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21 de Março, 2010 Ricardo Alves

As responsabilidades e a fuga

O mito central do cristianismo pode ser lido como uma alegoria sobre a transferência de responsabilidades. Segundo a interpretação mais difundida, Jesus Cristo teria morrido pelos «pecados» da humanidade inteira, «pecados» que não cometera e pelos quais não era responsável. Obviamente, os «pecados» incluem desde comportamentos inócuos e até banalizados na nossa civilização (como relações sexuais consentidas entre adultos), até actos que serão sempre crime em todas as sociedades (como o homicídio). Há duas formas diferentes de encarar o sacrifício crístico: ou se o entende como um heróico exemplo a seguir, e portanto deve-se assumir a responsabilidade pelos próprios actos e até pelos de outrém (e estar disponível para sofrer as consequências), ou pelo contrário transferem-se as responsabilidades para uma entidade transcendente («Cristo morreu por nós, e só a Deus prestamos contas»).

Ratzinger publicou ontem o seu documento sobre os abusos sexuais cometidos por padres irlandeses. A «imprensa amiga» tenta convencer-nos de que «assumiu a responsabilidade». Nada mais falso: Ratzinger nada disse, por exemplo, sobre a carta que ele próprio escreveu em 2001, enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, a exigir o «segredo clerical» para as denúncias de abuso sexual de menores dentro da ICAR. Nessa época, não recomendava a colaboração com tribunais civis. Também não assumiu, que eu saiba, a responsabilidade por um caso em que teve responsabilidade directa: o acolhimento de um padre pedófilo em Munique quando aí era arcebispo. (mais…)

21 de Março, 2010 Carlos Esperança

ICAR desmorona-se

Bento XVI expressa “vergonha” da Igreja e quer que padres irlandeses sejam julgados na justiça.

O Papa Bento XVI expressou ontem “vergonha” e “remorso” pelo “desconcertante problema” do abuso sexual de crianças e jovens vulneráveis por parte de membros da Igreja Católica irlandesa. Mas o “profundo desgosto” do Papa não cala a revolta das vítimas.

Pergunta: A carta do Papa, sobre pedofilia pia, a ler nas missas, torna esta cerimónia exclusiva para maiores de 18 anos?

21 de Março, 2010 Carlos Esperança

A “carta pastoral” de Bento -16 ou “aquele engano de alma ledo e cego…”

Por

E – Pá

A publicitação da “carta pastoral” de Bento 16 dirigida aos católicos irlandeses link, um extenso e repetitivo documento com 14 itens e rematado – em jeito de post-scriptum – com uma “oração especial” dedicada à Igreja irlandesa, decepcionou  as vitimas de abusos sexuais (continuados) por parte de clérigos pertencente a essa mesma Igreja. link

De facto, as vítimas que, no mês passado, dirigiram uma “carta aberta ao papa” link, constatam que questões importantes ficaram sem resposta… como era de esperar.

A saber:
“Esse texto (da carta aberta), além de desculpas, pedia que o Vaticano reconhecesse sua culpa nos casos e que o papa aceitasse a renúncia de vários integrantes do alto clero irlandês, inclusive a do cardeal Brady.”
Por outro lado, consideram que, a “carta pastoral”, para além de ser mais uma oportunidade perdida, é um tipo de resposta do Vaticano totalmente deslocado e inapropriado :
“Uma carta pastoral não é a maneira de dar uma resposta aos relatórios de Ferns, Ryan e Murphy, que tratavam de violações, maus-tratos e abusos sexuais contra crianças cometidos por padres e religiosos neste país e que foram ocultados pelas autoridades da Igreja”, asseverou Andrew Madden, uma das vítimas dos abusos sexuais praticados por clérigos. link

De facto, carta pastoral pastoral de Bento 16 aos irlandeses “ladeou” as questões colocadas pela carta aberta (subscrita por Sean O’Conaill, coordenador da “Voz dos Fiéis”, Irlanda.), fugindo para lateralidades, marginalidades e retóricas canónicas que, ao fim e ao cabo, mostram uma maior preocupação na reconquista da confiança dos fiéis do que a determinação para enfrentar as consequências e a gravidade dos crimes de pedofilia, cometidos no seio das instituições religiosas e educativas, promovendo (ou facilitando) uma rápida e desabrida condenação dos clérigos prevaricadores, bem como, a necessária depuração na alta hierarquia católica irlandesa (…os seus “irmãos bispos”, como se lê na pastoral), indubitavelmente cúmplice e moralmente responsável pelos abusos sexuais em crianças …em múltiplas dioceses gaélicas.

Quando a oração que finaliza a carta pastoral “reza”: ” … possa a Igreja na Irlanda renovar o seu milenário compromisso na formação dos nossos jovens no caminho da verdade, da bondade, da santidade e do serviço generoso à sociedade…” estamos perante um intolerável cinismo, uma enorme desfaçatez e uma atitude deliberadamente enganosa.
Um procedimento típico da I. C. A. R. … envolver os problemas numa cortina de fumo!

20 de Março, 2010 Carlos Esperança

ICAR sob fogo. Papa comprometido

New York Times’

Psiquiatra de padre pedófilo afirma que alertou Igreja sobre trabalho do religioso com crianças.

A arquidiocese alemã dirigida pelo então cardeal Joseph Ratzinger nos anos 1980 ignorou repetidos alertas de um psiquiatra responsável por tratar de um padre acusado de abusar sexualmente de meninos, informa reportagem desta sexta-feira do jornal “New York Times”.

Segundo o doutor Werner Huth, ele avisou a Igreja que o reverendo Peter Hullermann não deveria ser mantido em trabalhos com crianças. Sob autorização do futuro Papa Bento XVI, o padre havia sido transferido para Munique para passar por tratamento psicológico.

– Eu disse ‘pelo amor de Deus, ele precisa desesperadamente ser mantido longe de trabalhos com crianças’ – disse o psiquiatra ao jornal. – Eu fiquei muito triste com toda essa história.

20 de Março, 2010 Carlos Esperança

As aparições de Međugorje- a ICAR cutuca onça com vara curta

fonte: www.wikipedia.org

Por

Rui Cascão

A história de Međugorje é quase exactamente a de Fátima, Lourdes e outros embustes desse calibre. Há umas criancinhas católicas e manipuláveis do mundo rural, há umas oliveiras e uma senhora vestida de branco. Depois os clérigos tentam aproveitar-se da “aparição” para objectivos políticos- em Fátima para dinamitar a 1a República, em Međugorje para lutar politicamente contra o SKJ (Liga dos Comunistas da Jugoslávia) que estava no poder na Jugoslávia. Aliás, a coincidência entre as aparições de Međugorje (em 1981) e a morte do Marechal Tito (em 1980) e o início da desagregação da República Federativa Socialista da Jugoslávia, dificilmente se tratará de mera coincidência.

Međugorje localiza-se na Herzegovina, região de população mista croata (predominantemente católica), bosníaca (predominantemente muçulmana), e sérvia/montenegrina (predominantemente ortodoxa), a 20 km de Mostar. Foi uma das regiões em que a limpeza étnica da guerra civil bósnia foi mais acentuada e mais sangrenta (lembremo-nos da destruição da ponte de Mostar, património da humanidade).

A Bósnia e Herzegovina, apesar da paz que foi alcançada, esta paz ainda está longe de estar consolidada. Se a ICAR avançar com a homologação deste embuste naquela região tão sensível, isso terá um impacte significativo na degradação das relações entre as diversas populações da região. Gostaria de saber se este renovado interesse da ICAR por Međugorje se deve a irresponsabilidade ou se é doloso.

A Bósnia e Herzegovina não precisa deste tipo de iniciativa, nem de turismo religioso. Necessita sim de iniciativas e projectos que criem pontes e laços entre os vários grupos étnico-culturais, que contribuam para a redescoberta pelos bósnios dos aspectos culturais que os unem, em vez de valorizar aqueles que os dividem.

19 de Março, 2010 Carlos Esperança

Bento – 16: pastorais ou empaleanço?…

Por

É – Pá

Hoje, ou amanhã (…os timings do Vaticano são misteriosos), Bento 16 publicitará uma mensagem dirigida aos católicos irlandeses, com a finalidade de reparar danos “irreparáveis” (passe a redundância) causados pela sucessão de vergonhosos e inadmissíveis escândalos de pedofilia que atingem – impiedosamente – a ICAR.

Não conhecemos (ainda) o teor dessa anunciada mensagem.

Todavia, sabemos que a sua premência, logo, a sua oportunidade, terá nascido na sequência de um encontro realizado, em Fevereiro último, entre o papa e os bispos irlandeses.

O confinamento desta mensagem aos fiéis irlandeses é extremamente redutor para a ICAR. A Igreja católica tem pretensões de universalidade e os escândalos de pedofilia, no seu seio, alastram por todo o Mundo como uma monstruosa mancha que, todos os dias, se expande .
O próprio Bento 16 teve consciência desse facto e na última audiência pública realizada no Vaticano, no passado dia 17 de Março, tentou emendar a mão reconhecendo que essa mensagem contemplava “todos os fiéis”.
Seria melhor que essa mensagem tivesse ainda um âmbito mais vasto e tivesse a pretensão de uma divulgação universal. Isto porque a ICAR está atolada em crimes que não atingem selectivamente “fiéis” mas, num consenso global, a Humanidade.

Finalmente, as expectativas de Bento 16, relativamente ao impacto dessa “carta pastoral” – são irrealistas, para não lhe chamar utópicas.
No actual momento que a ICAR atravessa não há documentos que consigam, como deseja o papado, “ajudar no processo de arrependimento, cura e recomeço”
A situação publicamente revelada é muito mais grave. Não se tratam de meras escoriações…
As feridas causadas pelo mar de escândalos de pedofilia no seio da ICAR minam, de modo irreversível, a pretensa autoridade moral do Vaticano. O prognóstico relativamente aos danos causados não pode encaminhar-se para alucinantes expectativas de “miraculosas” curas, como deseja Bento 16. Como o povo diz – santos de casa não fazem milagres…

A evolução natural das feridas abertas no seio da ICAR e a “conta-gotas” reveladas ao Mundo (crente e não-crente), não se compadece com esperanças de hipotéticas “curas” mas, pelo contrário, a gravidade dos danos aponta para um fim cataclísmico. As “feridas” ameaçam gangrenar. Resta-lhe, portanto, em vez de cartas pastorais, proceder a cruentas amputações ou, em alternativa, surgirá a falência sistémica.
A resistência do cardeal irlandês Sean Brady em aceitar a vontade popular no sentido de demitir-se das suas funções, mostra que a hierarquia religiosa, ao mais alto nível, optou por cuidados paliativos.

Será este o conciso âmbito da anunciada carta-pastoral!

19 de Março, 2010 Luís Grave Rodrigues

Assembleia Geral da AAP – Convocatória

Ao abrigo do disposto no artigo 20º do «Regulamento Interno da Associação Ateísta Portuguesa» convoco todos os sócios da Associação Ateísta Portuguesa para uma Assembleia Geral a realizar no próximo dia 27 de Março de 2010, sábado, pelas 14:00 Horas na Rua do Benformoso, nº 50 (Centro Republicano Almirante Reis) em Lisboa, e com a seguinte

ORDEM DE TRABALHOS

1º- Informações.

2º- Aprovação do Relatório e Contas da Direcção da Associação Ateísta Portuguesa» relativo ao biénio de 2008/2010;

3º- Apresentação das listas candidatas aos órgãos sociais da Associação Ateísta Portuguesa para o biénio de 2010/2012 que tenham sido entregues ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral ou enviadas para o endereço de correio electrónico da Associação com a antecedência mínima de 24 horas da data da realização da Assembleia Geral, nos termos do disposto no artigo 22º do «Regulamento Interno da Associação Ateísta Portuguesa».

4º- Eleição dos órgãos sociais da Associação Ateísta Portuguesa, por voto directo, universal e secreto de todos os associados no pleno gozo dos seus direitos sociais, para o biénio de 2010/2012.

5º- Tomada de posse dos membros dos órgãos sociais eleitos;

6º- Aprovação do Orçamento da Direcção da Associação Ateísta Portuguesa para o biénio de 2010/2012;

7º- Plano de Actividades da Associação Ateísta Portuguesa;

8º- Outros assuntos de interesse geral da Associação;

Nota: se à hora da primeira convocatória não estiverem presentes pelo menos metade dos sócios na plenitude dos seus direitos associativos, de acordo com o disposto no n.º 3 do artigo 21º do «Regulamento Interno da Associação Ateísta Portuguesa», a Assembleia Geral da Associação Ateísta Portuguesa reunirá 30 minutos depois, no mesmo local e com a mesma ordem de trabalhos, funcionando com qualquer número de sócios que se encontrar presente.

Lisboa, 26 de Fevereiro de 2010

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral

Luís Grave Rodrigues