totalitario del partido de Hitler, al que veía como un baluarte contra el comunismo mundial. Las campanas de las iglesias tañían horas y horas cuando el ejército nacional-socialista obtenía algún éxito en Europa o en África, y los obispos católicos aconsejaban a los soldados que llevaran en las hebillas de sus cinturones el texto “Dios con nosotros”. Una carta pastoral, emitida en septiembre de 1939 por los obispos alemanes, declaraba: “”En esta hora decisiva exhortamos a nuestros soldados católicos a cumplir con su deber en obediencia al Führer y a estar dispuestos a sacrificar su entera individualidad. Hacemos un llamado a los fieles para que se unan en fervientes oraciones para que la Divina Providencia conduzca esta guerra al éxito bendito”.

También las dictaduras de Franco y de Mussolini recibieron la bendición eclesiástica, y la banca vaticana obtuvo jugosos beneficios del gobierno manejado por los nazis en Croacia. ¿Es entonces el ateísmo, “raíz de todo mal” según Roma, lo que inspira o puede inspirar un “régimen de terror”? ¿Era ateo Adolf Hitler cuando, en un discurso pronunciado en abril de 1922, habló de Jesús como del “verdadero Dios”? ¿O cuando en diciembre de 1926 afirmó que el objetivo del movimiento nazi era “traducir en hechos los ideales de Cristo”? Hitler no sólo leyó el Nuevo Testamento, sino que estaba inspirado por él. El atrevimiento infame del obispo Walter Mixa ahonda en la estrategia vaticana de la confusión y la mentira. Apenas hace un mes, el mismo Mixa comparó los crímenes del Holocausto con los “millones de abortos” voluntarios practicados en las últimas décadas, lo que le valió la reprobación del propio presidente de la Conferencia Episcopal Alemana.

Walter Mixa es un pelmazo y un bocazas. Representa, además, a la corporación religiosa más criminal que haya visto la historia. Desde el Observatorio Anti-Difamación Atea (OADA) no le instamos a rectificar, porque sabemos que su posición corresponde a la línea oficial vaticana y a la política integrista de Joseph Alois Ratzinger, el mismo que pronunció su primera misa como “Papa” el 20 de abril de 2005, aniversario del nacimiento de Adolf Hitler. El OADA, no obstante, quiere solidarizarse con las declaraciones de Rudolf Ladwig, de la organización atea alemana IBKA, y de Michael Schmidt-Salomon, de la Fundación Giordano Bruno. Según ellas, los comentarios de Mixa obedecen a la insostenible estrategia católica de falsificar sus relaciones históricas con el fascismo. Nada más tenemos que añadir.

Comentário: Tendo sido escrito antes, este texto, em espanhol, da autoria da FIdA [[email protected]] responde às mentiras do Papa, quando, ao despedir-se de Israel, referindo-se ao Holocausto, …[Bento XVI] denunciou que aqueles mortos foram “brutalmente exterminados” por um “regime sem Deus”.

16 de Maio, 2009 Carlos Esperança

Anjos e demónios

Na adaptação ao cinema de mais um livro de Dan Brown, que faz pairar uma ameaça terrível sobre a Santa Sé, e Roma, o que irrita o Vaticano é a atribuição de filhos a J. Cristo.

Naturalmente que isso é tão falso quanto a existência de deus. Sabe-se que os animais híbridos não se reproduzem e Cristo – como reza a lenda – é filho de uma mulher e do espírito santo.