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29 de Agosto, 2009 Carlos Esperança

Negócio macabro das canonizações

Padres do Vaticano já estão em Barbacena

Dois padres do Vaticano já estão em Barbacena para acompanhar o encerramento do processo de beatificação da jovem Isabel Cristina Mrad, no Brasil. Ela foi assassinada a facadas, aos 20 anos, na década de 80, na cidade de Juiz de Fora. O processo para beatificação foi instalado em janeiro de 2001.

Mais de 50 pessoas foram entrevistadas e algumas relatam ter alcançado graças ao pedir a intercessão de Isabel Cristina.

Comentário: Podiam ter pedido a S. Guinefort, cão e mártir. Também fez milagres.

28 de Agosto, 2009 Fernandes

Uma questão de liberdade

O Paganismo foi o mecanismo de que o Império Romano habilmente se dotou para ultrapassar as divergências étnicas e religiosas. O povo conquistador acolhia no seu panteão as divindades do conquistado, enriquecendo dessa maneira as suas mitologias. Só mais tarde, da recusa em prestar juramento ao Imperador e quando o cristianismo se transformou em religião oficial do estado passando de perseguida a perseguir, essa prática desapareceu.

Desde então e até aos nossos dias raras vezes a força das ideias conseguiu emancipar-se do poder religioso dominante, sendo uma das excepções o chamado Século da Luzes, cujos efeitos ainda subsistem.

Hoje porém, e numa tentativa de impor valores ditos perdidos, oferecem-nos uma visão unilateral do mundo da qual fica excluído todo e qualquer espírito crítico. Entrámos novamente num conformismo intelectual, numa tentativa de legitimar a autoridade das religiões reveladas, especialmente a denominada tradição judeo-cristã.

Alguns atribuem tal facto ao desmoronamento das ideologias laicas, com a queda do muro de Berlim.

É interessante ver os ideólogos comprometidos com o regime, adaptarem o discurso ao novo contexto, renunciando o que antes sacralizavam, inventando uma linguagem nova e uma nova moral não menos autoritária que a anterior.

Estes novos ideólogos misturam perigosamente política com religião como se a violência justificada por Deus nunca tivesse existido, como se o passado tivesse desaparecido da memória colectiva, e utilizam os horrores do nazismo e as experiências falhadas do comunismo/socialismo, assim como a violência dos últimos atentados terroristas, para Satanizar todos aqueles que não estão dispostos a abdicar da sua Liberdade de agir e pensar.

28 de Agosto, 2009 Carlos Esperança

Novidade literária

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O novo romance de José Saramago chama-se “Caim” e tem como personagens principais aquela figura bíblica, Deus e a Humanidade “nas suas diferentes expressões”, segundo a descrição de Pilar del Río no blogue do Nobel da Literatura.

Novo Saramago põe Deus como autor moral de um crime

27 de Agosto, 2009 Carlos Esperança

Não há bestas perfeitas. Ninguém é perfeito

Bissau, 21 Fev (Lusa) – Dois dirigentes da comunidade muçulmana da Guiné-Bissau insurgiram-se contra o projecto do parlamento de abolir no país a prática de mutilação genital feminina, considerando tal pretensão uma “afronta ao Islão”.

Comentário: É preciso afrontar o Islão.

27 de Agosto, 2009 Carlos Esperança

O veto e o voto de Cavaco

O veto do PR à lei das uniões de facto é o voto pio de quem foi presidente da comissão de honra para a canonização de Nuno Álvares Pereira, de quem acredita que um herói se transforma em colírio para curar o olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus, queimado com óleo de fritar peixe, por intercessão de um guerreiro medieval.

Há argumentos contra a lei das uniões de facto – e referiu-os –, mas não é aceitável a desculpa da oportunidade – e usou-a –, como se coubesse ao PR alterar o período em que se pode legislar.

Se Guterres, com outra dimensão cívica, não foi capaz de resistir aos amigos do peito e da hóstia, na questão do aborto, por que motivo seria capaz este PR, ressentido com a dispensa do pio Conselheiro João Lobo Antunes de uma escusada comissão Ética, de desistir do veto a uma lei que os padres condenam e a Esquerda defende?

A lei vetada, aprovada em Julho com votos contra do PSD, CDS e de três ornamentos pios com que a bancada do PS se matiza, reforçava a protecção jurídica em caso de morte de uma pessoa em situação de união de facto e  criava maior protecção do domicílio da família, além do direito à pensão de sobrevivência. Isto é uma abominação para um crente calejado em jejuns e orações.

Aparentemente, Cavaco transformou o PSD e o CDS em instrumentos de uma qualquer ambição política que não augura nada de bom para o País. No PSD tem uma pessoa de confiança sem ideias e, no CDS, um líder com ideias a mais e sem escrúpulos.

O silêncio perante a torpe insinuação do PSD sobre alegadas escutas aos seus assessores contribuiu para o clima de intriga e desconfiança que mina as instituições democráticas, em nítido benefício do partido de que foi líder.

Ao recusar esclarecer o mecanismo e as circunstâncias da compra e venda das acções do BPN, de que beneficiou ele próprio e a filha, Cavaco destruiu a alegada superioridade moral do cavaquismo.

Restava-lhe a isenção e o sentido de Estado. Prefere cuidar da alma e das indulgências. Interpretou bem o desejo dos bispos. É uma opção mas, se continuar a ser oposição à maioria dos eleitores, em sintonia com a direita mais obsoleta, abdica do respeito a que tem direito e da consideração inerente ao exercício do cargo.

26 de Agosto, 2009 Carlos Esperança

Mutilação genital feminina

Mutilação genital mata bebé de 3 meses

Não, não é só na Guiné. É também em Lisboa onde o respeito pelo multiculturalismo descura a vigilância da barbárie. Não nos iludamos, o mesmo deus que condena as mulheres ao pecado original é aquele déspota misógino, cruel e vingativo que se rebola de gozo a ver a mutilação genital feminina sabendo que o prazer sexual fica definitivamente interdito.

Há nesta ignóbil tradição uma mistura de fascismo islâmico e tribalismo africano que a religião patriarcal perpetua e os hábitos tribais exigem.

A criança de três meses que morreu foi vítima de uma tradição e assassinada por uma crença, tendo como carrascos os devotos de uma religião que persegue a liberdade e mata o prazer em nome de um deus que há muito devia estar sob vigilância policial e a alçada do código penal.

Os templos que se erguem são a homenagem subserviente a crenças que um módico de racionalidade e algumas noções de cultura deviam erradicar. Servem aos clérigos para perpetuarem aí os costumes tribais, discriminarem as mulheres e incitarem ao ódio.

Eu sei, todos sabemos que há uma multidão de parasitas que vive à custa destes deuses, que há centenas de imbecis que os promovem e milhões que são obrigados a jejuns e orações, que são intoxicados pelo Corão, a Tora e a Bíblia, que odeiam jacobinos, não urinam virados para Meca, distinguem a água benta da outra ou julgam que deus lhes outorgou as fronteiras das terras que reclamam.

Uma religião não pode estar acima de uma associação e os seus corpos gerentes devem responder pelos crimes que cometem. A vida de uma só criança vale mais do que a de todos os deuses.

Esta vergonhosa violação dos direitos da criança e dos direitos humanos, para além da repugnância que causa, tem consequências graves, físicas e psicológicas, que um país civilizado não pode consentir sob pena de ser cúmplice.

Nota: Este post foi alterado no primeiro parágrafo.

26 de Agosto, 2009 Carlos Esperança

OPUS DEI – o banco da Vaticano… Roland Joffé mete mãos à “Obra”

Por

E – Pá

Na realidade, para a cúria papal e demais institutos divinos e câmaras eclesiásticas que pontificam no Vaticano – como ontem a imprensa mundial recordou em relação a Galileu – é cada vez mais difícil manter os privilégios dos dogmatismos conciliares, das irracionais e insultuosas infalibilidades , das mitologias prodigiosas e crenças milagreiras, das tentativas de ocultação das verdades científicas, da venialidades das indulgências, dos seculares apetites pela luxúria e da leiga atracção pelo dinheiro.

Enfim, uma inexorável perda de idoneidade… uma imparável marcha para a decadência.

A airosa, mas denunciada, saída, encontrada pelo Vaticano para recompensar a “Obra” pelo esforço financeiro efectuado com vista à solvência do IOR (o “banco de deus”), canonizando o seu fundador – Josemaria Escrivá – ao contrário do que a ICAR pensa e desejaria, não é um assunto encerrado… nem um postulado incontroverso.

O mundo tornou-se aberto e mais transparente, sendo difícil às diferentes igrejas conservar ancestrais privilégios de subtracção de assuntos ao conhecimento público, quer sonegando a sua discussão, quer escusando os escândalos do livre tratamento informativo, literário e artístico.

Os recentes escândalos de pedofilia que mancham e envolvem dramaticamente a ICAR no mundo do crime, em diversos pontos do planeta, evidenciando práticas abusivas e repugnantes do tipo serial killer, são um exemplo destes novos tempos, que tornaram irreversível o regresso ao “glorioso” passado do silenciamento e da ocultação.

Por todas estas razões e outras que não me ocorrem, Ralf Hoch Hunt escreveu a peça dramatúrgica “O Vigário” revelando uma postura pro-nazi e anti-judaica do papa Pio XII, Dan Brown transformou o ‘Código da Vinci’ num best-seller, estamparam-se e disseminaram-se pelo mundo – perante a fúria dos muçulmanos e a indignação dos católicos (pondo as barbas de molho) – caricaturas do profeta e, agora, o cineasta e realizador ROLAND JOFFÉ – antecipando-se à eventuais reacções das “Igrejas” (neste campo a solidariedade ecuménica funciona!) – prepara um filme… sobre Josemaría Escrivá de Balaguer, um místico franquista desde a 1ª. hora e um recalcitrante falangista que, no nefasto e calamitoso período nazi, revelou-se cumulativamente um (im)piedoso germanófilo… entretanto, feito santo, em tempo recorde (antes que fosse revelada a plenitude do seu iníquo percurso)!

26 de Agosto, 2009 Carlos Esperança

Santo não é sinónimo de honrado

Roland Joffé sabe que o seu novo filme é controverso, mas afirma que não foi realizado como resposta ao ‘Código da Vinci’, em que os maus são membros do Opus Dei, um movimento da Igreja Católica.

Joffé está na Argentina a realizar um filme sobre o fundador do Opus Dei, Josemaría Escrivá de Balaguer, que esteve ao lado de Francisco Franco durante a Guerra Civil espanhola e que alegadamente terá dito bem de Adolf Hitler.