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26 de Janeiro, 2004 Mariana de Oliveira

Descobertos

A nossa operação foi descoberta pela Voz do Deserto, blog cristão de poucas linhas mantido por um amante de Kurma de Borrego e leitor das orações de teor universalista da irmã L.

25 de Janeiro, 2004 Mariana de Oliveira

Ser usado

Fiz hoje a minha primeira incursão no blog religioso Palavras que voam … e deparei-me com um post intitulado Ser usado por Deus…, que fazia a apologia deste uso só que, para isso, teríamos de estar na sua (de Deus, acho) dependência.

Lembrei-me de várias coisas. Uma que me fazia lembrar de rapazinhos ajoelhados em escuras e húmidas sacristias a aprenderem o significado da citação “vinde a mim as criancinhas”.

Outra, mais profunda, sobre o livre-arbítrio. Se se é usado por alguém (ou deus) esta característca essencial ao Homem esfuma-se, ser instrumento de qualquer vontade, divina ou não, tira a dignidade a qualquer pessoa. Marionetas, se Deus existisse, seríamos marionetas nas mãos de um velhote aborrecido com tendências masoquistas.

Enquanto ateia, a minha autonomia é tudo. Não ser usada por ninguém, a não ser pelos meus ideais, pela minha vontade, é o que me individualiza. Claro que isto acarreta a auto-responsabilidade pelos nossos actos. Quando acreditamos em algo superior, podemos sempre descartar essa responsabilidade para alguém.

25 de Janeiro, 2004 Mariana de Oliveira

Triangularmente divino

Lembrei-me de uma frase muito gira de Montesquieu:

“Se os triângulos fizessem Deus, faziam-no com três lados.”

25 de Janeiro, 2004 Carlos Esperança

Em Coimbra há mais respeito pela Ir. Lúcia do que pela ortografia

Em Coimbra toda a gente sabe onde está reclusa a Ir. Maria Lúcia de Jesus do Sagrado Coração, aquela a quem a Senhora de Fátima ensinou o truque para combater o comunismo – rezar o terço – mas poucos sabem que há uma sapataria que faz concertos.

Por isso divulgo esta fotografia, tirada na Praça Machado de Assis, do prédio de gaveto das Ruas Machado de Castro e Virgílio Correia e convido os leitores a entrarem no ambiente calmo da Sapataria Norbal, disponível às horas de expediente, sem grandes aglomerados, numa zona central e aprazível. Uma pérola em dó sustenido, metáfora da cidade dos doutores.

Numa localidade de província as sapatarias dedicam-se apenas a fazer consertos, isto é, a deitar meias solas, engraxar, pregar um salto, vender um par de palmilhas, entregar uns atacadores, coser uma fivela e o mais que é mister.

Em Coimbra – cidade da Ir. Lúcia e com uma estátua de JP2 – tudo é diferente. Mas o melhor é entrarem por alguns instantes na sapataria e, enquanto esperam que a cola reponha o salto do sapato, que não resistiu aos buracos do largo em frente ou à pastilha elástica que o prendeu ao passeio, sempre se deliciam com “concertos rápidos” que não deixarão de aliviar a alma.

24 de Janeiro, 2004 Mariana de Oliveira

Faça agora o teste!

Siga o link e descubra a que tipo de inimigo da fé pertence.

Eu sou uma filósofa/cientista (bela combinação!) e, numa palavra, sou uma ameaça para o cristianismo! MWAHAHAHAHAHAHAHA!!!! :o)

I’m a Philosopher/Scientist!

Que tipo de inimigo da fé é você?

24 de Janeiro, 2004 Mariana de Oliveira

A página pessoal de Jesus

Jesus, conhecido funcionário de uma empresa religiosa, já tem uma página na internet. Infelizmente, por falta de tempo quiçá, ainda não teve tempo de fazer uma versão multi-lingue portanto, teremos de recorrer aos nossos conhecimentos de estrangeiro para compreender todo o conteúdo.

Na The Jesus Homepage podemos encontrar album de fotografias com imagens da concepção, da infância e até da cruxificação, links malucos para as páginas preferidas do messias e informações pessoais.

Com um simples clique, pode aceitar Jesus como seu salvador cibernáutico, podendo mesmo imprimir um certificado de salvação.

24 de Janeiro, 2004 Carlos Esperança

Paulo Portas – beato e reaccionário

Ciclicamente a descolonização regressa à actualidade. Reaparece a cumprir a função de dividir os portugueses, quando parece esquecida, pela mão dos que deviam calar-se. Recordam-na os que nunca aceitariam qualquer outra como boa e o problema reside mais na sua própria derrota perante a história.

Paulo Portas (PP) tem uma grave dificuldade. Ou diz o que pensa e cria problemas ao governo ou diz o que deve e cria perplexidade no partido.

Sendo estreita a margem em que pode mover-se aconselharia a prudência o silêncio, mas impõe-lhe o feitio o ruído.

Acossado por Mário Soares que gosta de apontar os desmandos reaccionários ao antigo aluno dos jesuítas, atira-se contra a descolonização e, em vez de ferir o Dr. Soares, que tem a pele dura, ofende centenas de milhar de portugueses. Aos retornados acorda-lhes o ressentimento de quem perdeu haveres e alterou o rumo das suas vidas, aos ex-militares impede-os de fazerem a catarse dos anos, longos e dolorosos, da guerra colonial.

Assim, PP, para manter a fé dos que o elegeram, vai sistematicamente à procura de um passado que nada tem de glorioso e, muito menos, de recomendável.

Persiste em Portugal uma direita que, se pudesse arrancar Abril do calendário e suprimir o dia 25 aos meses, continuaria fora da Europa, orgulhosamente só, aliviada de carregar a vergonha do passado, feliz por poder reeditá-lo. É essa direita cuja liderança PP disputa com Manuel Monteiro, direita que nunca ficará satisfeita, que cria instabilidade no aparelho de Estado e no país.

No intervalo de muitas missas e outras tantas hóstias o pensamento desta gente é sempre execrável – na descolonização, no aborto, na imigração. Durante a liturgia ainda há-de ser pior.

24 de Janeiro, 2004 Mariana de Oliveira

Bob, Deus e o Diabo.

Estreou, inserida na nova grelha de programação da Sic Radical, uma nova série de desenhos animados que se debruça sobre os problemas do mundo actual.

A história é esta: Deus está desiludido com a vida na Terra. As pessoas não praticam o bem e não recorrem ao bom senso portanto, o senhor dos senhores está farto e pensa em acabar com tudo. O Diabo não pode em si de contente com tal decisão e fazem uma aposta: se Deus conseguir encontar uma pessoa que prove que o mundo ainda tem salvação, não há inundações e pestes à escala global, caso contrário… o mundo desaparece envolto numa grande bola de fogo de proporções bíblicas. A selecção do indivíduo recai sobre o Diabo que escolhe Bob Alman, mecânico de automóveis que tem uma certa atitude envolta numa apetência especial para a preguiça. Coagido pelo medo, Bob aceita a tarefa hercúlea de tornar a Terra num sítio mais agradável… E tem de o fazer sem quaisquer dicas.

Ainda só vi o primeiro episódio da série e, confesso, tem piada. Bob é o típico cromo que gosta de ir para o bar beber uns copos com os amigos, fazer o download de pornada, ver a bola e coçar a micose. Tem uma mulher e uma filha no início da adolescência e não tem grande esperança na sociedade.

Deus, e é isto que me chateia, é um velhote porreiro, manda umas piadas, bebe cerveja sem alcóol (claro!) e espera que façam o trabalho dele.

Por sua vez, o Diabo, que esperava que fosse uma personagem com estilo, distinção, humor refinado, bem parecido, enfim, um poço de pecado, não o é. É um tipo frustrado que tem por um ajudante um bicho estúpido e idiota que manda piadas foleiras. Para além disso, os seus planos para destruir os heroísmos de Bob saem sempre frustrados porque no fundo, aquele cidadão médio americano, é boa pessoa e ensina-nos uma bela lição da vida… *blergh*

Podem encontrar mais informações, nomeadamente acerca do elenco e sinopses dos episódios, aqui.

23 de Janeiro, 2004 Carlos Esperança

Belo poema de um ateu

A (DES)VELADA (poema)

Ai, quem me dera fornicar com uma muçulmana velada…

em trâmite para desvelada…

em trânsito de que promana…

para a ideia ateia…

Persuadi-la… primeiro… da inânia do islâmico vespeiro…

Convencê-la… segundo… da inópia das religiões do mundo…

E vê-la… e vê-la… terceiro… saindo da ominosa ameia…

fruindo o luminoso carreiro…

da ideia ateia…

Ah, quem me dera postarmo-nos nus… nós… nos nossos amplexos

íntimos… sentir-te!

Entregarmo-nos à languidez meiga dos corpos… envolver-te!

Prazer-me com o fulgor amável da tua boca…

o titilar suave da tua língua… beijar-te!

Sentir a placidez da tua mão…

da tua mão morna e boa…

da tua mão-descobridora…

da tua mão-carícia…

da tua mão-propagadora…

da tua mão-blandícia…

senti-la!

Afagar o teu peito com perfeito jeito de preito… senti-lo!

Percorrer a tua cálida e lábil vulva… senti-la!

Sentir-te…sentir-te… minha querida muçulmana, em vias de o deixares

de ser…

Vasculhar-te… acariciar-te… abraçar-te… beijar–te…

entrelaçarmo-nos!

Sentir o teu corpo dulciolente… a tua mão dulcífera… afagando-me

dulcifluamente… em ambiente dulcilucente!…

Afeiçoarmo-nos numa duidade apaixonante…

apreendermo-nos na pulsão do imo… testa a testa… cara a cara… boca a

boca… corpo a corpo… sentir-te, minha querida desvelada… sentirmo-nos!

Custóias, 25 de Dezembro de 2003

João Pedro Moura

23 de Janeiro, 2004 Carlos Esperança

Missa da Abertura do Ano Judicial

A MISSA de abertura do ano judicial em 20 do corrente mês (ver Público) é uma notícia que faz de Portugal um país exótico, a grande distância dos países atrasados.

Com efeito, as demoras dos processos, as dificuldades de investigação e as arreliadoras prescrições justificavam medidas vigorosas. A ministra Celeste Cardona, amiga do peito e da missa de Paulo Portas, não poupa nos investimentos.

Num país obsoleto certamente tentaria um feitiço, aqui opta por uma missa. Nas tribos ancestrais o feiticeiro é recebido com pompa e circunstância, Portugal reserva essa atitude para o cardeal patriarca que, em vez de fumo recorre ao incenso, em vez do fogo atira-se à homilia.

Claro que é uma vergonha para um país oficialmente laico, onde nem todos os governantes sabem que é e alguns se esforçam para que deixe de sê-lo; claro que não está provada a eficácia da missa no bom andamento da justiça nem a bondade da homilia no discernimento dos agentes judiciários; claro que a água benta não se distingue da outra.

Mas perante o despautério pode estar em curso uma tentativa para introduzir como medida de coacção a apresentação semanal à missa e, em casos mais gravosos, a presença diária no terço.

Como crimes sujeitos a prisão maior podem introduzir-se o divórcio, o adultério, a apostasia, a blasfémia e outros. O terço e o mês de Maria podem vir a fazer parte das medidas punitivas.

Já estamos a ver um advogado a pedir redução de pena para um estuprador em duas novenas e vinte ave-marias.

À ministra Cardona não devem faltar devotos nem poetas a querer dedicar-lhe uma elegia. Há-de demovê-los o receio de encontrar uma rima adequada. Mas os cidadãos gostariam de vê-la excomungada no Governo.