Dois padres do Vaticano já estão em Barbacena para acompanhar o encerramento do processo de beatificação da jovem Isabel Cristina Mrad, no Brasil. Ela foi assassinada a facadas, aos 20 anos, na década de 80, na cidade de Juiz de Fora. O processo para beatificação foi instalado em janeiro de 2001.
Mais de 50 pessoas foram entrevistadas e algumas relatam ter alcançado graças ao pedir a intercessão de Isabel Cristina.
Comentário: Podiam ter pedido a S. Guinefort, cão e mártir. Também fez milagres.
O Paganismo foi o mecanismo de que o Império Romano habilmente se dotou para ultrapassar as divergências étnicas e religiosas. O povo conquistador acolhia no seu panteão as divindades do conquistado, enriquecendo dessa maneira as suas mitologias. Só mais tarde, da recusa em prestar juramento ao Imperador e quando o cristianismo se transformou em religião oficial do estado passando de perseguida a perseguir, essa prática desapareceu.
Desde então e até aos nossos dias raras vezes a força das ideias conseguiu emancipar-se do poder religioso dominante, sendo uma das excepções o chamado Século da Luzes, cujos efeitos ainda subsistem.
Hoje porém, e numa tentativa de impor valores ditos perdidos, oferecem-nos uma visão unilateral do mundo da qual fica excluído todo e qualquer espírito crítico. Entrámos novamente num conformismo intelectual, numa tentativa de legitimar a autoridade das religiões reveladas, especialmente a denominada tradição judeo-cristã.
Alguns atribuem tal facto ao desmoronamento das ideologias laicas, com a queda do muro de Berlim.
É interessante ver os ideólogos comprometidos com o regime, adaptarem o discurso ao novo contexto, renunciando o que antes sacralizavam, inventando uma linguagem nova e uma nova moral não menos autoritária que a anterior.
Estes novos ideólogos misturam perigosamente política com religião como se a violência justificada por Deus nunca tivesse existido, como se o passado tivesse desaparecido da memória colectiva, e utilizam os horrores do nazismo e as experiências falhadas do comunismo/socialismo, assim como a violência dos últimos atentados terroristas, para Satanizar todos aqueles que não estão dispostos a abdicar da sua Liberdade de agir e pensar.

O novo romance de José Saramago chama-se “Caim” e tem como personagens principais aquela figura bíblica, Deus e a Humanidade “nas suas diferentes expressões”, segundo a descrição de Pilar del Río no blogue do Nobel da Literatura.
Bissau, 21 Fev (Lusa) – Dois dirigentes da comunidade muçulmana da Guiné-Bissau insurgiram-se contra o projecto do parlamento de abolir no país a prática de mutilação genital feminina, considerando tal pretensão uma “afronta ao Islão”.
Comentário: É preciso afrontar o Islão.
O veto do PR à lei das uniões de facto é o voto pio de quem foi presidente da comissão de honra para a canonização de Nuno Álvares Pereira, de quem acredita que um herói se transforma em colírio para curar o olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus, queimado com óleo de fritar peixe, por intercessão de um guerreiro medieval.
Há argumentos contra a lei das uniões de facto – e referiu-os –, mas não é aceitável a desculpa da oportunidade – e usou-a –, como se coubesse ao PR alterar o período em que se pode legislar.
Se Guterres, com outra dimensão cívica, não foi capaz de resistir aos amigos do peito e da hóstia, na questão do aborto, por que motivo seria capaz este PR, ressentido com a dispensa do pio Conselheiro João Lobo Antunes de uma escusada comissão Ética, de desistir do veto a uma lei que os padres condenam e a Esquerda defende?
A lei vetada, aprovada em Julho com votos contra do PSD, CDS e de três ornamentos pios com que a bancada do PS se matiza, reforçava a protecção jurídica em caso de morte de uma pessoa em situação de união de facto e criava maior protecção do domicílio da família, além do direito à pensão de sobrevivência. Isto é uma abominação para um crente calejado em jejuns e orações.
Aparentemente, Cavaco transformou o PSD e o CDS em instrumentos de uma qualquer ambição política que não augura nada de bom para o País. No PSD tem uma pessoa de confiança sem ideias e, no CDS, um líder com ideias a mais e sem escrúpulos.
O silêncio perante a torpe insinuação do PSD sobre alegadas escutas aos seus assessores contribuiu para o clima de intriga e desconfiança que mina as instituições democráticas, em nítido benefício do partido de que foi líder.
Ao recusar esclarecer o mecanismo e as circunstâncias da compra e venda das acções do BPN, de que beneficiou ele próprio e a filha, Cavaco destruiu a alegada superioridade moral do cavaquismo.
Restava-lhe a isenção e o sentido de Estado. Prefere cuidar da alma e das indulgências. Interpretou bem o desejo dos bispos. É uma opção mas, se continuar a ser oposição à maioria dos eleitores, em sintonia com a direita mais obsoleta, abdica do respeito a que tem direito e da consideração inerente ao exercício do cargo.
Não, não é só na Guiné. É também em Lisboa onde o respeito pelo multiculturalismo descura a vigilância da barbárie. Não nos iludamos, o mesmo deus que condena as mulheres ao pecado original é aquele déspota misógino, cruel e vingativo que se rebola de gozo a ver a mutilação genital feminina sabendo que o prazer sexual fica definitivamente interdito.
Há nesta ignóbil tradição uma mistura de fascismo islâmico e tribalismo africano que a religião patriarcal perpetua e os hábitos tribais exigem.
A criança de três meses que morreu foi vítima de uma tradição e assassinada por uma crença, tendo como carrascos os devotos de uma religião que persegue a liberdade e mata o prazer em nome de um deus que há muito devia estar sob vigilância policial e a alçada do código penal.
Os templos que se erguem são a homenagem subserviente a crenças que um módico de racionalidade e algumas noções de cultura deviam erradicar. Servem aos clérigos para perpetuarem aí os costumes tribais, discriminarem as mulheres e incitarem ao ódio.
Eu sei, todos sabemos que há uma multidão de parasitas que vive à custa destes deuses, que há centenas de imbecis que os promovem e milhões que são obrigados a jejuns e orações, que são intoxicados pelo Corão, a Tora e a Bíblia, que odeiam jacobinos, não urinam virados para Meca, distinguem a água benta da outra ou julgam que deus lhes outorgou as fronteiras das terras que reclamam.
Uma religião não pode estar acima de uma associação e os seus corpos gerentes devem responder pelos crimes que cometem. A vida de uma só criança vale mais do que a de todos os deuses.
Esta vergonhosa violação dos direitos da criança e dos direitos humanos, para além da repugnância que causa, tem consequências graves, físicas e psicológicas, que um país civilizado não pode consentir sob pena de ser cúmplice.
Nota: Este post foi alterado no primeiro parágrafo.
Por
Na realidade, para a cúria papal e demais institutos divinos e câmaras eclesiásticas que pontificam no Vaticano – como ontem a imprensa mundial recordou em relação a Galileu – é cada vez mais difícil manter os privilégios dos dogmatismos conciliares, das irracionais e insultuosas infalibilidades , das mitologias prodigiosas e crenças milagreiras, das tentativas de ocultação das verdades científicas, da venialidades das indulgências, dos seculares apetites pela luxúria e da leiga atracção pelo dinheiro.
Enfim, uma inexorável perda de idoneidade… uma imparável marcha para a decadência.
A airosa, mas denunciada, saída, encontrada pelo Vaticano para recompensar a “Obra” pelo esforço financeiro efectuado com vista à solvência do IOR (o “banco de deus”), canonizando o seu fundador – Josemaria Escrivá – ao contrário do que a ICAR pensa e desejaria, não é um assunto encerrado… nem um postulado incontroverso.
O mundo tornou-se aberto e mais transparente, sendo difícil às diferentes igrejas conservar ancestrais privilégios de subtracção de assuntos ao conhecimento público, quer sonegando a sua discussão, quer escusando os escândalos do livre tratamento informativo, literário e artístico.
Os recentes escândalos de pedofilia que mancham e envolvem dramaticamente a ICAR no mundo do crime, em diversos pontos do planeta, evidenciando práticas abusivas e repugnantes do tipo serial killer, são um exemplo destes novos tempos, que tornaram irreversível o regresso ao “glorioso” passado do silenciamento e da ocultação.
Por todas estas razões e outras que não me ocorrem, Ralf Hoch Hunt escreveu a peça dramatúrgica “O Vigário” revelando uma postura pro-nazi e anti-judaica do papa Pio XII, Dan Brown transformou o ‘Código da Vinci’ num best-seller, estamparam-se e disseminaram-se pelo mundo – perante a fúria dos muçulmanos e a indignação dos católicos (pondo as barbas de molho) – caricaturas do profeta e, agora, o cineasta e realizador ROLAND JOFFÉ – antecipando-se à eventuais reacções das “Igrejas” (neste campo a solidariedade ecuménica funciona!) – prepara um filme… sobre Josemaría Escrivá de Balaguer, um místico franquista desde a 1ª. hora e um recalcitrante falangista que, no nefasto e calamitoso período nazi, revelou-se cumulativamente um (im)piedoso germanófilo… entretanto, feito santo, em tempo recorde (antes que fosse revelada a plenitude do seu iníquo percurso)!
Roland Joffé sabe que o seu novo filme é controverso, mas afirma que não foi realizado como resposta ao ‘Código da Vinci’, em que os maus são membros do Opus Dei, um movimento da Igreja Católica.
Joffé está na Argentina a realizar um filme sobre o fundador do Opus Dei, Josemaría Escrivá de Balaguer, que esteve ao lado de Francisco Franco durante a Guerra Civil espanhola e que alegadamente terá dito bem de Adolf Hitler.
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