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Mês: Outubro 2015

4 de Outubro, 2015 Carlos Esperança

O santo Opus Dei

Papa ordena que colégio do Opus Dei seja julgado por abuso sexual

Professor é acusado de abuso há 8 anos em escola católica na Espanha.
Pontífice enviou carta à família da vítima.

Da EFE

O papa Francisco determinou que seja feito um julgamento canônico contra um professor e um colégio do Opus Dei na Espanha pelo abuso sexual há oito anos de um aluno da instituição.

Em carta datada em dezembro de 2014 na Cidade do Vaticano, à qual a agência EFE teve acesso, o pontífice informa à família da vítima que enviou a documentação que eles forneceram contando o caso “à Congregação para a Doutrina da Fé para que seja realizado o julgamento canônico do educador e do colégio, mas sem incomodar o menino”.

3 de Outubro, 2015 Carlos Esperança

Homenagem a José Vilhena

Faleceu hoje, aos 88 anos, o ateu, escritor, cartoonista, pintor e humorista português cuja popularidade o tornou desprezado por pretensiosos aristocratas que se acanham a reconhecer-lhe o talento multifacetado.

Iconoclasta, jacobino e democrata era uma figura incómoda. O traço mordaz e a prosa verrinosa valiam-lhe a prisão e apreensão dos livros. É justo lembrar quem tanto gozo proporcionou aos anticlericais no combate solitário que foi a sua imagem de marca.

José Vilhena autorizou a Associação Ateísta Portuguesa (AAP) a utilizar os desenhos com que zurzia os tartufos.

No seu passamento, aqui fica um.

ZE VILHENA

2 de Outubro, 2015 Carlos Esperança

A polícia dorme?

Jovens britânicos denunciam perseguição após deixar islã

Ex-muçulmanos contam que sofreram ameaças e até agressões de familiares por terem optado por abandonar religião de seus pais.

Da BBC

 Alguns britânicos muçulmanos acreditam que abandonar islamismo é pecado que pode ser penalizado com morte  (Foto: BBC)Alguns britânicos muçulmanos acreditam que abandonar islamismo é pecado que pode ser penalizado com morte (Foto: BBC)

A opção de adotar uma religião ou crença diferente da dos pais não é tão simples como pode parecer, é o que vários britânicos que decidiram renunciar ao islamismo tradicional de suas famílias estão sentindo na pele.

Essa opção pode ser vista quase como um crime – como era na época medieval. A decisão de renunciar a uma fé, ou apostasia, está rendendo ameaças e até agressões físicas a jovens britânicos que optaram por deixar o islamismo.

2 de Outubro, 2015 Carlos Esperança

Citação

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1 de Outubro, 2015 Carlos Esperança

Religião, poder e idioma

Quando Dilma Rousseff reivindicou a qualidade de Presidenta da República do Brasil para designar a função, pela primeira vez exercida por uma mulher em todo o espaço lusófono, provocou crispação e animosidade até entre os portugueses mais entusiastas da sua eleição.

Não é a inflexibilidade do idioma luso que o impede, pelo contrário, mas o carácter misógino das religiões abraâmicas, neste caso, da católica.

Deus e o Diabo, anjos e profetas, apóstolos e clérigos não têm feminino. Na angelogia não há ‘anjas’ em qualquer grau referido por Tomás de Aquino na escala decrescente da sua importância: 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos.

A Igreja considera a mulher inferior e impura. Paulo de Tarso, obreiro da primeira cisão conseguida do judaísmo, designava como obscenos o cabelo e a voz das mulheres. Essa misoginia tribal e patriarcal foi responsável pela sujeição feminina durante séculos e ainda influencia o próprio idioma.

Na Igreja não há femininos. Diácono, presbítero, padre, cónego, monsenhor, arcipreste, bispo ou cardeal não têm variação de género. A plausível e longínqua presença de uma admirável mulher no trono pontifício logrou a única exceção – ‘papisa’.

Nas Forças Armadas, apanágio do poder do Estado, não há feminino para soldado, cabo, sargento, alferes, tenente, capitão, major, tenente-coronel, coronel ou general, nem para os postos equivalentes da Marinha de Guerra.

Durante a ditadura fascista era interdito o acesso de mulheres à carreira militar, judicial e diplomática. Não surpreende que a variação de género para o substantivo ‘presidente’ incomode tanto quanto ainda arranha o de embaixadora para quem aprendeu na escola primária a palavra embaixatriz, para designar … a mulher do embaixador, ou juíza para quem nunca previu que pudesse haver mulheres com beca.

Quando o poder era de origem divina, tantas vezes de filhos bastardos ou de progenitura duvidosa, não faltou à língua portuguesa flexibilidade para títulos nobiliárquicos: barão, conde, duque, marquês, infante, príncipe ou rei. Infante tem direito ao feminino que ainda se nega a presidente. Só às mulheres dos beis de Tunes o idioma luso negou o feminino de ‘bainhas’ em analogia com as consortes reais ou princesas favorecidas por não terem irmãos varões.

Bendito jacobinismo da Revolução Francesa. Acabaram os fidalgos, ficaram os títulos.

A desigualdade de género persiste na religião, na política e na gramática. É uma questão de poder.

Apostila: ‘capitã’ é o legítimo feminino de capitão, mas ainda é ilegal nos quartéis, tal como ‘juíza’, que continua ausente do léxico judicial.