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Dia: 17 de Junho, 2005

17 de Junho, 2005 Carlos Esperança

Manifestação em Espanha

Uma manifestação organizada sob os auspícios do Partido Popular e ds bispos espanhóis vai ter lugar amanhã em Madrid, da Praça Cibeles à Porta do Sol, sob o slogan «pelo direito a uma mãe e um pai».

É uma luta que tem o apoio do Papa e de numerosas sucursais do Vaticano entre as quais a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas e o Fórum da Família de Portugal.

É uma manifestação contra as medidas legais em relação ao divórcio e à legalização dos casamentos homossexuais.

É surpreendente que uma Igreja, que nunca fez manifestações contra os assassinatos perpetrados por Francisco Franco, apareça agora na rua contra os homossexuais, uma igreja onde os bispos e os padres ainda se vestem como os travestis.

Talvez seja o ódio ao divórcio que leva o Papa B16, à semelhança dos antecessores, a opor-se ao casamento das freiras e dos padres.

Quem não casa jamais se divorcia.

Fico perplexo com esta sanha à homossexualidade e este radicalismo por um determinado modelo de família, alheio ao fundador da religião cristã, filho de uma virgem e de uma pomba, com um pai desinteressado do sexo que, em muitos anos de casado, manteve virgem a mulher. Abençoada pomba.

17 de Junho, 2005 Mariana de Oliveira

Doutrinar embaixadores

O Papa Ratzinger-B16, no discurso ao embaixador maltês, teve a oportunidade de sublinhar a importância das «raízes cristãs da Europa». «Os malteses, coerentes com o seu património cristão, apercebem-se da importância da sua missão nesta fase da história europeia e mundial», disse. Bento XVI reiterou ainda que «Malta deve esforçar-se para que a União Europeia do terceiro milénio não esqueça o património de valores religiosos e culturais do seu passado». Valores religiosos que se opõem ao divórcio, à liberdade sexual, ao casamento de pessoas do mesmo sexo ou à investigação de células estaminais.

Por sua vez, ao embaixador da Nova Zelândia, B16 falou dos problemas da laicidade e da secularização das sociedades modernas, lembrando que «onde as raízes cristãs da sociedade são cortadas, a tarefa de manter a dimensão transcendente presente em cada cultura torna-se difícil». Claro que se esqueceu que os valores da laicidade e do secularismo existe para que as dimensões transcendentes de cada cultura não se sobreponham umas às outras no domínio público e que, assim, não se beneficiem certos grupos de indivíduos apenas por serem desta ou daquela cultura transcendental.

Ratzinger teve ainda tempo para afirmar que «para o bem da comunidade, é necessário que a liberdade religiosa seja garantida como um direito fundamental, protegido por um robusto sistema legal que respeite a vida e as regras próprias das comunidades religiosas». Claro que ele se refere ao seu – e apenas ao seu – conceito de vida e de respeito pelas regras de cada comunidade religiosa.