Um grupo fundamentalista cristão reza para que um dilúvio caia sobre o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, quando este aceitar publicamente a indicação do partido na disputa pela Presidência dos EUA.
Comentário: Se Deus existisse as orações seriam pior do que balas.
As celebrações dos 150 anos das aparições de Nossa Senhora em Lourdes, em França, e a crise económica estão a contribuir para a diminuição do número de peregrinos em Fátima este ano, admitiu hoje o reitor do Santuário .
Nota – A falta de milagres também é responsável pelo declínio de um destino turístico que mata vários peregrinos na estrada e não cura ninguém.
SÓ QUERO ENTENDER
Se me disseres porque morre uma criança queimada na barraca.
Se me disseres porque uma mãe com o filho às costas
perde uma perna numa mina,
e a criança magrinha ali fica a chorar
até secar as lágrimas,
e se deixa adormecer abocanhando a mama
que já nada tem para lhe dar.
Se me disseres porque é que uma mulher,
ali à frente das câmaras e perante o nosso olhar,
já sem nada para dar, arranhar,
esgravetar nem roubar
morre assim, muito antes de morrer.
Se me disseres porque matam e morrem os homens
em nome do Criador de todas as coisas.
Se me disseres porque dá Deus os gozos da vida aos
ricos e poderosos,
e aos pobres só migalhas de afectos,
água, ar e restos de alimentação contaminada.
Se me disseres porque é que a violência faz parte
da vida dos homens
e dela têm de sair sempre vencidos e vencedores.
Se me disseres porque é que nestes tempos pós-modernos e globais,
como o fora na peste negra,
e já antes desta entre assírios, gregos, romanos
e outros que tais,
só os ricos têm acesso à riqueza
e às coisas puras, saudáveis e naturais.
Se me disseres porque é que, mesmo assim,
na morte somo todos iguais,
ou talvez não,
mas sem que daí venha qualquer consolação.
Se me provares que a justiça veio ao mundo
e por cá ficou.
Se me provares que a fome atinge só quem não faz pela vida,
e que a miséria, seja ela qual for,
é o fruto natural de ervas daninhas
que, se calhar, até deveriam ser mondadas
à nascença.
Se me explicares porque é que todos os projectos políticos
assentam na bondade do povo
e apontam a felicidade dos homens.
Se me explicares como podem os homens entender-se,
aceitar-se e amar-se
se a sua vida é só representação.
Se me explicares como é que nestas condições
valerá de alguma coisa dizer-se
que perante a lei os homens são todos iguais.
Se me provares que as terríveis imagens de seres amortalhados
em pele e ossos e com olhos desmedidamente arrega-lados,
que nos metem em casa às horas mais inconvenientes
mais não pretendem do que alertar-nos
para as flagrantes desigualdades do mundo.
Se me disseres porque é que tão arrepiantes despojos
são ferozmente disputados entre hienas e abutres
nas cadeias de televisão,
que as retocam e recompõem com música de fundo,
se necessário for,
para voltar a servir e a repetir até à saturação.
Se me provares que este jogo não tem qualquer maldade
e não almeja a vulgarização destas
dramáticas situações,
nem induzir ideias de uma inferioridade natural
ou de ainda mais preversas e recorrentes inter- – pretações
da teoria da evolução,
que assim continuará a fazer a selecção.
Se me provares que a ajuda humanitária,
agora estruturada em múltiplas organizações
não é um instrumento da Globalização,
pronta a levar aos indigentes do mundo,
em bons empregos e exóticas excursões,
o vomitado dos ricos, para os quais,
sem pobres, não haveria sossego de consciência
nem para a alma salvação..
Se me provares que a melhor maneira de ajudar
ainda é dar,
e não como o Grande Timoneiro
não se cansava de ensinar.
Se me provares que a caridade é melhor que a solidariedade,
sabendo nós que esta não amesquinha nem degrada,
porque assenta nos princípios da igualdade,
não faz curvar o corpo e baixar a cabeça,
com que se hipoteca a dignidade.
Se me provares que Deus, a Natureza
ou seja lá o que for que trata destas coisas,
a uns deu inteligência, força de vontade e determinação
e a outros não.
Se me disseres que o tráfico de drogas e mulheres
é um sucedâneo natural da livre iniciativa,
da vida em liberdade e da sociedade da abundância.
Se me disseres que Aquele que controla o mais pequenino dos
meus cabelos
nada pode sobre a vontade dos homens
e eu te disser que um Deus assim não me serve
para nada,
e tu ficares calado.
Digas-me tu o que disseres,
e por muito que nos possa custar,
eu te direi que pior que derrubar o
World Trade Center
com tudo e todos os que ali se cruzaram com o azar,
ainda é violar uma criança.
Se me disseres, provares e explicares
isto e o mais que falta para tudo,
Então, ainda menos ficarei a entender do mundo.
a) Diamantino Silva Out2001
Após quatro anos de estudos, Ana Maria de Almeida, de 26 anos, tornou-se a primeira sacerdotisa do Brasil. Ela foi ordenada, no último domingo (3), no salão da comunidade carismática da capela de São Lázaro, localizada na região metropolitana de Belo Horizonte. (Leia mais…)
Comentário: A profissão é tão pouco recomendável como a atitude do Vaticano.
Um alemão de 28 anos que, acreditando ser a reencarnação de Jesus Cristo, pulou uma barreira de segurança e se pendurou no papamóvel do pontífice Bento XVI, em junho de 2007, no Vaticano. Ele foi condenado ontem a se submeter à terapia, informou a justiça alemã. O rapaz, cuja identidade não foi divulgada, foi condenado a quatro anos de prisão sob fiança e a seguir um tratamento psiquiátrico.
Comentário: Com outro juiz, em vez do manicómio, tinha uma religião à espera.
O Vaticano estuda com atenção o pedido do braço dissidente da Igreja anglicana de se unir à Igreja Católica, segundo um documento revelado nesta terça-feira, num momento de crise da comunhão anglicana. ( AFP )
Nota: A tendência é para os monopólios da fé.
Um idoso de Amarante queixou-se esta terça-feira de ter sido burlado em dez mil euros depois de dois desconhecidos o convencerem a levantar o dinheiro no banco para «garantir um lugar no céu e outro no lar da Santa Casa da Misericórdia», escreve a Lusa.
Faltando-me experiência para dar testemunho sobre o divórcio, corro o risco de parecer um padre a falar do matrimónio. Herdei o espírito monogâmico e o hábito de manter os laços conjugais mas sei da vida o suficiente para ter a convicção de que não é o divórcio que interrompe o casamento, é o fim deste que dá origem ao divórcio.
Há almas pias que vêem na consequência a causa e na tentativa de evitar males maiores uma conspiração contra a instituição que os tempos se encarregaram de tornar precária.
Claro que hoje já não é hábito assediar uma divorciada, apontá-la à execração pública e atribuir-lhe a culpa que é apanágio da mulher, uma espécie de complemento do pecado original. Mudaram-se os tempos e as leis, e o divórcio deixou de ser o ferrete vexatório que perseguia a mulher, enquanto o homem, como sempre, gozava de compreensão.
Lembro-me das primeiras divorciadas que conheci e da forma como eram recriminadas pela inépcia na sedução dos maridos, resquícios de tribalismo machista que a sociedade rural e beata se encarregava de perpetuar.
Quando, a seguir ao 5 de Outubro de 1910, a República instituiu o matrimónio, eram vulgares as manifestações de rua com catequistas, celibatárias e padres a condenarem a lei que resolveu situações intoleráveis.
Quando, depois do 25 de Abril, sendo ministro da Justiça Salgado Zenha, se permitiu o divórcio a quem tinha um casamento católico, que a Concordata tinha definido como perpétuo, houve apenas manifestações de júbilo e a faculdade de resolver casos de mancebia, incluindo o do Dr. Sá Carneiro, governante que não via necessidade de uma Concordata.
Agora, 34 anos depois do 25 de Abril, as alterações legislativas para facilitar o divórcio, a fim de o tornar menos traumático, uniram contra si as associações pró-família, vários sectores conservadores, meios religiosos, alguns magistrados e o próprio PR que a idade vai tornando cada vez mais devoto.
Grupos de pressão donde nunca partiu um aviso sobre violência doméstica, pessoas pias que jamais denunciaram maus-tratos conjugais e associações que nunca emitiram uma opinião sobre mulheres assassinadas pelos maridos (são elas as vítimas mais frequentes) vêm agora, tal como aconteceu em Espanha, fazer um enorme ruído sobre uma lei que, na minha opinião, traduz um avanço civilizacional.
É preciso lembrar que o divórcio é a consequência de um casamento falhado e jamais a causa do seu termo. Arrastar pelos tribunais a devassa da vida íntima e a crispação de uma ruptura é acrescentar um sofrimento suplementar para o casal e para os filhos, se os houver. Um tormento inútil por causa de um preconceito.
Quarenta anos depois da publicação da encíclica do Papa Paulo XI, “Humanae Vitae” proibindo o uso da pílula anticoncepcional, cerca de 60 organizações católicas dissidentes pediram ao Papa Bento XVI que autorize a contracepção em uma carta publicada nesta sexta-feira e imediatamente considerada sem fundamento pelo Vaticano. ( A F P )
O Diário de uns ateus é o blogue de uma comunidade de ateus e ateias portugueses fundadores da Associação Ateísta Portuguesa. O primeiro domínio foi o ateismo.net, que deu origem ao Diário Ateísta, um dos primeiros blogues portugueses. Hoje, este é um espaço de divulgação de opinião e comentário pessoal daqueles que aqui colaboram. Todos os textos publicados neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não representam necessariamente as posições da Associação Ateísta Portuguesa.