Diocese de Leiria recolhe assinaturas em defesa da vida
Diocese anunciou a sua adesão à campanha europeia em defesa da vida, cuja campanha de recolha de assinaturas decorre dia 6 de Outubro
A Diocese de Leiria-Fátima aderiu à campanha europeia em defesa da vida e prepara-se para dedicar o dia 6 de Outubro à recolha de assinaturas para a petição ‘Um de nós’.
O diálogo sobre o fundamento das religiões não sai da cepa torta pela confusão sistemática, e muitas vezes propositada, entre crença e conhecimento. Acreditar é uma atitude pessoal que nada implica para terceiros. Se eu disser que acredito que Deus não existe isto, por si só, não diz nada acerca das crenças dos outros. Apenas falo de mim. Mas se eu afirmar que sei que Deus não existe estou a fazer uma afirmação acerca da verdade desta proposição e, implicitamente, afirmo serem objectivamente falsas todas as crenças contrárias. Saber não é apenas aceitar uma proposição, como acreditar. Pressupõe a verdade da proposição, a falsidade do seu contrário, uma justificação independente de meras opões pessoais e a capacidade para apresentar essa justificação. E como afirmar que se sabe algo é afirmar que quem discorda está enganado, quem afirma saber incorre numa obrigação, ainda que leve, de explicar como sabe. Quem simplesmente acredita não deve explicações a ninguém.
Assim, porque em vez de simplesmente dizer que acredito que Deus não existe eu afirmo saber que Deus não existe, tenho o dever de explicar como concluí isto. Não ponho de parte a possibilidade de erro. É sempre possível julgarmos que sabemos uma coisa e, afinal, estarmos enganados. Mas quando uma hipótese tem muito mais fundamento do que as alternativas justifica-se arriscar dizer que sabemos. Senão nem saberemos se a Terra é redonda. No caso do Deus judeu e suas variantes, há dois conjuntos de factores que justificam esta conclusão. Primeiro, as evidências apresentadas para a existência desse deus não dão qualquer fundamento à conclusão dos crentes. A tradição, os livros sagrados e a fé de milhões não justificam concluir que Allah mandou um anjo falar com Maomé, que Jahve criou o universo em sete dias ou que Deus é três pessoas numa só substância. As alegadas evidências para estes deuses são tão irrelevantes como as que se possa apontar para a ascendência divina do imperador do Japão ou o papel dos Faraós no amanhecer.
Mas isto é apenas falta de evidências para a existência de deuses. Por si só, não é evidência de que não existam deuses, como muitas vezes os crentes apontam. De facto, se eu olhar em volta numa cidade e não vir pombos, será precipitado concluir que não há pombos nessa cidade. Podem estar noutro lado. No entanto, se eu olhar em volta e não vir elefantes a voar é seguro concluir que não há elefantes voadores nessa cidade. A grande diferença é que eu sei que a existência de pombos é plausível por evidências positivas noutras cidades. A existência de elefantes voadores, pelo contrário, não só carece de exemplos positivos como exigiria excepções a generalizações bem fundamentadas, como a de não ser possível um mamífero com aquela estrutura voar. A existência de qualquer uma das versões de Deus sofre deste problema, agravado infinitamente pelos atributos que lhes associam.
É comum que os crentes tentem responder a objecções destas também de forma objectiva. Por exemplo, tentando focar as alegações mais plausíveis da sua crença religiosa ou tentando encontrar diferenças objectivas entre os fundamentos da sua religião e os fundamentos das restantes. Mas, inevitavelmente, chega-se a pontos como a mãe ser virgem, o filho ser deus e o deus ser três onde se torna inescapável o recurso à fé como fundamento último de qualquer dogma. É aqui que o diálogo encrava. Se estivéssemos a falar de crença, de opções de vida, da esperança e desejos de cada um, então a fé seria um fundamento tão legítimo como qualquer outro. Mas isso não tem nada que ver com o conhecimento dos factos e, se estamos a falar de factos e de conhecimento, a fé é irrelevante.
Devia ser óbvio que não se justifica afirmar que algo é só porque alguém gostaria que fosse. Devia ser óbvio que a fé em deuses é uma preferência e não uma forma de sabedoria. Devia ser óbvio que, por muito que muitos creiam, os auto-proclamados peritos em divinologias não sabem o que alegam saber acerca dos seus deuses. Ninguém pode saber essas coisas porque não há evidências que conduzam a tal conhecimento. O que sabemos é que nada indica que existam deuses e que, se existissem, seriam excepções de muitas regras que parecem não as ter. Um deus omnipotente é infinitamente menos plausível do que um elefante voador e não há fé que mude isso. Devia ser óbvio mas, se o admitissem, deixava de fazer sentido haver sacerdotes, bispos, rabinos, teólogos e restantes profissionais da religião. Por isso, fazem tudo para que não seja.
Este parece-me ser o papel do ateísmo. Não é eliminar a crença nem convencer os crentes a deixarem de o ser. Se alguém acha que vive melhor acreditando neste deus ou naquele, ou em todos, pois que o faça. A vida é sua e, acerca disso, não deve explicações. O papel destas expressões de ateísmo é confrontar quem afirma que a sua fé é conhecimento, que é perito no inefável, que é doutor do misterioso e que sabe quantos deuses há, como são e o que querem de nós. A fé não justifica tais alegações e é importante apontar que são tretas. Não para as demolir de uma vez por todas nem para acabar em definitivo com a religião, porque a profissão de representante dos deuses é demasiado atraente para que desistam dela. Mas, como raspar os calos, é preciso ir impedindo que cresça demais e se torne incapacitante.
Este post é dedicado ao Alfredo Dinis, um opositor estimado a quem devo muitos textos e alguns momentos agradáveis de convívio em pessoa. Infelizmente, o Alfredo faleceu no passado fim de semana, vítima de leucemia. O que sei da fragilidade humana não me permite a esperança de que o Alfredo ainda persista numa forma capaz de ler o que eu escrevo. No entanto, a minha memória das objecções, contra argumentos e raciocínio do Alfredo continuará a inspirar-me e informar-me nestes assuntos. É isso a alma. O que sobra quando o nosso corpo morre não é uma substância mística ou uma consciência incorpórea. É o conjunto de pensamentos que passámos a outros que, depois, continuam a pensá-los sem nós. Nesse sentido, o Alfredo continua vivo em muita gente. Obrigado, Alfredo.
Em simultâneo no Que Treta!
Por
Teresa Amorim
Em França, as pessoas começam a receber formação sobre República, laicidade, Direitos do Homem, da Mulher e da Criança desde a mais tenra idade. Existe um programa de ensino muito bem estruturado e adequado a cada ciclo de estudos. Em Portugal não temos nada disto…
Em França, as pessoas estão preparadas para compreender o conteúdo da carta, em Portugal, infelizmente, não. A carta até pode vir a ser afixada, mas os visados não estão preparados para assimilar o seu conteúdo e tudo o que vamos conseguir é armar barafunda, mais uma vez, com os acólitos da Igreja.
Na minha opinião, o que devemos fazer, é começar a actuar discretamente para pôr a funcionar um programa nas escolas Portuguesas à semelhança do que é feito em França. Proponho mesmo a criação de um grupo de trabalho para pôr em marcha a elaboração de conteúdos e estudo de implementação. Estou disposta a iniciá-lo já e, como tal, gostaria de saber com quem posso contar.
Tenho em minha posse os conteúdos que são fornecidos em França e conheço o método com que são aplicados. (…)
Parece-me mais importante Trabalhar para implementar com solidez Pérolas do que andar a ‘Deitar Pérolas a Porcos’. Afixar essa carta, assim sem mais nada, em Portugal, é deitar pérolas a porcos…
(…)
a) Teresa Amorim.
Tribunal egípcio ilegaliza Irmandade Muçulmana
Partido islamita que apoia o Presidente egípcio deposto Mohamed Mursi acaba de ser banido por decisão judicial.
Todas as atividades do partido islamita Irmandade Muçulmana foram ilegalizadas no Egito
As atividades da Irmandade Muçulmana foram hoje totalmente banidas no país por um tribunal egípcio, que assim intensifica a campanha para debilitar o partido islamita que apoia o Presidente Mohamed Morsi.
O ataque ao shopping Westgate, em Nairóbi, é a ação mais ousada e visível do grupo somali Al Shabab (“A Juventude”), afiliado à Al Qaeda. Até agora, estão confirmados 59 mortos e 175 feridos, e o grupo ainda mantém um número incerto de reféns sob seu poder.
Logo após o ataque em Nairóbi, eles publicaram mensagens no Twitter como “o que os quenianos estão testemunhando é justiça por crimes cometidos pelo Exército”. Tropas do Quênia estão no sul da Somália desde 2011, dando apoio aos principais opositores da Al Shabab na região.
O papa Francisco destituiu neste sábado um bispo peruano acusado de abusar sexualmente de crianças. Segundo o prelado aposentado Luis Bambarén, o bispo Gabino Miranda, de 53 anos, foi destituído como parte da nova política de “tolerância zero” do papa.
Miranda liderou a comissão de juventude da Igreja Católico no Peru e era um aliado próximo do atual prelado do país, o arcebispo Juan Cipriani. Ambos são membros da organização conservadora Opus Dei.
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A Opus Dei emitiu um comunicado afirmando que Miranda “nega qualquer crime relacionado com menores”, mas diz que tem muito pouca informação sobre o assunto. O paradeiro de Miranda é desconhecido. Fonte: Associated Press.
Sob o título, «Numa semana papa provoca igreja católica», o jornalista Helder Robalo, publica hoje, dia 22, no DN, um trabalho que preenche a página 24, com 3 perguntas a cada um dos entrevistados:
– Carlos Esperança, em nome da AAP;
– Francisco Ferreira, ambientalista da Quercus;
– Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias;
– Maria João Sande Lemos, Movimento Nós Somos Igreja;
– João Teixeira Lopes, sociólogo.
As respostas, a seguir à identificação, com fotos, referiam-se às seguintes perguntas:
1 – Sabe o dia do seu batismo?
2 – Faz sentido celebrar o dia do seu batizado?
3 – O batismo ainda é uma questão de fé religiosa ou um ato mais social?
Curiosamente o que menos sabe de religião católica, a avaliar pela resposta que vou referir, é o presidente da União das Misericórdias, um organismo da ICAR.
À 3.ª pergunta respondeu: «É preciso ter em conta que há 50 anos, por exemplo, a mortalidade infantil era muito elevada. E as pessoas eram pressionadas socialmente para que, se lhes acontecesse alguma coisa, poderem ao menos aceder ao limbo».
O pio presidente da União das Misericórdias desconhece que, segundo a fantasia da sua Igreja, o batismo é um passaporte para o Paraíso (desde que, como é o caso das crianças de tenra idade, não cometessem «pecados mortais».
Já nem os católicos sabem o que a sua Igreja quer.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.