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Categoria: Não categorizado

27 de Março, 2009 Carlos Esperança

Que desperdício

A caixa de correio do Vaticano vai receber dezenas de milhares de preservativos como forma de protesto pelas recentes declarações do Papa Bento XVI, em África, contra o uso do preservativo para combater a Sida. Os organizadores, um grupo de italianos registados na rede social «Facebook», asseguram que, esta sexta-feira, 60 mil pessoas enviarão preservativos para o Vaticano, noticia o jornal 20 minutos.

Comentário: Os preservativos fazem falta a populações de risco.

26 de Março, 2009 Carlos Esperança

A Igreja católica abandona a Europa

É fácil perceber que o grande inimigo da religião, para além da concorrência, não é o ateísmo mas a liberdade. Quando o aparelho repressivo se desmantela ou deixa de estar ao seu serviço, pelo sucesso das armas ou força das ideias, desagrega-se a fé e o clero.

Na Europa, o último século foi desastroso para o cristianismo e, especialmente, para o catolicismo. O nazismo, sendo um fenómeno secular, nunca poderia ter levado tão longe a demência se o anti-semitismo não fosse apanágio do Novo Testamento e da formação de tantos prelados.

Durante e após a II Guerra Mundial, a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) excomungou todos os comunistas e nunca excomungou um único nazi. Entende-se, pois, como a derrota do nazismo e do fascismo abalou o seu prestígio.

A moral separou-se da religião e os valores já não estão reféns da vontade divina nem de quem reclama alvará para a interpretar. Para desespero do Vaticano, a crença, a descrença e a anti-crença fazem hoje parte dos direitos e liberdades que as democracias garantem.

Mas surpreende a forma como o Vaticano, sempre prudente, vai desistindo da Europa para apostar noutros continentes. Admira que um Papa romano, europeu, prefira as crucificações na Indonésia, o protectorado de Timor e o catolicismo do Opus Dei, na América do Sul, ao cristianismo saído do Vaticano II. Na Europa, de que Bento 16 parece desistir, restam a Polónia, Malta, Irlanda, Croácia e Eslovénia a praticar um catolicismo ao gosto do Vaticano e dos bispos de monsenhor Lefebvre. Resta a opção por África onde a diferença entre a feitiçaria e a transubstanciação do pão e do vinho será difícil de explicar.

A Igreja Católica sabia que, ao excomungar os médicos brasileiros que salvaram a vida de uma criança de nove anos, grávida de gémeos, violada pelo padrasto, desencadearia a ira do mundo civilizado; que a homofobia, comum às religiões do livro, é anacrónica; que a rejeição do preservativo, o meio mais eficaz de prevenir as doenças sexualmente transmissíveis, é moralmente injusta e cientificamente insustentável.

Ao defender dogmas religiosos, sem ponderar a tragédia humana que daí resulta, Bento 16 tornou-se responsável pelo agravamento da epidemia e pela sabotagem dos esforços dos organismos de combate à SIDA, inquietos com a perda do controlo epidemiológico.

A Igreja católica, refém da teologia do látex, é incapaz de abdicar da herança de Paulo VI. Este, contrariando a opinião da vasta comissão de peritos constituída pelo Vaticano e que recomendava que o uso de contraceptivos devia ser uma opção livre dos casais, preferiu avançar com a publicação da encíclica Humanae Vitae. E, assim, enquanto a Igreja acrescenta santos, bulas, encíclicas, excomunhões e dogmas, perde a capacidade de contribuir para o progresso, especialmente em África, onde poderia dar uma ajuda inestimável na luta contra o tribalismo, a corrupção, a fome e as epidemias.

O Papa deixou de ser referência moral e passou a motivo de troça. O que não augura nada de bom porque, no mercado da fé, há pior.

24 de Março, 2009 Carlos Esperança

ICAR ensandeceu

BUENOS AIRES – Um bispo argentino está no centro de uma polêmica por ter dito que “a homossexualidade é uma doença que pode ser tratada e curada, durante uma homilia perante milhares de fiéis católicos, informou nesta segunda-feira, 23, a imprensa local.

Monsenhor Hugo Santiago, membro da Opus Dei e bispo da diocese de Santo Tomé, fez essas declarações na quinta-feira, 19, em uma missa celebrada em Paso de los Libres, no noroeste da Argentina na fronteira com o Brasil.

23 de Março, 2009 palmirafsilva

Repercussões papais em França

As declarações de Bento XVI sobre os preservativos foram muito mal recebidas em França, não só pelo governo como por todos os partidos políticos e por uma série de organizações não govermentais, incluindo os Médicos Sem Fronteiras. De acordo com o jornal du Dimanche, as tolices de Bento XVI mereceram mesmo o desagrado dos católicos franceses, 43% dos quais manifestaram o seu desejo de que o Papa renunciasse.

Ontem, um grupo de activistas resolveu protestar de forma convincente o seu repúdio às bentas declarações e manifestaram-se em frente à catedral de Notre-Dame, distribuindo preservativos e empunhando cartazes com palavras de ordem sortidas. As reacções de alguns tradicionalistas católicos que se seguiram não foram bonitas. Grupos de extrema-direita atacaram fisicamente os manifestantes e obrigaram a polícia a intervir, prendendo 11 dos jovens que cantavam em latim e gritavam «Deixa o meu Papa em paz».
(em stereo na jugular)

23 de Março, 2009 palmirafsilva

De abortos «indirectos» e efeitos duplos

O porta-voz do Vaticano,  Federico Lombardi, tentou suavizar o impacto das tonterias proferidas por Bento XVI em relação ao aborto, que, tal como as barbaridades em relação ao preservativo, tiveram as merecidas repercussões.

Como se pode confirmar no texto publicado oficialmente pelo Vaticano, na sua alocução no palácio presidencial Bento XVI condenou explicitamente o artigo 14 do protocolo de Maputo que prevê o aborto em caso de violação, incesto (que já sabemos serem merecedores de excomunhão latae sententiae ) e para salvar a vida da mulher. E foi especialmente a cratera de impacto da condenação deste último que Lombardi tentou minimizar…

Assim, Lombardi, com imensa subtileza, veio esclarecer  que a Igreja não se opõe a abortos «indirectos» que ocorram durante os cuidados médicos necessários para salvar a vida da mulher. Não sei muito bem onde Lombardi se inspirou para afirmar que a Igreja sempre aceitou o aborto quando a morte do feto não é intencional porque esta interpretação não é pacífica nem universal.  Por outro lado, as palavras cuidadosas que debitou,  não consubstanciando o que são os tais abortos «indirectos», deram azo a interpretações erróneas veiculadas por alguns meios católicos de comunicação.

Isto é, um aborto «indirecto» não é sinónimo de aborto «terapêutico». Tanto quanto sei, não foram revogadas nem a disposição da Congregação para a Doutrina da Fé, que confirma que o aborto terapêutico não é admissível mesmo em casos «de vida ou de morte para a mãe», nem a encíclica Humanae Vitae, que afirma peremptoriamente «o aborto, mesmo por razões terapêuticas, deve ser absolutamente proibido».

De facto, a posição da Igreja Católica face ao aborto «directo», mesmo terapêutico, é um sólido e rotundo não em todas as circunstâncias mas existe um aceso debate sobre a «moralidade» dos abortos «indirectos».

O que é e em que assenta a moralidade de um «aborto indirecto»? Um artifício rebuscado e falacioso que consiste em pretender que certos procedimentos médicos que resultem indirectamente na morte do feto ou do embrião podem constituir uma escolha moral via o princípio do «efeito duplo».

Este afirma que uma acção directa promovida por uma razão moral pode ter um efeito inevitável, não intencional, indirecto e negativo. Mais concretamente, para a Igreja, uma acção envolvendo um efeito duplo só é moralmente aceitável se obedecer aos seguintes requisitos:

– Os efeitos negativos não são desejados e são efectuados todos os esforços razoáveis para os evitar;
– O efeito directo é positivo;
– O efeito negativo não é um meio de obter o efeito positivo;
– O efeito positivo é pelo menos tão importante quanto o efeito negativo.

Assim, no caso de uma gravidez em que se descobre que a gestante tem um cancro no útero, mortal se a gravidez for levada a termo – isto é, se causar a morte da mulher antes da viabilidade do feto -, a maioria dos teólogos afirma que é uma escolha «moral» o aborto «indirecto», isto é, remover o útero (mas não o feto/embrião e o tumor) para evitar a morte da gestante, não obstante a consequência colateral da morte do feto.

O problema de aplicação deste efeito duplo ou aborto «indirecto» em casos que para qualquer outra pessoa pareceriam óbvios, é evidente na gravidez ectópica, bastante frequente infelizmente, sendo a causa principal de morte de mulheres durante o primeiro trimestre de gravidez. Em cada 40-100 gravidezes ocorre uma gravidez ectópica, uma gravidez extra-uterina, frequentemente uma gravidez em que o embrião se fixa nas trompas de Falópio. Este embrião não tem qualquer hipótese de sobrevivência e a mulher corre risco certo de morte se não abortar espontaneamente antes de o embrião crescer o suficiente para provocar a ruptura da trompa.

Uma vez que a Igreja Católica não tem instruções oficiais sobre que tratamentos são lícitos ou ilícitos neste caso existem duas interpretações possíveis. A mais «progressista» exige que a gestante «respeite a vida do filho» e como tal os tratamentos «directos», que envolvem a administração de um mero comprimido ou uma pequena incisão no umbigo e subsequente remoção do feto da trompa, são proibidas. Para ser possível aplicar o «duplo efeito» numa gravidez ectópica, um médico católico «progressista» deve proceder à ablação da trompa onde está implantado o embrião, que envolve uma cirurgia demorada e complexa. Ou seja, é indispensável sujeitar a gestante a uma mutilação e cirurgia desnecessárias apenas para satisfazer as convolutas (i)moralidades católicas.

A maioria dos bioéticos, reconhece que este efeito dupo é uma falácia já que «A distinção entre efeito directo intencional e efeito indirecto é um artíficio. Não podemos evitar responsabilidade simplesmente dirigindo a nossa intenção para um efeito em vez do outro. Se prevemos ambos os efeitos devemos assumir responsabilidade por todos os efeitos prevísiveis das nossas acções».

De qualquer forma a moralidade do duplo efeito é a interpretação «progressista». A interpretação tradicional, em vigor, por exemplo, até muito recentemente no Chile*, baseada numa versão do princípio do século da Enciclopédia Católica, afirma categoricamente que é ilícita qualquer intervenção numa gravidez ectópica, embora reconheça que o embrião é «um agressor injusto»: por muito que «pareça desejável salvar a vida da mãe», o efeito negativo (matar o embrião) é o meio de obter o positivo (salvar a mãe).

* Em 18 de Janeirode 2007, a Câmara de Deputados chilenos declarou admíssivel um projecto de lei apresentado por deputados do PS-PPD-PRSD que pretendia suavizar as draconianas e católicas leis sobre o aborto no Chile, país em que este era ilegal em qualquer circunstância, mesmo para salvar a vida da mulher.

De facto, o aborto foi declarado ilegal no Chile em 1874, na sequência da declaração por Pio IX da imoralidade do aborto, que passou a ser desde 1869 um pecado merecedor de excomunhão automática.

Em 1931 foi criada uma excepção que permitia o aborto terapêutico, o Codigo Sanitario, que foi revogada em 1989 pelo católico exemplar Augusto Pinochet, um reconhecido defensor incondicional da vida.

A partir de 1989 e até Bachelet ter conseguido vencer a oposição da ICAR local, em caso de gravidez ectópica a lei exigia que o feto morresse – o destino certo de uma implantação fora do útero – ou a trompa rebentasse antes de esta poder ser removida (isto se a mulher não tivesse morrido entretanto).

(em stereo na jugular)

23 de Março, 2009 Carlos Esperança

Hipócritas

Luanda, 21 Mar (EFE).- O Vaticano não condena o aborto quando a cura da grávida doente for, inevitavelmente, a morte do filho, afirmou hoje o porta-voz vaticano, Federico Lombardi.

Comentário: Alguém se lembra da posição da Igreja católica, em Portugal, e dos partidos próximos na primeira votação da lei sobre a IVG na AR, relativamente à mesma situação?

19 de Março, 2009 Carlos Esperança

Vaticano e santidade

O mundo não virou santo quando João Paulo I foi chamado à divina presença, como se diz lá na Casa, 33 dias após ter sido designado papa e poucos dias depois de ter anunciado uma investigação ao Instituto das Obras Religiosas (IOR), também conhecido por banco do Vaticano.

São insondáveis os caminhos do Senhor, como soe dizer-se, a partir do bairro de 44 hectares onde se autenticam milagres e emitem diplomas de beatos e santos que nos dois últimos pontificados inundaram os países obedientes a Roma.

Portugal tem sido, aliás, prejudicado, seja por falta de meios para emolumentos, míngua de orações ou incúria dos bispos. Em Espanha foram beatificados e canonizados centenas de mártires, vítimas dos republicanos, e, na onda, até defuntos pouco virtuosos, em vida, ascenderam aos altares. O erro foi irrelevante pois os milagres são obrados por aspirantes à santidade e só excepcionalmente por santos diplomados. Os milagres são impreteríveis para provas curriculares e dispensáveis aos promovidos.
Após a canonização de Nuno Álvares, adiada durante séculos pela aversão de Castela, vá-se lá saber porquê, abriu novo concurso e já se encontram inscritos vários bem-aventurados que aguardam milagres para prestarem provas.

O último inscrito tem relevância pública, obra pia e admiradores indefectíveis. Trata-se do padre Américo que o bispo de Coimbra, Albino Cleto, quer ver nos altares.

No Domingo, dia 15 de Março, deste Ano da Graça de 2009, o virtuoso bispo exortou os fiéis a, através da oração, pedirem a Deus que «haja milagres» para que avance o processo de canonização do padre Américo. «Que Deus o torne ainda mais exemplar, possibilitando um milagre que adiante a causa da sua canonização. Que nós sejamos capazes ao menos de, em comunidade, pedir a Deus que nos dê santos como este» – disse o bispo na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, na homilia de homenagem ao Padre Américo.

Espanta-me, talvez por descrença, esta necessidade da cunha, tão ao gosto local, tão venal, tão pouco recomendável para um deus que devia estar atento à santidade dos melhores e não às pias recomendações episcopais.

19 de Março, 2009 Raul Pereira

ATEU DO ANO…

O troféu de ATEU DO ANO foi atribuído pelo DIÁRIO ATEÍSTA a:

JOSEPH RATZINGER
(Bento XVI)

Pelas causas de: «obstinada propensão para a asneira, a sua indefectível postura
anacrónica, a reincidência na moral obsoleta e a firmeza das suas
posições na defesa da propagação da SIDA» e ainda pelos seus «valiosos serviços prestados à causa do ateísmo e ao generalizado
afastamento da sua Igreja, graças à sua firme antipatia e à sólida
repulsa que consegue para as suas posições».

Por isso teve a honra de receber, das mãos dos colaboradores do Diário Ateísta, a honra do telescópio branco
19 de Março de MMIX