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Dia: 14 de Março, 2007

14 de Março, 2007 Carlos Esperança

B16 – De JP2 a pior

As multinacionais químicas e farmacêuticas, as que mais se aproximam do Vaticano, diferem na qualidade dos produtos e nos testes de qualidade a que os submetem. Quanto aos negócios há semelhanças embora o director-geral não se imiscua nas campanhas de marketing que deixa ao cuidado do respectivo Director.

No Vaticano o ditador vitalício, farto de fracassos comerciais, da perda de clientela e do fervor que o antecessor disfarçava com as encenações ao ar livre e os batalhões de fotógrafos que o seguiram, pretende relançar velhos produtos regressando às antigas coreografias e ao latim. As indulgências estão desacreditadas, os milagres são fonte de troça e as relíquias apodrecem com o tempo e a falta de fé.

Quanto à música, excluído o cantochão, já se sabia que B16 teme a propensão lasciva de certas melodias que, em absoluto, proscreve dos templos e da proximidade dos Cristos dependurados a quem os abalos eróticos podem romper a tanga.

A avaliar pelas exortações do regedor, o Vaticano continua a combater homossexuais, divorciados e padres casados.

O latim vai entrar em alta mas as manifestações exuberantes de cumprimentos cristãos durante a missa não podem confundir-se com os afagos das casas de alterne.

B16 sabe, como ninguém, que a religião é uma coisa arcaica e nada como o regresso ao passado para restituir o habitat das manifestações litúrgicas e a confiança em Deus. Não às confissões colectivas onde o padre fica sem saber quem dormiu com quem e quem fez mão baixa dos crucifixos de prata que desaparecem das igrejas.

Para já, a ICAR volta aos bons costumes e ao latim. Depois ao medo do Inferno. E, finalmente, às fogueiras da Inquisição. Sem castigos a doer quem tem medo de Deus?

Mas os tempos vão maus para o negócio da fé.

14 de Março, 2007 jvasco

Resposta a algumas críticas

Faz três dias que coloquei neste bolgue uma tradução de um video em que alegava que a Bíblia é repulsiva.
As respostas que obtive em ambos os casos, quando não se limitaram ao simples insulto ou à crítica vazia, parecem ter sido semelhantes aquelas que o autor recebeu. Daí a sua concepção de um video tão adequado para lhes responder.
A todos os que se indignaram ou responderam quando coloquei os videos referidos, aconselho vivamente que vejam este:

14 de Março, 2007 jvasco

E o mistério dos mafaguinhos.

[Um leitor] pediu-me para explicar porque é que a vida não é um mistério. Tentei fazê-lo no último texto: «vida» é uma categoria arbitrária, com critérios flexíveis que aplicamos de forma diferente a coisas diferentes. Tal como o grande, o pequeno, o liso, ou o aborrecido, a vida não é um fenómeno que tenha que ser explicado. É mais uma das formas como classificamos as coisas.

[Esse leitor] não gostou da explicação, mas não explicou porquê. Pior ainda, não esclareceu o que queria dizer com «vida» nem identificou o mistério que queria explicado. É esta a fonte dos mistérios de muitos crentes.

Espiritual. Sobrenatural. Sagrado. Divino. Ou usar palavras com maiúscula. Toda a gente tem uma ideia do que é a verdade, por isso falam da Verdade, que é para não se perceber exactamente o que é. Os mistérios da crença assentam na ambiguidade de termos que não são definidos. Sendo incompreensíveis, não admira que sejam misteriosos.

É o mistério dos mafaguinhos. É apenas o mistério de não se saber de que raio se está a falar. Se fizessem um esforço para definir os termos dariam o primeiro passo para substituir o mistério por compreensão. Mas talvez seja esse o problema… é mais fácil venerar o misterioso que o compreendido.

——————————–[Ludwig Krippahl]