1 de Setembro, 2012 Carlos Esperança
Velhas cumplicidades
O rei Juan Carlos faz a apologia do genocida Francisco Franco o ditador que conseguiu a maior cumplicidade da Igreja católica.
O rei Juan Carlos faz a apologia do genocida Francisco Franco o ditador que conseguiu a maior cumplicidade da Igreja católica.
A cada dia que passa, e não obstante o meu ateísmo, cada vez mais me convenço de que, afinal, os milagres existem.
Os ateus que, como eu, passaram pelos genuflexórios e por ali se foram mantendo até terem decidido pensar sozinhos, certamente ouviram contar as fábulas de um rapaz que, para além de conseguir fabricar vinho a partir de água, e isso nem é grande milagre, há quem o fabrique a partir de uvas, até conseguia dar vista aos cegos. Esse rapaz prometeu que haveria de voltar ainda antes de aquela geração se extinguir, e a verdade é que há gente que julga que aquela geração ainda não se extinguiu, e continua à espera que o rapaz regresse. Só que se esqueceram de que o rapaz era político, por isso é que foi pendurado numa cruzeta, e todos sabemos o que são as promessas dos políticos.
Pois bem, cansada de esperar por quem nunca mais aparece nem dá satisfações, uma equipa de investigadores australiana resolveu, sem a ajuda do tal rapaz, dar vista aos cegos. Ou seja, fez um milagre. Não daqueles fatelas, tipo olho-da-dona-guilhermina-de-jesus, mas um milagre a sério. Ou à séria, que eu sou gente fina.
Por isso, meus caros, acreditem em mim: os milagres existem. A Ciência é prova disso mesmo.
O progresso não pára, e quando falo em progresso refiro-me às suas diversas vertentes, onde se inclui, naturalmente, a informática. Na verdade, a informática evoluiu de tal forma, que a palavra impossível faz, a cada dia que passa, menos e menos sentido. Longe vai o tempo em que, por exemplo, os colaboradores da IURD, eu até julgo que têm um nome mais apropriado, mas colaboradores confunde-se facilmente com cobradores, dizia eu que longe vai o tempo em que os cobradores, perdão, colaboradores da IURD andavam de irmão em irmão, sacando o dízimo e outras oferendas, monetárias, naturalmente, que Deus não se satisfaz com menos. A IURD deu o grande passo, maior que o do falecido Armstrong, e passou a cobrar o dízimo e outras dádivas através do Facebook.
Nada contra, que eu até sou entusiasta das novas tecnologias; mas deixo aqui um sério aviso à ICAR, porque aquela coisa de andar, pelas igrejas, a sacar o óbolo, é mais do que troglodita. Eu proponho que a ICAR comece a usar terminais de pagamento automático para a malta dar o que entender. Claro que se levanta um problema, é que não há lugar a exibicionismos, isto é, se agora o crente pode exibir a nota que vai depositar na bandeja, e fazer, com isso, um certo floreado e, até, provocar aquele pecado mortal que se chama Inveja, com o terminal multibanco ninguém vê o que se dá. Mas paciência, o progresso tem um preço, não é verdade?
Importante e relevante é, contudo, a justificação que é apresentada e, principalmente, os cinco projectos destinatários da massa. A ler com muita atenção.
… e não é só no chamado mundo ocidental. De uma forma mais corriqueira, podemos dizer que já nada é como era, mas a verdade é que, embora com muitos anos de atraso, há indícios – ténues, para já – de que a Razão está a chegar ao mundo islâmico. De facto, já vai havendo quem ouse afrontar as teocracias. Nesse aspecto, estamos um pouco mais avançados, temos de convir: o chamado “pecado” (já) não é punível com prisão, nem sequer com sessões de churrasco, e o comer carne à Sexta-feira já não exige o pagamento de bula. Julgo eu, que ando arredio dessas coisas da religião. Mas que o rapaz mostrou ter os coisos certas no sítio certo, disso não haja dúvidas.
Salam aleikum, Masayminch.
Goste-se ou não do padre Fontes, uma coisa é inquestionável: o homem é padre. Ponto final.
Facto que, no entanto, não impede que o padre António Fontes ponha em dúvida os espectáculos folclóricos de Fátima.
… a comunicação social faz eco de vozes esclarecidas. O que quer dizer que nem tudo está perdido, e que a esperança é a penúltima a morrer.
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.