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Mês: Maio 2007

12 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Fátima – Supermercado da fé

A feira anual da fé tem este ano o atractivo suplementar dos números redondos. Faz 90 anos que a burla levantou voo depois de aterrar a Virgem numa azinheira, um anjo nas pastagens e o catecismo terrorista na cabeça de três crianças.

A luta contra a República e o ódio à separação da Igreja e do Estado e à instituição do divórcio, levaram a padralhada ao desvario e os rurais embrutecidos nas paróquias ao desespero pio.

Valeu-lhes a Virgem e o Anjo, caídos do Céu, que andavam a passear na Cova da Iria e encontraram três inocentes criancinhas. Até o Sol ajudou, com as cambalhotas, o circo místico ali montado.

A Lúcia, a mais mitómana, via e ouvia aquela que disse «Eu sou a Nossa Senhora». A Jacinta só ouvia e o Francisco não viu nem ouviu mas todos sabiam que, para reparar o humor divino, o terço era a arma terapêutica, o amuleto de eleição, o argumento para que Deus tramasse os portugueses dando longa vida ao seu enviado – Salazar.

Amanhã, dia 13, Fátima será o enorme cinzeiro da fé, um recipiente cheio de beatas, com cheiro a incenso e a estearina, com uma multidão de parasitas da fé a borrifar peregrinos com hissopes de prata e a fazerem cruzes no ar com anelões de ametista.

Em Fátima viajam báculos, esvoaçam mitras e, dentro de vestidinhos de púrpura, alguns cardeais abanam custódias, distribuem hóstias, debitam orações e alinham a coreografia que estimula os crentes a deixarem os ouros e os euros numa ansiedade mórbida de se inscreverem no Paraíso.

Os padres dirigem o espectáculo com o profissionalismo de grandes ilusionistas e com a certeza de que as autoridades não interferem no negócio.

Se fossem ciganos a vender roupa contrafeita na Feira do Relógio apareciam polícias a apreender a mercadoria e a multar os comerciantes, mas aos padres ninguém controla a qualidade das hóstias, a higiene do fabrico e a validade da consagração.

Um cardeal não é um cigano que precisa de sustentar a família, é um agiota que alicia os supersticiosos para deixarem as alianças e os cordões à guarda da Virgem em troca de bênçãos para nutrir a alma. Um bispo não é a bruxa que alivia a carteira da mulher que o marido abandonou e a livra do mau olhado, é o artista que usa a mitra e o báculo como garantia de uma assoalhada no Paraíso para a alma de quem lhe beije o anelão.

Deus é pretexto para espoliar crentes e encher de bolhas os pés e de chagas os joelhos dos peregrinos.

11 de Maio, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

Cruzada ao piercing

Dementes jovens alienados pelos esgotos psicológicos que se formam no Vaticano e desaguam um pouco por todo o mundo, decidiram enveredar por uma cruzada contra o piercing. Dor de cotovelo em relação à liberdade, deambulam pelas sombras exteriores ao Vaticano em busca de presas, tentando roubar-lhes os piercings em troca de um rosário. Pirómanos, tal descendência católica confere, tencionam fazer churrascos de piercing, não em lenha que não derrete, antes em fornos talvez.

Pelas ruas importunam transeuntes com as suas blasfémias e esquizofrenias, debitando orações e distúrbios psicopáticos, apregoando a profundidade que um rosário acarreta, não sendo da conta de ninguém, nem tão pouco interessante saber os seus gostos de inserções anais com rosários. A vida é deles, e dos rosários façam o que quiserem, a profundidade onde chega não é bonito de saber, muito menos de ver. Metam cilícios nas pernas e rosários no ânus, contra isso nada.

São 10 mil os Papaboys, saudosos da Cruzada das Crianças de 1212, ainda não conseguindo os feitos, muito menos o número e seguidores, ainda menos o número de mortos e escravizados. Se a moda pega não há quem os ature, até porque não estão previstas acções idênticas, mas nos objectivos antagónicos, não andarão pelas Igrejas pessoas como eu a atemorizar os crentes com suas cruzes, especialmente por que existe um factor muito contrário ao destes lunáticos, chamado de vida própria.

Estas pobres criaturas insultam a inteligência com os seus lixos sonoros, tentando alienar os outros com as suas alienações. Piercings existem desde o Antigo Egipto, desde os Maias. Reflectem várias culturas, várias espiritualidades, diversas formas de significância. Adornos que podem adquirir vários significados, que obviamente ultrapassam em muito as suas minúsculas inteligências.

Piercings no umbigo já usavam as mulheres da família real no Antigo Egipto, muito antes de existirem catolicismos e barbaridades intelectuais e físicas semelhantes. Cultura e bom senso inexiste nos esgotos católicos, que construam fossas nos seus próprios estabelecimentos pois as sociedades laicas não são obrigadas a consecutivamente os encaminhar para estações de tratamento de águas residuais.

Se ao recolherem piercings para os mandar para o churrasco incomoda, não lhes passe pela cabeça sequer pensar em fazer o mesmo com as tatuagens.

Também publicado em Ateismos.net e LiVerdades

11 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Lula da Silva recusa submissão ao Vaticano

Carácter “laico” do Estado brasileiro salientado por Lula da Silva

«O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva recusou a proposta feita pelo Papa Bento XVI para assinatura de um acordo que concedesse à igreja católica condições favoráveis no país, noticia hoje a imprensa local.
Segundo o jornal Folha de São Paulo, Lula da Silva terá salientado ao Papa o carácter “laico” do Estado brasileiro, durante o encontro que ambos mantiveram na quinta- feira, em São Paulo.»

11 de Maio, 2007 jvasco

Ateísmo na Blogosfera

  1. «Muitos preferem a humanidade criada pelo artifício de vontade alheia em vez de algo que evoluiu pelos seus atributos. Alegam que a maravilha da natureza testemunha a magnificência do seu deus, mas a maravilha não lhes chega. O Homem tem que ser melhor ainda. Tem que ter coisas que nem esse deus conseguiu incluir na natureza. E isso parece-me uma grande treta.

    Por um lado, subestimam a natureza. O Homem não pode ser só átomos porque átomos são incapazes de pensar, sentir e ter vontade. A diversidade de comportamentos humanos refuta a nossa natureza biológica. Mas a diversidade é característica do ser biológico. Quem os tem sabe que até cães e gatos são indivíduos distintos e com personalidade. Aprendem, adaptam-se ao ambiente em que vivem, reagem, interagem, e agem por vontade própria. […]

    Cada organismo é uma complexa interacção dos seus átomos e dos átomos que o rodeiam. Um átomo sozinho faz pouca coisa, mas com átomos a interagir há fotossíntese, o voo das aves, o sonar dos morcegos, alcateias de lobos. Há vida. Até recentemente, por ignorância, insistia-se que a matéria nunca poderia ser viva. Afinal, um átomo não é vivo. Pois um átomo também não é molhado e a água é. Um sistema complexo de átomos pode ser vivo. Agora é a vez de negar à matéria a liberdade, a ética e a consciência. Outra vez por ignorância. […]

    O Homem é um mamífero esperto, mas com ilusões de grandeza. Tem um cérebro enorme, linguagem e capacidades que os outros animais não têm. Mas é normal na natureza que os organismos se especializem. Outros há que vêem, correm, nadam, mordem ou ouvem melhor que nós. E se a matéria faz tudo o que os outros animais fazem pode muito bem fazer o que nós fazemos.»Treta da semana: à imagem de Deus.», no Que Treta!)

  2. «Como escreveu o Carlos, “Ciência em palco significa trazer a ciência para diante dos nossos olhos, para o palco das nossas atenções, fazê-la passar para a sociedade. É, portanto, uma forma, uma das melhores formas, de fazer cultura científica.”

    Eu acrescentaria que ciência em palco é uma forma privilegiada de unir as duas culturas, de abrir as portas da comunicação que urge escancarar para que a ciência permeie a sociedade, seja discutida em mesas de café e, como consequência, obste ao proliferar de obscurantismos sortidos.» («Darwin e o canto dos canários cegos», no De Rerum Natura)

  3. «Depois, para simbolizar o quanto ela tinha desonrado a religião yezidi por namorar com um rapaz sunita e, por isso, por ter ofendido também toda a sua família, os homens rasgaram-lhe as roupas à força e despiram-na completamente.
    Nas imagens seguintes vê-se a menina deitada no chão, já completamente nua, rodeada por um mar de sangue, com cabeça esmagada, a sua cara de menina inocente já irremediavelmente desfigurada pelas pedras.
    Já não grita..
    »(«Adeus, Du’a!», no Random Precision)
11 de Maio, 2007 Ricardo Alves

A ICAR é pobre?

Muitos responsáveis da ICAR gostam de dizer que «a igreja é pobre». Ai sim? Se é pobre, como será possível que tenha 60 milhões de euros (12 milhões de contos em moeda antiga) para pagar uma basílica faraónica como a que está a ser terminada em Fátima?

Vejamos quanto são 60 milhões de euros: 60 milhões de euros seriam suficientes para financiar 15% do que o Estado gasta anualmente em Ciência e Tecnologia; ou para subsidiar 60% do orçamento anual da Fundação Calouste Gulbenkian; ou para pagar dois anos inteiros de orçamento de uma Câmara Municipal como Beja; ou ainda para pagar dez salários anuais a um jogador de bola como Luís Figo.

E depois disto ainda vão dizer que a ICAR não apenas é pobre, como só gasta dinheiro em «assistência social»… Haja paciência.
11 de Maio, 2007 Hacked By ./Localc0de-07

Diarreias papais pela América Latina – II

Os números não enganam

Os 5 dias de estadia do abutre Ratzinger acarretam custos, dirão que insuficientes os vermes rastejantes clericais, normais os desinformados, propositada ou despropositadamente se foge a informação, um atentado à dignidade Humana os informados. A visita transforma-se num número com excessivos zeros, pelo menos para a maioria. Mais de 2400000 Reais, que em Euros corresponde a… é só fazer as contas.

Segundo a lei brasileira, não é permitido gastar dinheiro público em cultos, pelo que se deduz na mesma linha de raciocínio, que também não será permitido gastar rios de dinheiro público em cultos. Pelas contas feitas, são muitas e fastidiosas, sobressaem gastos interessantes, mais interessantes se comparados com o índice de igualdade de riqueza brasileiro.

As necessidades gastronómicas clericais são elevadas em número e quantidade, obviamente adornadas com factores externos de luxo, pelo que das ementas requintadas e estudadas cientificamente pelos melhores cozinheiros, de forma a não proporcionarem nó na tripa aos clientes, retirámos algumas constatações interessantes, ou pelo sentido de justiça, injustas. Cada garrafa de vinho custa a módica quantia de um salário mínimo brasileiro, constatação à qual não é necessário contas. Os condimentos foram devidamente reanalisados, pois a gastronomia do Vaticano incluiu ementas com Cianeto como tempero, e pelo que se foi constatando, tal ingrediente acarreta sestas demoradas.

No Mosteiro de São Bento procederam-se a enormes rebaldarias de reformas e contra reformas, de forma a fornecerem uma suíte ao travesti mediático, um escritório com internet wireless (insonora, inodora, invisível, será deus?), sala de visitas particular e um excelso piano de cauda, parece que Ratzinger tem dotes musicais, tão elevados que se afigura uma necessidade urgente de colocar o piano na sala de visitas particular, sem visitas, esperando que as paredes sejam à prova de som.

Os negócios andam bem no Brasil com tais acontecimentos, a bem de deus claro está. Uma editora investiu 200 mil Reais, que em Euros é igualmente só fazer as contas, para edições sobre um tal de frei e de um tal de Ratzinger. Erudição e prazer literário às resmas no Brasil, assim mandei vir uma resma de livros das terras das Lulas e agora também dos Polvos. Mas não esses, que minha ignorância não sabe ler. De caravela para ser mais barato, e resma de 5, que 6 ultrapassa poderes de compra, até mesmo porque a qualidade desses livros é duvidosa, livros que não atingem os patamares divinos de freis e papas, deixando-se humildemente deambular por Humanismos. Um tal de Bruno Miguel Resende escreveu por lá 2 artigos. Quebra acentuada na valia dos exemplares, claro está.

Bugigangas também fomentam os negócios da fé, medalhas comemorativas com certificado incluído (completamente grátis, o certificado) banhadas em ouro, em prata e em bronze. Todas a preço de irmão, 250 Reais, pelas contas mais acessíveis à carteira, 90 Euros, as mais caras, mais baratas nas feiras próximas de si, similares e nunca iguais, a preço de bastardo, uns trocos para o caldo. A riqueza é muita e cai dos céus enviada por deus, em avião, não pelo próprio mas pelo secretário. Assim sendo se vê na lista de países por igualdade de riqueza, baseada no Coeficiente de Gini, os desígnios divinos e a evangelização, ocupando tal nação com tanta fé e ainda mais indutores o 117º lugar. Aspecto positivo? Ainda existem cerca de 6, diria até uma meia-dúzia deles atrás. Com tais Lulas e Polvos pondera-se que seja possível um dia atingir a evangelização completa, com o primeiro lugar da lista invertida.

Cerca de 20% da população brasileira está na miséria, 25.000 a 40.000 brasileiros estão submetidos a trabalho escravo, mais de 150 mil crianças foram exploradas em 2006 pelo trabalho infantil, e mais não é necessário para conjecturar.

Também publicado em Ateismos.net e LiVerdades

10 de Maio, 2007 Helder Sanches

O Extremismo Ateu

Às vezes perguntam-me porque é que me envolvo nestas coisas da religião e do ateísmo, se estar sempre a falar do mesmo não é também uma forma de extremismo e como é possível que eu tenha algumas ideias típicas de extremismo ateu…

Essas perguntas, acima de tudo, têm a arte de me desiludir. Desiludem-me porque deixam bem claro que quem coloca essas perguntas não vê diferença nenhuma entre escrever um blog e fazer-se explodir dentro de um autocarro em hora de ponta, entre defender o ensino da ciência e apedrejar uma mulher pela suspeita de adultério, entre expor o ridículo das mitologias modernas e o rastejar até um altar para pagar favores divinos, entre defender a separação do estado e da igreja e levar a cabo guerras internacionais em nome de uma personagem de ficção ou entre defender o humanismo e, em nome da vida, colocar bombas em clínicas de interrupção da gravidez…

Enquanto houver pessoas que não vêem estas diferenças faz todo o sentido ser um ateu; extremista, se quiserem.

10 de Maio, 2007 Carlos Esperança

Brasil – Viagem de negócios de B16

O embusteiro da fé, ditador residente no Vaticano, anda em viagem de negócios pelo Brasil.

O empedernido celibatário tornou-se arauto da cruzada contra o aborto e um defensor da família, ele que nunca a constituiu, a proíbe aos empregados e que renegou o amor matrimonial.

O impostor apoiou a ameaça de excomunhão dos bispos mexicanos contra os membros da Assembleia Legislativa e o governador da cidade do México por terem despenalizado o aborto na capital.

A hipocrisia do tartufo revela-se na duplicidade. Por que não excomunga os deputados portugueses do PS, PCP, BE e PSD que o despenalizaram? Porque tem dois pesos e duas medidas. Porque é um talibã onde pode e uma pomba onde o desprezam.

Na deslocação, o caixeiro-viajante da fé foi explorar a superstição do povo brasileiro. Fez do cadáver de Frei Galvão o santo que a padralhada e os beatos reclamavam, deixando para mais tarde o padre Cícero Romão Baptista quando se reunirem as verbas necessárias à canonização, que o Vaticano não trabalha de borla.

Frei Galvão era ubíquo e levitava – dizem as testemunhas do costume -, números que os circos reservam para os ilusionistas, mas foi na cura de grávidas que o taumaturgo se iniciou, como se a gravidez fosse uma doença.

Os milagres eram feitos através de papelinhos onde o frade escrevia: «Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós». A ingestão dos papelinhos com tinta era o remédio que aliviava os vómitos, dilatava o útero e conduziu o frade à santidade.

E há quem leve a sério estes farsantes!