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Dia: 15 de Março, 2007

15 de Março, 2007 Carlos Esperança

B16 nega a hóstia aos divorciados

B16 julga que a hóstia está para os católicos como a morfina para os drogados. O dono do Deus católico pensa que os casais que sentiram a síndrome de privação de parceiro/a e reincidiram no matrimónio terão obrigatoriamente síndrome de privação da eucaristia.

A hóstia faz tanta falta a um cidadão como a palha a um carnívoro. B16 quer fazer crer que a rodela é um suplemento vitamínico para a alma, capaz de a conduzir ao Paraíso.
Não sabe que o homem embotado pela fé é o único que distingue a hóstia consagrada das outras, que aprecia o valor nutritivo do placebo, que engole a partícula convencido que leva carne de cabidela, com o corpo e o sangue do fundador da seita.

Claro que o Papa tem o direito de dizer quem pode ou não pode degustar a hóstia com a benzedura, de joelhos aos pés de um padre. Pode até proibi-la aos coxos e divorciados e aconselhá-la aos cegos e eunucos, mas não pode impedir um guloso de se empanturrar em hóstias recheadas de ovos-moles na pastelaria da esquina.

Este Papa é um velho inquisidor e um déspota que quer a humanidade de joelhos ou de rastos, mas não se lhe pode negar o direito de dirigir a Empresa como entender. Foram cardeais accionistas que lhe conferiram esse direito e a clientela só se mantém se quiser.

A única coisa que homens livres não podem consentir é que a fé volte a ser obrigatória. O Estado deve ser laico e ignorar as diversas religiões que disputam o mercado, a fim de poder ser neutro na imposição da ordem quando os conflitos da concorrência e as brigas teológicas extravasarem a esfera pessoal da clientela mística.

O perigo das religiões é uma evidência antiga que os tempos modernos provaram que pode ser contido.