Loading
1 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Legionários de Cristo – Protegidos de JP2

O arcebispo da cidade espanhola de Valladolid, Ricardo Blázquez, foi nomeado pelo prelado Velasio De Paolis, delegado Pontifício para os Legionários de Cristo, “visitante apostólico” para investigar o Regnum Christi, movimento desta congregação, informou nesta quinta a “Radio Vaticano”.
(…)

Outra meta é sanear o património económico dos Legionários de Cristo, estimado pela imprensa em torno de US$ 25 biliões.

A congregação foi fundada no México em 1941 e está estabelecida em 18 países, contando com 900 sacerdotes e 3 mil seminaristas. A ordem briga também 70 mil membros do Regnum Christi.

Nota: O Vaticano quer, e vai conseguir, apropriar-se deste imenso património obtido de forma fraudulenta por uma seita fascista que gozou da maior simpatia do Papa.

1 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Deus Criminoso ?

Por

C S F

Andavam Adão e Eva pelo paraíso despreocupados, a gozar à fartazana!

Só sendo muito inteligentes podiam usufruir de tudo o que havia.

Tinham uma senão: ignoravam tudo sobre sexo.

É estranha esta situação porque tinham corpos humanos perfeitos, com os órgãos sexuais e tudo no lugar…

Quando deambulavam pelo paraíso viam os chimpanzés e todos os animais a terem relações sexuais, a acariciarem-se, a terem filhos.

Quando comiam alimentos afrodisíacos não deixariam de sentir alguma coisa…

Ao lavarem-se, ao tocarem-se sentiriam certamente sensações fortes dos órgãos dos sentidos, com interacção nos centros de prazer, mesmo dos órgãos sexuais…

Eu acho que privar temporariamente os primeiros homens do sexo já foi um acto criminoso do deus e, por isso, deveria ser condenado e castigado!

Deus foi verdadeiramente sadomasoquista quando tratou desta maneira aquele casal, na fase mais feliz (?) da sua vida…!

Mas ele fez mais: introduziu deliberadamente o diabo no paraíso e não avisou os seus amigos, Adão e Eva!

Aqui está uma deslealdade incomensurável, outro crime que nunca um ser omnisciente e omnipresente deveria ter coragem para cometer!

Não percebo este acto! Então deus teve tanto trabalho a expulsar os diabos do céu e agora utiliza o seu chefe como agente secreto!?

Ainda por cima ordena-lhe que se transforme numa cobra, um ser que, de certeza, não dá confiança a qualquer homem, mesmo que fale muito bem…

É como se  Churchill convidasse Hitler a assassinar um inglês de quem não gostasse, em plena guerra!

Foi o maior crime do universo!

Um verdadeiro pecado mortal!

Devido a ele ficámos sem direito ao paraíso e cheios de sofrimentos inúteis!

Não se sabe se depois do crime consumado deus agradeceu ao seu maior inimigo, chefe dos diabos, e se este continuou a andar pelo paraíso…

Bastava deus dar uma boa lição de educação sexual a Adão e Eva para termos ficado no paraíso!

Acho que deus deve sofrer o maior castigo possível do universo, castigado de modo a não poder fazer mais mal aos homens e aos outros seres do universo, e os homens, por direito, deveriam regressar imediatamente ao paraíso! É da mais elementar justiça!

É um trabalho para os anjos e para os santos!

Desta maneira ficaríamos livres de deus, do Sócrates, do Passos Coelho, do Paulo Portas e de tantos outros (para mais, todos iriam para o Inferno, mais cedo ou mais tarde, de certeza) e seríamos recompensados de todos os sofrimentos que nos têm infligido.

Mas, como se demonstra, o maior culpado é deus!

Malandro!

Nota: O caso dramático de Adão e Eva prova a urgência da introdução da educação sexual nas escolas!

1 de Outubro, 2010 Carlos Esperança

Nova Iorque, Ground zero e a mesquita

Há situações em que o politicamente correcto cria enormidades.

Construir uma mesquita naquele local é politicamente correcto, mas um erro. Porque não é sensato e transmite uma mensagem que é lida de modo diferente por vários visados. Correcto era ser zona de religião zero, para que a religião não fosse confundida com tolerância ou ausência dela.

Nota: Observação pertinente de uma cidadã.

30 de Setembro, 2010 Carlos Esperança

A pena de morte, a religião e Sakineh

Vítima da barbárie

A pena de morte é uma crueldade vergonhosa para os países que a aplicam e que faria tremer a mão do juiz que a assina se não juntasse à ausência de sentimentos humanos a amnésia perante os erros judiciários amplamente comprovados.

Esta impiedade que vigora em numerosos Estados dos EUA, com particular relevo para o Texas, é uma afronta para o humanismo que presidiu à fundação do grande país, um insulto a quem fugiu das guerras religiosas com que o cristianismo quis impor a vontade divina domiciliada no Vaticano.

Quanto mais arreigadas estão as crenças mais bárbaras se tornam as condenações. Nas teocracias a crueldade só rivaliza com a discricionariedade das acusações e a ausência de meios de defesa. É o caso do Irão onde as tradições persas se perderam no pesadelo de uma teocracia xiita.

Face à pressão internacional, foi suspensa a lapidação de Sakineh Mohamadi Ashtiani, a que estava sentenciada por adultério, para ser condenada à forca, por cumplicidade na morte do marido. Se a pressão se mantiver poderá vir a ser decapitada por urinar virada para Meca, depois de ter sofrido 99 chicotadas por eventualmente ter pedido água a um guarda, em pleno dia, da escuridão da cela, durante o Ramadão.

O caso de Sakineh tornou-se uma bandeira que esconde os crimes impunes dos sistemas totalitários, mas não devemos deixar de usá-la. Sem a denúncia, por Voltaire, da tortura a que foi submetido Jean Calas ou da farsa do caso Dreyfus, por Emile Zola, teria ficado esquecido o martírio do primeiro e jamais teria sido reabilitado o capitão Dreyfus.

Quando à arbitrariedade do poder totalitário se junta a maldição da fé, a crença de que um deus qualquer abomina o adultério, a carne de porco, o trabalho no sétimo dia ou outra tolice, sofrem-se as maiores abjecções protegidas pela vontade divina.

Como escreveu Steven Weinberg, Nobel da Física: «…com ou sem ela [religião] haveria sempre gente boa a fazer o bem e gente má a fazer o mal, mas é precisa a religião para pôr gente boa a fazer o mal». Ou, como dizia Pascal: «Os homens nunca fazem o mal tão completa e alegremente como quando o fazem por convicção religiosa».

29 de Setembro, 2010 Raul Pereira

STTL, Armindo

SIT TIBI TERRA LEVIS, Armindo Lopes Coelho. [1] Hoje, chegou o teu fim. Acabou. Tu garantias que não, no alto das tuas homilias de duas horas, lá no cume de Santa Luzia e dominando a Viana conservadora que, entretanto, se modernizou. Agora que penso nisso, acho que as tuas pregações infindáveis poderão ter sido uma das causas para a formação do meu ateísmo. Eram demasiado penosas de aturar, camufladas por uma erudição estranha e teologias sem sentido às quais, bradando, querias dar poder de verdadeiras. Lembro-me que até as beatas desesperavam, por baixo dos seus lenços pretos e limpando com os punhos os buços suados pelo ardente sol de Agosto.
Mais tarde, pregaste-me uma chapada, no crisma. Soubesses tu que já nessa altura eu era ateu e a terias, provavelmente, aplicado com mais vigor. Subi, obrigado pela família, ao teu cadeirão dourado e barroco, onde pensavas que atemorizavas toda a gente com o teu olhar severo e a tua mitra, parte da personagem que encarnavas. Não a mim. A mim atemorizava-me, sobretudo, que os meus descobrissem que Deus já não fazia parte dos meus raciocínios, que o meu mundo era agora o observável, o científico e o histórico. Por amor aos nossos podemos esconder os maiores segredos, e esse dia, em que tudo seria desvendado, chegaria certamente.
Também creio que eras demasiado inteligente para acreditar em grande parte  do que apregoavas, e que essa inteligência fazias tu transitar para os artifícios linguísticos com que ocultavas alguma da tua descrença. Fazia parte do teu trabalho. Para o que fica de ti e das tuas lembranças, agradecem-te os teus fiéis. Falavam sempre maravilhas da tua serenidade, da tua eloquência, mas todos concordavam que, por isso mesmo, eras um grande maçador.
Hoje, no dia em que tudo para ti se tornou num vazio sem retorno e não um paraíso celeste, também eu te agradeço. Obrigado, Armindo, por teres contribuído, em parte, para o meu ateísmo. Para o que serve, perdoo-te o bofetão.

[1] TSF Morreu D. Armindo Lopes Coelho, antigo bispo do Porto.

[Nota: no que me diz respeito, foi, também, de 27 de Outubro de 1982 até 13 de Julho de 1997, bispo da diocese de Viana do Castelo.]

28 de Setembro, 2010 João Vasco Gama

Paul Dirac e a religião

Não subscrevo inteiramente, mas é interessante conhecer a opinião de Paul Dirac sobre a religião:

«Eu não consigo entender porque perdemos tempo a discutir religião. Se formos honestos – e os cientistas têm de o ser – temos de admitir que a religião é uma confusão de falsas asserções, sem qualquer base na realidade. A própria ideia de Deus é um produto da imaginação humana. É bastante compreensível o porquê das pessoas primitivas, que estavam muito mais expostas às forças dominantes da natureza do que nós, terem resolvido personificar estas forças por medo e tremor. Mas hoje em dia, quando entendemos tantos processos naturais, não temos qualquer necessidade desse tipo de soluções. Eu não consigo entender como postular um Deus Todo-o-Poderoso nos pode de alguma forma ajudar. O que consigo ver é que esta suposição leva a questões improdutivas tais como o porquê de Deus permitir tanta miséria e injustiça, a exploração dos pobres pelos ricos e todos os outros horrores que Ele podia prevenir.

Se a religião continua a ser ensinada, não é pelas suas ideias ainda nos convencerem, é porque alguns de nós desejam manter as classes inferiores silenciadas. Pessoas caladas são muito mais fáceis de governar do que as clamorosas e descontentes. São também muito mais fáceis de explorar. A religião é uma espécie de ópio que permite a uma nação tranquilizar-se com sonhos cobiçados e esquecer-se das injustiças que são perpetuadas contra as pessoas. Daí a aliança próxima entre essas duas grandes forças políticas, o Estado e a Igreja. Ambas necessitam da ilusão de que um Deus benevolente recompensa – no Céu se não na Terra – todos aqueles que não se elevaram contra a injustiça, que cumpriram com o seu dever sossegadamente e sem reclamar. É precisamente por isso que a asserção honesta de que Deus é um mero produto da imaginação humana é condenada como o pior de todos os pecados mortais.»