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Mês: Novembro 2013

21 de Novembro, 2013 Carlos Esperança

A confissão é uma arma

O Papa Francisco sublinhou hoje no Vaticano a importância da confissão dos pecados e revelou que ele próprio se confessa de 15 em 15 dias, apelando à compreensão da “dimensão eclesial” deste sacramento.

21 de Novembro, 2013 Carlos Esperança

PSOE e a ICAR

Os abusos estão condenados em Espanha.

Palavra do PSOE.

20 de Novembro, 2013 Carlos Esperança

João César das Neves (JCN) e o Faceboock

A sanha contra JCN já levou à criação de uma página do FB «Correr com o César das Neves do DN, TV, Rádio e U.C. (Universidade católica)». Só falta pedir a exclusão do devoto, do próprio FB, do Banco de Portugal e da missa. A vocação censória iguala a do bem-aventurado e o senso aproxima-se do dele.

JCN diz muitas tolices? – claro que diz, e grandes, mas não fica sob a alçada do Código Penal. Acha que o ordenado mínimo deve ser reduzido e que os pensionistas são ricos? – De facto, ele pensa isso e revela a formação da madraça onde é aiatola, mas não sendo um pensamento digno, não é crime.

JCN gostaria que a sharia romana fosse a legislação que substituísse o direito de família, sem divórcio, com cadeias abertas para a IVG e a lapidação para mulheres adúlteras?
– É de crer que sim, mas há outros que pensam o mesmo e andam à solta.

JCN gostaria de confiar a saúde, o ensino, os Tribunais, a assistência e as polícias aos Irmãos Católicos e transformar o Estado num departamento da Conferência Episcopal? – É natural, mas pensar que a demência mística possa abalar os fundamentos do Estado de Direito é não acreditar na democracia.

JCN atira-se aos juízes do Tribunal Constitucional como um Cruzado aos mouros, mas não é diferente do PM que, com isso, perde legitimidade para o ser ou do presidente da CE, Durão Barroso, cuja chantagem devia ter sido repudiada pelo PR, se o houvesse.

JCN cilicia-se, viaja de joelhos, empanturra-se em hóstias, inala incenso, encharca-se em água benta e extasia-se com o brilho da púrpura, a beleza do báculo e o fulgor da mitra? – E o que temos nós a ver com isso? O homem flagela-se e acha que «no [seu] medíocre quotidiano, continua a mesma mesquinha criatura que sempre foi»? – E que temos nós a ver com um raro momento de lucidez?

A censura é sempre um ato inadmissível e, vendo bem, JCN é um manancial de humor que diverte muito mais com as tolices que diz do que António Sala com «Anedotas» que publica.

20 de Novembro, 2013 Carlos Esperança

O Papa Francisco e o marketing do Vaticano

Anda por aí, repassada (como se diz em mau português), isto é, divulgada até à náusea a informação de que o atual Papa afronta a Cúria e arrisca a vida. Vive fora dos aposentos pontifícios, beija pés improváveis e ameaça obrigar o I.O.R. a reger-se pelas normas internacionais de transparência, depois de o Vaticano ter sido colocado na lista negra dos centros bancários de lavagem de dinheiro, pelos EUA. As eventuais relações com a máfia e o paraíso fiscal não podem manter-se, sem arriscar a credibilidade do Paraíso.

Este Papa, Francisco, foi uma inevitabilidade, para romper de forma controlada com os escândalos sucessivos, desde o encobrimento da pedofilia à cumplicidade na falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, que financiou o sindicato polaco Solidariedade e a luta contra o comunismo.

Não tenho qualquer informação que não seja veiculada pela comunicação social e outra, mais suspeita, que circula pelos esgotos da NET, a céu aberto, encaminhada por pessoas de várias tendências, inclusive ateus e agnósticos, usualmente alheios ao que se passa no Vaticano, informação que chega «repassada» a todas as caixas de email.

Vale a pena refletir sobre o papado e a sua influência enorme sobre países e populações de vários países do Globo. Com exceção de João Paulo II, um pároco de aldeia de parca preparação e imenso ativismo político, servido pela descomunal rede de propaganda ao serviço do Vaticano, os Papas são clérigos de altíssima qualidade intelectual e de grande experiência política.

Francisco é jesuíta, de uma ordem que prima pela preparação intelectual, perseguida por João Paulo II em detrimento do Opus Dei cujos recursos enormes serviram para cobrir o buraco financeiro aberto por João Paulo II, que protegeu o autor do desfalque do Banco Ambrosiano, o arcebispo Paul Marcinkus, a quem negou a extradição para ser julgado.

Convém referir que um padre jesuíta, que raramente aceita lugares hierárquicos, tem as habilitações correspondentes a um doutoramento. Ninguém julgue que Francisco é um clérigo ingénuo saído de um conclave onde há séculos não havia notícia da presença do Espírito Santo, apenas da crescente influência do Opus Dei a que João Paulo II conferiu a qualidade de prelatura pessoal e a rápida canonização ao fundador.

Francisco é o Papa necessário a esta fase em que a Europa, secularizada, começa a olhar para a Igreja católica perante a ameaça do proselitismo islâmico e que precisa de cuidar da América do Sul onde a implantação é grande e a concorrência evangélica agressiva.

Mantendo a indústria do milagres e a idolatria à Virgem, obsessões do Opus Dei, o Papa Francisco é o pontífice capaz de fazer esquecer a conivência do Opus Dei com todas as ditaduras fascistas, a começar pela de Franco, onde foi dominante no Governo e culpado pelos escândalos financeiros da Rumasa e Matesa, e a acabar na de Pinochet.

A aura de um papa acossado pela máfia e pelos gangues da Cúria é uma interessante via de promoção, a puxar ao sentimento e à solidariedade. Isto, sem duvidar dos interesses obscuros e contraditórios que se digladiam no interior da Cúria romana.

19 de Novembro, 2013 Ludwig Krippahl

Omnitretas.

O Bernardo Motta, por alguma razão convencido de que o meu ateísmo se deve ao Richard Dawkins, recomendou-me que lesse autores filosoficamente mais sofisticados como o Edward Feser que, segundo o Bernardo, “limpa o chão” com o Dawkins. Em concreto, indicou-me um post do Feser criticando a alegada ignorância do Dawkins acerca da omnipotência e omnisciência do protagonista da ficção cristã. O problema que Dawkins aponta é que um ser omnisciente não tem o poder de mudar de ideias. Sendo um poder que nós temos, então um ser omnisciente não pode ser omnipotente. Eu diria até que será impotente, incapaz de mudar o curso de acções que já sabe inevitável, como se estivesse a ver um filme.

O Feser pretende “esclarecer” Dawkins começando por apontar que «para quase todos os teístas, “omnipotência” não implica o poder de gerar contradições (e.g. criar um quadrado redondo ou uma pedra tão pesada que nem um ser omnipotente a pode erguer)» (1). Isto é irrelevante porque o poder de mudar de ideias não é uma contradição da omnipotência. É apenas incompatível com a omnisciência. Mas é interessante porque põe em causa a omnipotência em si. Em primeiro lugar, parece-me muito pouco sofisticado, filosoficamente, apresentar como estabelecido que um ser omnipotente não pode gerar contradições só porque “quase todos os teístas” acreditam que é assim. Não me parece o tipo de coisa que seja legítimo decidir só pelo voto da maioria. Mas vamos assumir que mesmo um deus omnipotente é escravo deste axioma dos sistemas formais e, como Tomás de Aquino propôs, não pode fazer nada cuja descrição seja logicamente inconsistente. Ainda assim, há o problema dos restantes axiomas.

Será que um ser omnipotente pode calcular a raiz quadrada de -1 ou criar um triângulo cujos ângulos internos não somem 180º? Até ao século XVIII provavelmente diriam que não a ambas por ser contraditório que algo seja número e multiplicado por si próprio dê -1 ou que algo seja triângulo e os seus ângulos internos não somem 180º. Depois de Euler ter popularizado os números imaginários, a resposta à primeira já seria sim porque i é um número e é a raiz quadrada de -1 por definição. E com as geometrias não-euclideanas, a partir do século XIX, passou a ser possível haver triângulos cujos ângulos internos não somam 180º. Isto porque estas contradições só o são se usarmos certos axiomas. Com outros axiomas deixam de o ser e, na verdade, se abdicarmos do axioma da identidade nem sequer haverá contradições.

Outro problema é que podemos resolver cada contradição de várias formas diferentes. Por exemplo, se Deus tem o poder de erguer qualquer pedra, então não pode ter o poder de criar uma pedra impossível de erguer porque isto seria logicamente contraditório. Mas podemos resolver o problema ao contrário: se Deus tem o poder de criar qualquer tipo de pedra, inclusivamente uma pedra impossível de erguer, então não pode ter o poder de erguer qualquer pedra porque isso seria logicamente contraditório. Em ambos os casos Deus seria omnipotente, pela definição de Tomás de Aquino, porque em ambos os casos o seu poder só ficava limitado por contradições lógicas. Mas seriam duas omnipotências diferentes, a omnipotência de erguer qualquer pedra e a de criar qualquer pedra. Há infinitos casos destes. Por exemplo, a capacidade de criar varas tão compridas que sejam impossíveis de medir contra a capacidade de medir qualquer vara por muito comprida que seja. Ou a capacidade de criar cheiros tão pestilentos que não possa suportar contra a capacidade de suportar qualquer cheiro por muito pestilento que seja. Como consequência, há infinitas omnipotências diferentes e incomensuráveis. Nem se poder saber qual delas Deus terá nem porquê essa e não outra.

Mas a parte mais importante do post que o Bernardo recomendou é como resolve o conflito entre omnisciência e omnipotência, o problema de não poder mudar de ideias. «Deus é imutável e eterno. Ele não “muda de ideias” porque ele não muda sequer. […] Deus está completamente fora do tempo. […] Para Ele, toda a criação – incluindo todos os acontecimentos em todos os pontos do tempo – segue de um único acto criativo Seu». Isto é importante porque implica que o tempo não existe. Se a passagem do tempo presente vai tornando o futuro em passado então as verdades mudam e um ser omnisciente tem de ir mudando também para actualizar o que sabe. Dantes era verdade que eu tinha cinco anos mas agora já não é. Um ser imutável não podia saber, nessa altura, que eu tinha cinco anos e agora saber que já não tenho. Se existe um ser omnisciente e imutável então todas as verdades têm de ser imutáveis. Todo o universo tem de existir como uma forma fixa e imutável espalhada no espaço-tempo em vez de algo espacial que vai mudando com o tempo porque, se assim fosse, também o que é verdade mudaria e Deus teria de mudar. Mas se o universo é imutável e o tempo é uma ilusão então nada que dependa de mudança pode ser real. Acção, vontade, causalidade, intenção, culpa, mérito, nada disso pode existir se houver um ser omnisciente e imutável.

Com esta explicação, o Edward Feser não só confirmou que a omnisciência é incompatível com a omnipotência como também demonstrou que a omnisciência divina é incompatível com um universo dinâmico e tudo o que disso depende.

1- Edward Feser, Dawkins on omnipotence and omniscience

Em simultâneo no Que Treta!

18 de Novembro, 2013 Carlos Esperança

18 de novembro – o pior

1929 – Manuel Gonçalves Cerejeira foi designado cardeal-patriarca de Lisboa e foi, na longa carreira cardinalícia, um aliado do ditador fascista, António de Oliveira Salazar.

1936 – A Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini reconheceram o Governo fascista de Espanha, do ditador Francisco Franco.

18 de Novembro, 2013 Carlos Esperança

Momento zen de segunda_18_11-2013

Mal refeito das 4 páginas da entrevista de João César das Neves (JCN), com a digestão ainda por fazer, cai-me no regaço, desprendendo-se da NET, a homilia da segunda-feira, subordinada ao tema «Ano da Fé».

A homilia começa por esta exultação pia: «Não há felicidade maior do que saber que Deus, o Deus supremo, sublime, transcendente, que fez o céu e a terra, se entregou à morte para me salvar. A mim pessoalmente».
JCN não calcula os inimigos que, com tal denúncia, arranja para o Deus dele.

Confessa, a seguir, que «Ele está dependurado por minha causa» o que, em boa verdade, muitos, que não conhecem Deus mas conhecem JCN, hão de considerar que é bem feito. Num gesto de narcisismo e de autocrítica, JCN lembra aos incréus que «Nas paredes das salas, nas frontarias das igrejas, nos quadros dos museus, até no meu peito, em todo o lado a imagem da cruz lembra que Aquele ali, coberto de sangue, foi condenado à morte por minha causa».

Sempre achei que, num país laico, a profusão de cruzes era um abuso mas o catecúmeno delira com a abundância dos instrumentos de tortura. Eu abomino o sofrimento, o meu e o dos outros, sou contra a pena de morte, mas não absolvo quem morre para salvar JCN.

Depois de perorar sobre a morte e outros sustos com que nas aldeias os padres incutiam a fé, JCN, em transe místico e delírio pio, afirma que «a morte não é só um justo castigo dos nossos males, mas também um alívio terapêutico dos mesmos males». Podia aliviar-se de vez e aliviar-nos, mas preferiu a autocrítica, mantendo-se vivo na U. Católica e no Banco de Portugal, confessando que «Se tirar a máscara de respeitabilidade e elegância, se esquecer as justificações retóricas e os enganos convenientes, se for ao fundo das minhas razões, vejo com clareza que um juiz justo e imparcial teria de me condenar». JCN sabe bem o que faz e o que merece. Se Deus existisse…

Na pungência do desvario místico, julgando que os Cristos dependurados das cruzes, e bem crucificados, não tiram os olhos dele, acaba por afirmar o que todos sabemos dele:

«Eu, no medíocre quotidiano, continuo a mesma mesquinha criatura que sempre fui».

E lá continua a homilia, na obsessão da cruz, na adoração do crucificado, convencido de que está lá pendurado por causa dele, JCN, e que não se vai embora, «por grandes que sejam os meus crimes», desconhecendo que o crucifixo só baqueia se for maior a força da gravidade do que a resistência do prego que o segura.

18 de Novembro, 2013 Carlos Esperança

Informação aos sócios da Associação República e laicidade

O PSOE anunciou um conjunto de medidas que tomará se for governo:

– denúncia dos acordos com o Vaticano;

– fim da Religião e Moral nas escolas;

– pagamento do IMI pela ICAR;

– autofinanciação das comunidades religiosas.

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3525360&seccao=Europa&page=-1

http://ep00.epimg.net/descargables/2013/11/10/7ab4774658c8d0c911a75c9e675f8bf7.pdf

18 de Novembro, 2013 Carlos Esperança

Papa prescreve placebo

O Papa Francisco surpreendeu hoje as dezenas de milhares de pessoas reunidas no Vaticano para a oração do ângelus com a sugestão de um ‘medicamento espiritual’ para as suas vidas, distribuído numa caixa própria, a ‘Misericordina’.

“Gostaria de sugerir-vos a todos vós um medicamento – talvez alguns pensem que o Papa agora é um farmacêutico -, um medicamento especial para concretizar os frutos do Ano da Fé, que caminha para o fim: é um medicamento de 59 grãos numa corda, um medicamento espiritual chamado Misericordina”, disse, da janela do apartamento pontifício sobre a Praça de São Pedro.