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10 de Dezembro, 2009 Carlos Esperança

A Suíça e os minaretes

minaretes

O resultado do referendo suíço, proibindo minaretes nas mesquitas, constitui uma tripla decepção. Em primeiro lugar, não se referendam direitos individuais, protegem-se. Depois, os suíços votaram contra os minaretes. Finalmente, converteram em lei uma violação grosseira dos direitos humanos. A liberdade religiosa é um direito que implica a liberdade de cada cidadão ter a crença, descrença ou anti-crença que quiser, cabendo ao Estado democrático o dever de neutralidade.

Em suma, na Suíça os direitos humanos foram violados com a democracia a aderir ao paradigma das teocracias.

O voto contra os minaretes foi um sinal de que a intolerância já contagiou a Europa e de que o respeito pelos direitos, liberdades e garantias vai cedendo ao medo. Em vez de se vigiarem os templos onde se prega o ódio e de se punirem os pregadores, impedem-se os minaretes às mesquitas.

Há quem pense que a democracia é a aplicação da vontade das maiorias. É muito mais do que isso, inclui o respeito pelos direitos das minorias.

O referendo suíço pôs em causa a democracia e a decência. O precedente de sufragar o direito de voto das mulheres, em cantões que não o concediam, foi a confirmação da democracia coxa e de uma cidadania frouxa.

Não basta usar métodos democráticos, urge impedir que os direitos individuais sejam postos em causa. A democracia não se referenda, tal como a fé não pode atentar contra os direitos humanos nem ser vivida à margem da lei dos Estados democráticos.

9 de Dezembro, 2009 Carlos Esperança

Falar sem dizer nada

CIDADE DO VATICANO, 9 DEZ (ANSA) O papa Bento XVI defendeu que “o indivíduo é a origem do mal”, ao discursar para cerca de seis mil pessoas durante a audiência geral de hoje, no Vaticano.

O que o papa diz é cada vez mais irrelevante mas há pessoas que persistem em acreditar no regedor daquele bairro de 44 hectares que Benito Mussolini transformou em Estado.

O deus do papa não é um deus original, nem recomendável, apesar das metamorfoses a que o Iluminismo o obrigou, da urbanidade a que as leis democráticas o submeteram e da contenção que a modernidade lhe impôs.

As pessoas que acreditam no deus que alimenta o papa, os bispos e a infindável legião de parasitas da fé, convencem-se que esse deus é omnipotente e omnisciente, espécie de bruxo encartado que pode e faz tudo quanto quer.

Ora, se o tal deus que criou o mundo e do barro fez o homem, numa olaria rudimentar, e é assim tão poderoso, comete um acto de cobardia ao imputar ao homem a culpa que lhe cabe, fugindo às responsabilidades de criador e acusando a criatura.

A única desculpa é esse deus não existir e o papa ter necessidade de manter o negócio à custa do medo, da ignorância e das ameaças. E, com seis mil pessoas, a apreciarem o vestidinho do papa, este teria de dizer qualquer coisa para interessar a clientela.

É cada vez mais difícil ganhar a vida sem trabalhar.