Loading

Dia: 11 de Março, 2007

11 de Março, 2007 Carlos Esperança

As religiões do livro

A origem do judaísmo, cristianismo e islamismo é oriunda da mesma mentira ancestral, criada pelo medo e mantida pela repressão e é difícil dizer, das religiões, qual a pior. Todas as religiões são más. Pior só o clero que as promove e vive à custa delas.

O Islão é um plágio grosseiro do cristianismo, sem contacto com a cultura helénica e o direito romano. É hoje um foco de infecção mística e o manicómio da fé. Os dignitários islâmicos, xiitas ou sunitas, são iguais aos padres da Inquisição, um bando de exaltados piores do que o Deus que injectam nas crianças e com que desvairam os crentes. O Islão é um vírus à espera da vacina que o contenha – o Laicismo.

O Judaísmo é uma religião cujo declínio se esbate no sionismo agressivo e nos judeus das trancinhas que pretendem ganhar o Paraíso a destruir o Muro das lamentações à cabeçada. Sob o ponto de vista religioso deixou de ser um perigo. É, sobretudo, vítima do anti-semitismo cristão e islâmico.

O cristianismo é um barco que mete água. A ciência produziu-lhes rombos no casco e o navio ficou à deriva. Os escândalos dos seus padres fizeram descrer da boa conduta do seu Deus. O Renascimento, o Iluminismo e a Revolução Francesa debilitaram o poder do clero e deram origem às modernas democracias. No pântano da fé tem sido possível germinar a liberdade. São cada vez menos os crentes e cada vez mais moderados.

Claro que o calvinismo é intolerante; o protestantismo evangélico, agressivo; a Igreja Ortodoxa, retrógrada e o catolicismo, fraudulento. Não há religiões boas, mas há cada vez mais crentes que acreditam cada vez menos e que têm vergonha do que dizem os seus padres. Os milagres da Igreja católica romana envergonham os mais sensatos e conduzem ao abandono dos mais pudicos. Os números de circo para os meios rurais são motivo de vergonha e escárnio para os meios urbanos e alfabetizados.

A Igreja católica está em coma. O Papa é um ditador que só os empregados temem. Os bispos são o adereço gracioso das inaugurações a manejar o hissope nos países onde a tradição e o défice de vergonha dos governantes os convidam.

Há seminários vazios, igrejas às moscas e padres a mudar de ramo. As hormonas e a fé tornaram-se incompatíveis. Enquanto o Papa persiste numa moral anacrónica, os padres esquecem-se dos espinhos do seu deus, procuram a macieza dos lençóis e esquecem a castidade.

Deus está desacreditado. Um destes dias o Diabo faz uma OPA amigável e os homens libertam-se de um e de outro, duas criaturas que fizeram a infelicidade da humanidade durante séculos.

11 de Março, 2007 jvasco

A tradução possível

Já tinha colocado neste espaço um pequeno video a respeito do quanto a Bíblia é repulsiva. O video era narrado em inglês, mas recentemente foi traduzido para português (do Brasil). A tradução poderia estar melhor, mas já é uma ajuda simpática para divulgar esta mensagem:

11 de Março, 2007 jvasco

Ao Acaso (parte 3 de 3).

Olhos, patas, asas, flores, antenas, cílios. Estas coisas não surgiram por acaso, e é por isso que queremos explicar como surgiram. Se fosse por acaso arrumava-se o assunto com um «olha, calhou». Antes de Darwin dizia-se que um deus tinha criado isto tudo, mas esta explicação deixava de fora o mais importante: como? Darwin e Wallace explicaram como.

Considerem os vossos antepassados. Pais, avós, bisavós, e assim por diante. Todos tiveram pelo menos um filho, sem excepção. E não foi por acaso, pois só tendo filhos é que se pode ser antepassado. Este é o poder da selecção natural como explicação. Porque é que tanta gente tem a capacidade de ter filhos? Porque herdamos características dos nossos antepassados, e todos os nossos antepassados tinham esta capacidade.

Então porque é que alguns não conseguem ter filhos? Isso já é por acaso. Ou seja, é por factores que não conseguimos incluir nesta explicação. Então a selecção natural não explica tudo, dirão os criacionistas. Pois claro que não, mas isso é bom sinal. Contrastem com o criacionismo. Porque é que a maioria consegue ter filhos? Porque um deus quis. E porque é que alguns não conseguem? Porque o mesmo deus quis. Isto nem é explicação. Mais vale dizer que sim porque sim, e poupar umas palavras.

Que os antepassados tiveram filhos não é muito informativo, mas outras características seguem o mesmo padrão. Os nossos antepassados foram mais saudáveis que a média nas suas gerações, e também por selecção natural. Era mais difícil ser antepassado quem nascia cego, surdo, sem braços, hemofílico, diabético, e tantas outras coisas. Os nossos antepassados que viveram expostos a certas doenças ou condições agrestes eram, em média, mas resistentes a estas adversidades que os seus contemporâneos. Nos tempos em que a inteligência era uma vantagem, os nossos antepassados eram, em média, mais inteligentes que outros das suas gerações.

Para cada antepassado o acaso teve um papel importante. Não é certo que o mais saudável ou mais inteligente se conseguisse reproduzir. Mas como vimos nas outras partes desta mini série, quando o número é grande muito do acaso se torna certeza. E nós tivemos muitos antepassados. Foi assim que Darwin explicou como surgiu o que ajuda a sobreviver o suficiente para ter filhos.

Mas ainda sobra muita coisa. Os nossos antepassados provavelmente tinham, em média, tantos pelos nas sobrancelhas como os seus contemporâneos e os olhos da mesma cor que os dos seus vizinhos. A nível molecular, onde muitas diferenças não trazem consequências, foi puro acaso se esta ou aquela variante de um gene ficou num antepassado. Ironicamente, e apesar do título da obra de Darwin, o acaso é um dos factores principais na origem das espécies. Populações isoladas vão acumulando diferenças por acaso. Numa é este gene que se espalha, noutra é outro que não dá qualquer vantagem mas que por sorte se propagou mais. Com o passar dos tempos as diferenças acumulam-se e os cruzamentos tornam-se menos férteis, estéreis, e eventualmente impossíveis.

Como o óleo na água e o sistema imunitário, também a evolução é um misto de acaso e de factores que a impelem numa direcção. O acaso introduz variantes, faz populações divergir, separa espécies, cria, inova. Para melhor e para pior, conforme calhe. Mas para ser antepassado também conta ter mais daquilo que é preciso para se reproduzir. Pode ser um corpo mais esguio ou mais parecido com uma rocha. Pode ser um veneno mais forte ou mais resistência a venenos. Pode ser uma barba rija ou uma cara macia. Fosse o que fosse, se dava vantagem os nossos antepassados tinham-no a mais que os outros.

É isto que explica porque há trezentas e cinquenta mil espécies de escaravelho. É isto que explica asas, patas, e olhos. É isto que explica porque somos tão diferentes em certas coisas e tão parecidos noutras. É isto que explica os fósseis, as árvores filogenéticas, a resistência aos antibióticos, a anemia falciforme, e inúmeros outros detalhes, desde a biologia molecular à ecologia. É uma teoria complexa, enorme, e sempre a mudar conforme aprendemos mais e temos mais para explicar. E neste momento não há nada que lhe chegue perto a explicar tudo isto.

——————————–[Ludwig Krippahl]