VIDA DEPOIS DA MORTE (1)
No passado dia 17 de Junho teve lugar, no Auditório Municipal de Gondomar, uma palestra subordinada ao tema “Ciência e Espiritualidade – A Vida Depois da Morte”, com a presença de Luís Portela, médico, empresário e Presidente da Fundação Bial, apresentado pelo meu amigo Mário Augusto, companheiro de lides televisivas e jornalísticas desde há 40 anos.
Luís Portela foi colaborador do Jornal de Notícias nas décadas de 1980/90, onde publicava artigos de opinião e eu ilustrei alguns deles. Sabia, desde então, do seu interesse no tema. É uma personalidade reconhecida pelo seu notável percurso profissional e pela abordagem rigorosa e científica que faz às questões da consciência, da espiritualidade e da relação entre Ciência e experiência humana.
Portanto, pela sua formação científica, Luís Portela não pode ser considerado “defensor do indefensável”, como à primeira vista pode parecer a frase “vida depois da morte”.
Eu fui assistir. Portela deu o exemplo de uma criança recordar “situações vividas noutra vida passada”… presumo que na Inglaterra ou Alemanha… não registei convenientemente a informação, o que levou um grupo de estudiosos a deslocar-se à cidade onde teria vivido (há imensos anos) a personagem que a criança dizia ser. Encontraram familiares da tal personagem que atestaram os factos que a criança disse ter vivido numa vida passada.
Isto remeteu-me a memória para uma série de artigos publicados no jornal O Primeiro de Janeiro na década de 1960, onde se registavam experiências idênticas sob o título genérico “Mais Estranho do Que a Ficção”. De um desses relatos (transformado em clássico, já divulgado com versões aproximadas) recordo a história: um automobilista (presumo que em Inglaterra), numa madrugada fria e chuvosa, encontrou na estrada uma mulher jovem, vestida de branco, que lhe fez paragem e pediu boleia para uma determinada morada. A meio da manhã o homem reparou que a jovem deixou uma pequena carteira no banco do carro. Voltou à morada para a devolver, bateu à porta, foi atendido por um casal idoso que garantiu não haver nenhuma jovem lá em casa, e muito menos que tenha chegado de madrugada!
No decorrer da conversa que o automobilista fez questão de salientar que não sonhou nem tinha bebido… o casal idoso foi buscar uma fotografia de uma jovem, que o homem reconheceu como sendo a mulher a quem deu boleia… era filha daquele casal… mas já havia falecido há três décadas!
Perante relatos destes, eu tenho duas reacções. De acordo com a personalidade do relator, eu acredito ou não acredito. Devo confessar que tenho “um caso enigmático em minha casa”: a minha filha tem experiências idênticas vividas por si… e eu acredito nela porque a eduquei e sei que não mente nem inventa as situações que diz ter vivido. Do mesmo modo reconheço ao doutor Luís Portela seriedade científica para aceitar a honestidade dos seus discursos, tal como aceito os da minha filha… mas não encontro racionalidade neles!… É um túnel sem luz ao fundo… o que não ajuda a dissipar o enigma de modo que me leve a compreender a narrativa com naturalidade e sem dúvidas, percebendo-a.
Vou dedicar dois ou três artigos a este caso para poder transmitir aos meus leitores a minha opinião sobre o assunto “Vida depois da Morte”.
(Continua)
Perfil de Autor
Onofre Varela nasceu no Porto em 1944, estudou pintura e exerceu a atividade de desenhador gráfico em litografia e agências de publicidade, antes de abraçar a carreira de jornalista (na área do cartune), em 1970, no jornal O Primeiro de Janeiro. Colaborou com a RTP, desenhando em direto a informação meteorológica no programa Às Dez e animando espaços infantis. Foi caricaturista e ilustrador principal no Jornal de Notícias, onde também escreveu artigos de opinião, crónicas e entrevistas.
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CATEGORIES
Arte e cultura Ateísmo Cristianismo Diário de uns ateus -
DATE
21 de Julho, 2026 -
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