Loading
2 de Janeiro, 2010 Ricardo Alves

A milícia de Maomé ainda não desistiu

Lembram-se de Kurt Westergaard? Se o nome não vos diz nada, vejam a imagem.

Esse mesmo. O autor do mais conhecido dos cartunes que, em 2005, puseram a parte islâmica do globo a espumar de raiva.
Na noite de sexta-feira, um islamista de 27 anos entrou-lhe em casa, armado com uma faca e um machado. Aparentemente, a intenção era matar o pacato ancião, que é culpado do horrendo crime de satirizar Maomé. O suspeito, que foi detido pela polícia, pertence a uma milícia islamista da Somália.
Passaram mais de quatro anos desde a publicação dos cartunes. Eles não desistiram. Kurt também não. E por isso devemos apoiá-lo.
[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]
1 de Janeiro, 2010 Carlos Esperança

Papa não ouviu falar de Darwin

Deus quis que a mulher fosse a companheira do homem e não sua escrava ou dominadora, declarou o papa Bento XVI durante sua última audiência-geral do ano nesta quarta-feira.

Deus criou a mulher a partir da costela de Adão e não, por exemplo, a partir de sua cabeça, para que ela não seja nem dominadora, nem escrava, e sim sua companheira”, declarou o Papa, citando o teólogo medieval e bispo de Paris, Pierre Lombard.

Comentário: B16 é mentiroso ou ignorante? Um criacionista ao serviço do embuste religioso e da superstição.

31 de Dezembro, 2009 Ricardo Alves

Ricardo Araújo Pereira sobre a mensagem de Policarpo

O ateu Ricardo Araújo Pereira escreveu na Visão sobre a mensagem de José Policarpo. A não perder.

  • «O Natal é tempo de paz, tempo de amor, tempo de lamentar a existência de pessoas como eu. Não admira que seja uma época que toda a gente aprecia. No dia que assinala o nascimento do salvador, o cardeal-patriarca não resistiu a lembrar que há quem não tenha salvação possível. (…) O ateísmo tem sido, para mim e para tantos outros incréus, a luz que me tem conduzido na vida. Às vezes fraquejo, em momentos de obscuridade e de dúvida, mas, mesmo sendo incapaz de provar a inexistência de Deus, tenho conseguido manter a fé – uma fé íntima fundada numa peregrinação que tem a grandeza e a humildade da longa caminhada da vida – em que Ele não exista. Todos os dias busco a não-existência do Senhor com renovada crença, ciente de que a Sua inexistência é misteriosa demais para que eu a tenha inventado. (…) Acreditar que Deus existe é uma convicção profunda, mas acreditar que não existe, curiosamente, não o é. Alguém, munido de um aparelho próprio, mediu a profundidade das convicções e deliberou que as do crente são mais fundas que as do ateu. Quando alguém diz acreditar em Deus, está a exprimir legitimamente a sua fé; quando um ateu ousa afirmar que não acredita, está a agredir as convicções dos crentes. Ser crente é merecedor de respeito, ser ateu é um crime contra a humanidade. (…)»
31 de Dezembro, 2009 Carlos Esperança

O que eu penso da homilia de Natal do Patriarca

A escalada da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) contra as liberdades entre as quais se conta o direito à crença (a qualquer crença), à descrença e mesmo à anti-crença é uma evidência, enquanto o ateísmo defende a liberdade religiosa na qual se inclui o direito à descrença.

Recordo que em 2008, no dia 13 de Maio, o senhor cardeal Saraiva Martins, então angariador de mila-gres e criador de beatos e santos, presidiu em Fátima à «peregrinação contra o ateísmo na Europa». Podia ter sido a favor da fé mas entendeu a ICAR, no seu fervor belicista, dedicar o evento «contra o ateísmo» e o Sr. Cardeal considerou o ateísmo o «maior drama da humanidade», esquecendo a fome, as doenças, as guerras, as religiões e o terrorismo religioso, por exemplo.

A Igreja católica só aceitou a liberdade religiosa no Concílio Vaticano II mas, apesar de ser recente a conformação com um direito inalienável, julgava que já o tinha assimilado na sua praxis. Pelo contrário, a convivência com o pluralismo e as liberdades individuais parece ser uma dificuldade inultrapassável para a ICAR e para os seus prelados.

Em 2009, entre vários ataques de diversos bispos ao ateísmo, recordo o do Sr. bispo Carlos Azevedo, contra a AAP e o seu presidente, em 2 de Junho, no Correio da Manhã. Escusado será dizer que não foi permitida a defesa, apesar de reiteradamente solicitada, e os ataques parecem ser uma tentativa deses-perada de fazerem do ateísmo o bode expiatório de uma Igreja de onde desertam os padres e fogem os crentes.

Deixo agora de parte a cruzada violenta contra os casamento homossexuais quando seria fácil aconse-lhar os adversários a não se casarem com pessoas do mesmo sexo.

Usando poderosos meios de propaganda e a complacência da televisão pública para com a ICAR, pôde o Sr. Cardeal difundir a sua Mensagem de Natal e divulgar a homilia da missa de Natal em que não se coibiu de atacar os «inimigos», assim considerados todos os que não partilham as suas crenças.

Estranha-se a veemência com que na referida homilia arremeteu contra os agnósticos e, sobretudo, contra os ateus, como se ser ateu ou agnóstico mereça censura, sobretudo de um cardeal.

Os ateus revêem-se na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na Constituição da República Portuguesa e, defendendo a liberdade sem privilégios defenderão qualquer religião que, eventualmente, venha a ser perseguida por religiões rivais ou por algum Estado ateu que possa surgir, tão perverso como os confessionais.

Apesar das profundas divergências que separam os ateus do cardeal, pensando os ateus que foram os homens que criaram Deus e o Sr. Cardeal o contrário, os ateus defenderão a liberdade, a democracia, o livre-pensamento e a ciência, contra o obscurantismo, a mentira, o medo e o pensamento único. Serão sempre contra a xenofobia, o racismo, o anti-semitismo e qualquer forma de violência ou de discrimi-nação por questões de raça, religião, nacionalidade ou sexo. O que não acontece com a ICAR.

29 de Dezembro, 2009 Carlos Esperança

Os bispos e os referendos

Andaram os bispos portugueses 48 anos em paz, sem preocupações com a democracia, com direito a báculo e mitra apenas com autorização de Salazar, indiferentes aos crimes da ditadura e à guerra colonial, e tornaram-se agora os paladinos da democracia directa.

Todos os dias saltam prelados a agitar a mitra contra os casamentos homossexuais, a brandir o báculo contra o aborto, a perorar sobre a família, como se disso tivessem alguma experiência. Disparam ave-marias e salve-rainhas contra os “inimigos da moral e dos bons costumes” e, finalmente, exigem um referendo sobre matéria que fez parte da campanha eleitoral e dos conselhos pios aos eleitores para se afastarem de partidos que, na sua pitoresca linguagem, são contra a família.

Os bispos, que impedem a interrupção voluntária do celibato aos padres, em nome de uma decisão que lhes aumenta o poder, estão agora na vanguarda da defesa da família e da reprodução. Por que motivo não referendam, entre os padres, o celibato?

Com que legitimidade exigem a uma beata, amiga do peito e da missa, que decida sobre direitos de quem não vai à missa nem frequenta os sacramentos? Que dêem normas de conduta aos crentes é um direito, que exijam a outros que se rejam pelas normas pias é um acto prepotente e uma manifestação totalitária.

É altura de se dedicarem ao breviário e deixarem os políticos decidir em paz. Não têm, nesse campo, grande autoridade nem bons exemplos. E arriscam-se a perguntas incómodas.