Era como se Angola, Moçambique e Guiné mandassem os seus presidentes a exaltar os soldados portugueses mortos na guerra colonial e a condecorar os órfãos e as viúvas dos militares que os combateram, num qualquer dia 10 de Junho de triste memória.
Por mais humor negro que alguém tenha não pensa que os japoneses prepararem as comemorações do ataque à base de Pearl Harbor ou os alemães comemorem a invasão da Polónia. Como jamais os americanos se atreverão, no futuro, a comemorar a decisão que Bush tomou de invadir o Iraque.
Mas o impensável acontece. Os bispos portugueses querem estar presentes na celebração do centenário da implantação da República, eventualmente com uma missa de Acção de Graças.
Ninguém acredita, conhecida a união de facto entre o trono e o altar, que os bispos vão celebrar as leis do divórcio, da separação da Igreja e do Estado e a do registo civil obrigatório. Nem sequer para manifestarem arrependimento do ódio e do ressentimento que manifestaram à República e do apoio que deram ao seu derrube no 28 de Maio e à cumplicidade com a ditadura salazarista.
Para meditação dos leitores ficam aqui as Palavras do Presidente da CEP na abertura da Assembleia Plenária, em Roma: [Com o aproximar da celebração do centenário da implantação da República, D. Jorge Ortiga, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), disse que «devemos estar presentes para que a interpretação dos acontecimentos seja exacta»].
Ora o 5 de Outubro também foi feito contra o poder das sotainas.
Foi convidado para a excursão da Universidade Sénior Albicastrense, apesar de só a mulher a frequentar. Henrique Alves, de 70 anos, acabou por não aceitar o convite porque diz ser “ateu”. “Se fosse a outro local eu tinha ido, agora a Fátima não vou”, revela o reformado. (JN)
Na Theosfera do padre João António pode-se ler o seguinte texto:
QUEM É MAIS ATEU?
A superfície dá um tipo de resposta. A profundidade oferece outro.
Quem é mais ateu? O descrente que se assume? Ou o crente que se presume?
Não será que o ateísmo dos ateus, no fundo, é mais uma denúncia de muitos crentes em Deus do que uma negação do Deus dos crentes?
A leitura dos livros de Richard Dawkins e Michel Onfray tem-me feito pensar deveras e interrogar bastante.
Quando se contesta a presença pública da fé será que há um incómodo perante Deus ou um desencanto diante do contra-testemunho dos crentes?
E, desse modo, não poderá ser o ateísmo uma busca de autenticidade? Não poderão estar, portanto, muitos ateus mais próximos de Deus?
Não serão as suas perguntas mais consistentes que as nossas respostas?
Acho todo o texto muito interessante, embora a ideia de poder estar mais próximo de deus me deixe um bocado perplexo! Em relação à última questão, acho-a fenomenal; sempre achei que a resposta é um claro “Sim”.
(Publicação simultânea: Diário Ateísta / Penso, logo, sou ateu)
Por favor, vejam este link
Eu não consigo colocar o vídeo como é de costume vermos por aqui, mas façam o esforço.
Este clip aplica-se aos últimos artigos sobre acidentes e «milagres»
Hilariante e muito acertado
Perante a demência do Islão, face aos banhos de sangue perpetrados pelos trogloditas de Maomé, cheguei a pensar que o catolicismo se tivesse convertido numa seita tolerante, democrática e plural, uma espécie de religião verde, amiga do ambiente.
Julguei que Meca estivesse para o Vaticano como o tráfico internacional da droga para a contrafacção de roupa na Feira do Relógio. Puro equívoco. Uns e outros não renunciam a converter o mundo às mentiras da sua fé e submeter os povos ao pavor do seu Deus.
Que um desgraçado a quem falte a vista, o olfacto, o paladar e o tacto, confunda uma alheira de Mirandela com a feijoada à brasileira, não é de admirar, mas que uma pessoa normal, graças à cegueira da fé, veja numa rodela de pão ázimo o corpo e o sangue de JC já é preciso superstição e teimosia. Começam por distinguir a água benta da outra e acabam por não saber diferenciar as proteínas dos hidratos de carbono.
São esses aprendizes de Torquemada que viajam pelo Diário Ateísta à espera de achar o Camiño ou a edição portuguesa de «L’Osservatore Romano». Herdeiros dos falsários da «Doação de Constantino» e do «Sudário», adoradores de relíquias e outros lixos pios, crédulos em milagres, não toleram que haja quem despreze Deus, anjos, santos, Virgens e restante fauna etérea com que se enganam e pretendem ludibriar os outros.
Temo que os ares do Diário Ateísta lhes façam mal à saúde. Quem tem dois mil anos de intolerância e proselitismo dá-se mal com a liberdade e o pluralismo. Para recuperarem, nada melhor do que a sacristia, procissões, muitas missas, algumas novenas, a eucaristia semanal e peregrinações aos lugares santos. Pouco adianta à alma, mas alivia o ódio pio que aqui vêm bolçar num local desinfectado de superstições e dogmas.
O Papa Bento XVI manifestou hoje, na habitual audiência geral das quartas-feiras, no Vaticano, a sua «tristeza» face ao acidente ocorrido na A-23, na noite de segunda-feira, que provocou 15 mortos.
Os católicos acreditam na superioridade moral da sua fé tal como acreditam na bondade do seu Deus. Julgam que a solidariedade, a compaixão e a generosidade variam na razão directa das hóstias que papam, dos terços que rezam e das indulgências que solicitam.
A ausência de espírito crítico leva-os a pensar que a manipulação política de Fátima contra a República, primeiro, e o comunismo, depois, foram desígnios divinos com cambalhotas do Sol e suaves aterragens de um anjo, para convencerem gente rural da existência de um Deus com que o catecismo terrorista da época tinha fanatizado três crianças.
Não se interrogam os propagandistas da fé, panegiristas do Papa e mensageiros da pantomina sobre os crimes da sua Igreja e o atávico tropismo para a defesa das piores tradições e a cumplicidade com regimes totalitários.
A ICAR esteve com o esclavagismo, com as monarquias absolutas, com a tortura e com a pena de morte. Nunca se colocou ao lado do liberalismo contra o absolutismo, da modernidade contra o feudalismo, da república contra a monarquia, da democracia contra a ditadura.
A repressão e a violência fazem parte do código genético herdado de Constantino. Não se pode esperar a libertação de quem leva dois milénios a falsificar textos e a impedir que o mundo avance. Na torpe violência que a corrói a mulher foi sempre a vítima predilecta. O clero e a nobreza viveram sempre na harmonia dos carrascos unidos contra a libertação dos povos.
Sem a Revolução Francesa ainda hoje teríamos o beija-mão e a submissão dos príncipes ao Papa mas, felizmente, a evolução vai atirando para o caixote do lixo da História a superstição e o medo com que o clero oprime os simples.
A globalização é um dado adquirido cujas tendências se alastram rapidamente, tal se desenvolvem as tecnologias e a ciência, os meios de comunicação permitem transmissões quase instantâneas de um lado do globo até ao outro, em poucas horas se muda de continente, os mercados económicos extravasam todas as fronteiras dos Estados e homogeneízam as culturas, dentro de todo estes processos conclui-se que a aldeia global é cada vez mais “pequena”, estamos todos mais perto uns dos outros, quer se disso se observem contextos positivos ou negativos. Se economicamente os interesses ultrapassam todos os interesses humanitários e políticos, relações entre os gigantes informáticos americanos e o governo chinês entendem-se às mil maravilhas, interesses comuns passam por cima das mais afincadas quezilas políticas, o mesmo não se pode dizer da fé.
As cortinas de ferro feitas de crentes moderados que aos poucos conseguiram definir mentiras como a privacidade da fé e dos propagadores de teologia que debitam mentira e ódio impunemente, criaram as desconexões totais com o mundo real e tornaram a globalização num perigo de proporções hediondas. A proximidade entre culturas com tais cortinas a impedirem constantemente a revolução de ideias e o diálogo racional sobre as mais puras irracionalidades tornou os conflitos sociais em banhos de sangue consecutivos quando as irrealidades de uns chocam completamente com as irrealidades dos outros.
O mundo islâmico parecia muito longe das vivências dos povos “civilizados”, como que num mundo longínquo onde não existiam grandes preocupações. As distâncias e as dificuldades de comunicação deixaram esquecer que o irracionalismo da fé pode trazer perigos para aqueles que muito confortavelmente se sentem protegidos das crenças diferentes das suas. Pois o tempo de lutar contra a irracionalidade aperta, os resultados pioram de dia para dia, onde a tecnologia e a ciência são desvirtuados pelas mais dementes consciências teocratas. Se as cortinas de ferro que envolvem os diálogos e racionalismos para com as irracionalidades da fé subsistem, a proximidade cada vez maior e o poderio tecnológico bélico cada vez mais horripilante entram em choque contra a própria existência Humana.
Mentes alucinadas com as virgens no Paraíso não possuem problemas em matar quantas pessoas conseguirem com os seus suicídios, a vida que possuem na Terra é apenas provisória, uma forma de fornecerem aos deuses as atrocidades e o sangue que lhes é incutido pelas teologias, pela África Subsariana milhares morrem por dia quando o centro de terrorismo católico, o Vaticano, sentencia o preservativo como criminoso e debita as mentiras possíveis para que os seus irracionalismos se perpetuem, alegando que o vírus atravessa os poros do preservativo e demências idênticas. Arredados das concretudes das coisas sentenciam à morte centenas de pessoas por dia, onde o único crime delas foi terem nascido no sítio errado perante irracionalidades demenciais perante as quais ninguém as conseguiu proteger.
Se a Igreja Católica e a Espanha conseguiram chacinar milhões de Aztecas há 500 anos atrás apenas com armas medievais, muita fé e vontade de exercer crimes contra a Humanidade, não contando com outros massacres, neste momento existe tecnologia para destruir a Terra várias vezes, e muito dos armamentos estão na posse de teocracias. A fé cada vez mais envenena o Mundo, repele os Direitos Humanos e atenta contra a sobrevivência Humana.
Também publicado em LiVerdades
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.