Loading

Categoria: Não categorizado

2 de Abril, 2007 dsottomaior

Que Jesus proteja o nosso… dinheiro?

Pouco tempo atrás relatei aqui o lançamento uma iniciativa de retirada de símbolos religiosos de repartições públicas, que contrariam a Constituição Federal brasileira em diversos aspectos importantes.

Agora descobri neste post do Orkut (de uma comunidade dedicada a lutar contra o preconceito que sofrem os ateus) que um corajoso cidadão pediu a certa agência bancária do interior de São Paulo que retirasse o crucifixo nela afixado. Mas deixemos que ele mesmo relate o seu feito:

O Banco Real (ABN Amro Bank) atendeu no último dia 28 de março de 2007 a solicitação de processo interno iniciada por mim (Gabriel Gonzales), que questiona a presença de Crucifixos nas agências do banco. O Banco Real é uma empresa privada que possui inúmeros clientes, não só católicos, mas ateus, evangélicos, espíritas, judeus, islamicos, enfim de todos os credos,que efetuam os mesmos pagamentos de taxas, iguais à qualquer cliente católico, e a presença de tal símbolo fere a liberdade de expressão religiosa ou de ausência dela. Devido a tal, a superintendência do Banco determinou que os crucifixos das agências 0432 e 1299 respectivamente nas cidades de Araraquara e Presidente Prudente (ambas no Estado de São Paulo) sejam removidos imediatamente.
Como tal, fica arquivada a decisão como exemplo para todas as agências da rede, sendo necessária a constatação da presença do símbolo para ser determinada a retirada de tal. Em outras palavras, é necessário que denunciem o número da agência do banco Real que possui o crucifixo para que seja indicada a remoção.
Denuncie a agência da sua cidade pelo telefone 0800 7072399
Segundo frase do próprio banco: “Banco Real, repeitando a liberdade de culto e religião na teoria e também na prática!”

Vejo como um grande avanço na liberdade de expresão no Brasil tal prática do banco, já que nem os órgãos públicos respeitam a determinação da constituição federal de 1988 que caracteriza o Brasil como estado Laico.
Uma vitória para nós ateus!!!
Abraço a todos
Gabriel Gonzales

Essa ação estabelece um precedente importante de respeito para com todos aqueles que não são católicos. É importante notar que o banco tem toda liberdade de afixar os símbolos que deseje, e que o autor da ação reconhece isso plenamente. Mas também reconhece seu direito de sentir-se incomodado e de reclamar à instituição. É o jogo democrático de pressões e interesses perfeitamente legais e legítimos. E neste caso, felizmente, prevaleceu a neutralidade ao invés do arrogante proselitismo. Cabe a nós agora elogiar o senhor Gonzales, enviar os merecidos cumprimentos ao banco (por telefone, pelo atendimento online ao vivo ou pela página de emails) e apontar aos demais bancos e estabelecimentos comerciais o que a concorrência está fazendo.

Iniciativas desse tipo são da maior importância para estabelecer uma cidadania verdadeira e ampla, varrer do mapa a presunção de universalidade de um credo em relação ao qual os descrentes são duas vezes mais numerosos que seus fiéis, estabelecer a força e o valor da descrença, e estimular ações semelhantes. A Gabriel Gonzales meus parabéns e muito obrigado.

2 de Abril, 2007 Carlos Esperança

João Paulo II continua morto

Há dois anos faleceu um dos Papas mais obsoletos da era moderna. Mesmo para Papa católico era excessivamente reaccionário e dementemente supersticioso. Graças à morte oportuna de João Paulo I e à alegada luz dos cardeais cujo combustível é o Espírito Santo, um cardeal polaco com excelentes relações com o Opus Dei e os EUA, chegou a Papa.

Como é costume no bairro do Vaticano puseram o xerife a render e a fazer proselitismo ao domicílio. Parecia que ganhava a vida ao quilómetro, ou melhor, à milha. Percorreu o mundo em encenações litúrgicas, seguido de uma multidão de fotógrafos, operadores de imagem e jornalistas.

O boato sobre a sua bondade e a inegável imagem de quem acreditava em Deus fizeram do perseguidor de teólogos e de defensores do Vaticano II uma das maiores vedetas do planeta.

A doença de Parkinson atingiu-o e foi penoso ver a ICAR a explorar o sofrimento, a ostentar a decrepitude, a mostrar a baba, numa atitude desesperada de o exibir a morrer em directo, para provocar a comoção e arregimentar crentes. Falhou o truque e ficou a imagem de impiedade dos cardeais da Cúria, indiferentes ao sofrimento, interessados na exploração dos negócios da fé.

Hoje, dois anos depois, começa a comédia dos milagres e o processo de canonização do cadáver. Metem-se empenhos para dispensar os prazos canónicos, abolir o interstício de beato e fazer do falecido autocrata um santo que promova as missas e orações onde a devota Polónia passa o tempo.

JP2 não era pior do que Escrivá, não era menos amigo dos ditadores do que o fundador do Opus Dei, e, até, acreditava em Deus. Bastam estas características para fazer santo o defunto.

Depressa que o negócio está à espera.

1 de Abril, 2007 Helder Sanches

Dia de Todas as Religiões

Hoje celebra-se o dia de todas as religiões. Divididas nas diversas doutrinas, todas as religiões têm em comum a farsa, a paranóia e a mentira. Nenhum outro dia do ano seria mais apropriado para celebrar o dia de todas as religiões que o primeiro de Abril, o Dia das Mentiras.

É neste dia que, com brincadeiras mais ou menos inocentes, se tentam enganar familiares, amigos, colegas e vizinhos, num espírito de brincadeira em que o fair-play de todos é condição essencial. É urgente perceber que tudo em que se baseiam as diversas religiões são farsas para as quais a sociedade civil tem tido um fair-play imensurável porque, convenhamos, a religião faz constantemente anti-jogo ao querer impor as suas regras a todos os outros.

Assim, desejo-vos a todos um feliz Dia de Todas as Religiões.

(Nota: Em dia de Benfica-Porto impunha-se esta linguagem futebolística. Pela minha parte, à hora do jogo estarei a ver os Robinsons em 3D, o que será muito mais divertido)

(Diário Ateísta/Penso, logo, sou ateu)

1 de Abril, 2007 Carlos Esperança

O dinheiro não cai do céu

Enorme cartaz que inunda a cidade de Aix-en-Provence. Imagem enviada pelo leitor ECD.

1 de Abril, 2007 Ricardo Alves

A secularização da sociedade portuguesa(2): a generalização do divórcio

A generalização do divórcio

O gráfico seguinte evidencia que o divórcio, que era praticamente inexistente antes do 25 de Abril, se tornou rapidamente comum.

Nos anos anteriores ao 25 de Abril, o divórcio civil estava vedado aos portugueses casados pela ICAR (embora a anulação canónica do casamento existisse, era raríssima). Um dos maiores movimentos cívicos do período revolucionário pedia justamente a legalização do divórcio, pelas leis do Estado, para os casados pela ICAR. Liderado por Salgado Zenha, esse movimento originou um protocolo adicional à Concordata com a Santa Sé, que foi assinado em Fevereiro de 1975.

Se até 1974 havia aproximadamente um divórcio (ou menos ainda) para cada cem casamentos, após 1975 a proporção cresce rapidamente para cinco divórcios por cada cem casamentos (em 1976), e nove por cem (em 1977). De um total de 777 divórcios em 1974, passa-se para 7773 em 1977, o que se deve a situações de separação conjugal de facto que não estavam legalmente resolvidas. O atraso das leis do Estado clerical e autoritário na adaptação à sociedade ficou claro.

Uma nova alteração legal, em 2001, agilizou o divórcio. Novamente, um grande número de situações pendentes fez subir o número de divórcios, de 19044 em 2001, para 27960 em 2002 (em proporção, passou-se de 33 divórcios por cada 100 casamentos, para 50 divórcios por cada 100 casamentos). No ano seguinte, a proporção de divórcios desceu, para seguidamente voltar a subir. Em 2005, houve 47 divórcios por cada 100 casamentos.

Segundo o catecismo católico romano, «o sacramento do Matrimónio gera entre os cônjuges um vínculo perpétuo» (ponto 346); e segundo a própria Bíblia, «o que Deus uniu não o separe o homem». O comportamento dos portugueses mostra que esta doutrina, longe de estar generalizadamente aceite, é rejeitada. Mesmo entre os católicos, e nos anos mais recentes (2002, 2003, 2004 e 2005), tem havido, para cada 100 casamentos católicos celebrados, entre 47 e 52 casamentos católicos dissolvidos por divórcio (o que fica muito próximo da média nacional que se vê no gráfico). Portanto, os católicos, à semelhança dos outros portugueses, não parecem encarar o casamento como indissolúvel ou perpétuo, mas sim como um contrato civil revogável.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

31 de Março, 2007 Helder Sanches

Comia-o todo!

Refiro-me, claro, ao Cristo de chocolate! Esta doce escultura de 1,80m esteve para ser apresentada ao público numa galeria de arte em Nova Iorque mas, face à revolta e apelo ao boicote levado a cabo pela The Catholic League for Religious and Civil Rights, foi retirada da exposição.

A escultura imaginativamente intitulada “My Sweet Lord”, de Cosimo Cavallaro, procura, assim, um novo local para ser apresentada ao público em geral. Matthew Semler, director artístico da exposição, diz não terem ficado claras a razões dos protestos: o facto de ser de chocolate, o facto de estar nu ou o facto do chocolate ser preto.

Esta noticia fez-me recordar das caricaturas de Maomé e de toda a polémica gerada à pouco mais de um ano.Vá lá, os protestos não envolveram o incendiar de bandeiras nem o vandalização de embaixadas.

Algumas perguntas surgem-me, assim de repente:

O que é que a cera ou o barro têm de mais nobre que o chocolate e em que é que esta escultura difere das outras em relação aquela máxima “não idolatrarás”?

Ficando a escultura à mercê de uma católica perversa (que as há, felizmente) onde daria ela a primeira dentada?

(Diário Ateísta/Penso, logo, sou ateu)