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Dia: 28 de Março, 2007

28 de Março, 2007 Carlos Esperança

Carta aberta a Bento 16

SANTIDADE:

O Diário Ateísta vem expor e pedir a Vossa Santidade* o seguinte:

Sabendo que Vossa Santidade (V/S) ficou muito envergonhado com a revelação do 3.º segredo de Fátima que o seu supersticioso antecessor levou a sério e julgou ser para ele;

Sabendo que, por isso, V/S relativizou a importância dada por JP2, disfarçou a vergonha e considerou as aparições de Fátima como revelação privada;

Sabendo que no final de 2006 não aceitou o convite do bispo de Leiria, que foi seu aluno, para se deslocar ao Santuário e inaugurar a Igreja da Santíssima Trindade (um excelente e lucrativo estabelecimento comercial) e beatificar os outros dois videntes (que nada viram);

Sabendo que não foi uma questão de seriedade, virtude a que os Papas são alheios, mas o medo do ridículo e a vergonha de que o considerassem estúpido, sentimentos a que os homens são sensíveis;

Sabendo tudo isso, sabemos também que os negócios religiosos não se compadecem com essas idiossincrasias de um Papa inteligente e sem fé, autoritário e frio.

Em Fátima jazem já 55 quilos de milagres enviados por infelizes a quem se salvaram da moléstia as galinhas, o filho arribou do sarampo ou o marido perdeu uma única perna no acidente (teria perdido as duas se a Ir. Lúcia não pedisse à Senhora de Fátima que pediu ao filho para pedir ao pai, graças a duas novenas) e muitos outros prodígios de grande sabor rústico e elevado efeito supersticioso.

Assim, sendo as coisas o que são, sabe-se que Lúcia vai ser canonizada e render grossos cabedais ao Vaticano e à ICAR portuguesa.

Atrasar a canonização só prejudica a fé e os negócios.

Em face do exposto, o Diário Ateísta vem pedir-lhe que dispense a bem-aventurada, no dia do centenário do seu nascimento, do interstício de beata e a eleve logo a santa.

Ficam felizes os beatos, ganha a fé e, depois de dois milénios de grandes mentiras, esta é uma pequena nódoa no lodaçal da História da ICAR.

Sr. Bento 16, o Diário Ateísta, espécie de Osservatore Romano dos ateus portugueses, pede deferimento,

Aos 28 dias do mês de Março do Ano da Graça de 2007, centenário da Ir. Lúcia
a) Diário Ateísta

* Santidade = profissão e estado civil.

28 de Março, 2007 Carlos Esperança

A beatificação da Irmã Lúcia

ultrapassaram as três arrobas e meia os milagres da mais antiga reclusa do mundo que hoje faria 100 anos.

Os milagres são como os cogumelos, que crescem numa noite e podem ser tóxicos. A Ir. Lúcia, enclausurada em vida, logo que morreu abriu a época dos milagres ao ritmo a que tinha visões. Os crentes esperam milagres melhores que os dos primos. Curaram a D. Emília dos Santos que ficou a andar mal e logo se finou, cheia de saúde, enquanto o processo médico desapareceu da Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde esteve internada.

A Ir. Lúcia está para a Igreja Católica como a electricidade para a EDP. É uma fonte de negócio altamente lucrativa e com assinantes certos. Em vida, falava com a Senhora de Fátima acerca da política e da moral, recebeu a visita de Cristo na cela, em Tuy, e foi ao Inferno visitar o Administrador do Concelho de Ourém, que não ia à missa.

Na cela, coçava-se, sobretudo quando a sarna a atormentou, e rezava pela conversão da Rússia. Comercialmente divulgou o terço e os horrores de que Deus é capaz quando anda com a mosca que é outra forma de dizer que não está no juízo perfeito.

Como se habituou a pedir favores divinos, pagos em orações, levou o vício para a cova. Enquanto não é canonizada, peçam-lhe milagres que ganha ela e os devotos. Ela precisa de subir aos altares para alimentar o negócio da fé e os crentes para se curarem dalguma moléstia em que a bem-aventurada esteja calhada ou que a senhora de Fátima saiba.

Orem e roguem milagres. O trabalho é pouco católico e cada vez pior remunerado.