Loading

Dia: 30 de Janeiro, 2007

30 de Janeiro, 2007 jvasco

A Igreja e a promoção da castidade

D. José Policarpo considera que a castidade surge como uma «vivência generosa e responsável da própria sexualidade».
Tudo bem, é a opinião dele. Eu tendo a não julgar a vida sexual alheia, desde que consentida entre os maiores envolvidos, e percebo perfeitamente que alguém teça estas considerações a respeito de qualquer forma de viver a sexualidade, desde as mais comuns na nossa sociedade, às menos comuns. Heterossexualidade, homossexualidade, sado-masoquismo, castidade, enfim… não me parece que se possa dizer que uma destas formas de viver a sexualidade é superior às outras, e que qualquer uma delas mereça algum desrespeito.

É por isso que gosto de viver numa sociedade que é extremamente tolerante para com a castidade, mesmo por opção do próprio. Não existem muitos casos de pessoas discriminadas, ou no acesso ao emprego, ou de qualquer outra forma tão injusta e flagrante, por decidirem optar pela castidade. É certo que é anti-natural, mas nunca dei qualquer espécie de valor a esse critério.

O que é certo é que todos os que optam pela castidade devem ser respeitados pela sua opção, e nós devemos entender que é uma opção que só a eles diz respeito. Nem condescendência, nem paternalismos, nem esforços para os fazer «mudar»! A castidade é uma opção tão legítima quanto qualquer outra.

No entanto, sou um pouco contra que se tente orientar o sistema educativo para promover esta opção em particular: «educação sexual é necessária mas deve apontar para a castidade»?? Não deve apontar para nada!

Não deve apontar para a homossexualidade, não deve apontar para o sado-masoquismo, não deve apontar para a castidade, não deve apontar para a heterossexualidade, não deve apontar para nada a não ser para uma escolha livre. A não ser para conhecer os riscos e a forma de se proteger deles. A não ser para conhecer o mundo que nos rodeia, e para ser responsável na opção que tiver sido tomada livremente.

30 de Janeiro, 2007 Ricardo Alves

Não há catolicismo progressista

Não há catolicismo progressista. Nunca houve. O que existe são católicos que tentam conciliar a sua pertença a uma organização autoritária e totalitária com o seu apreço pela democracia e pela tolerância. Mas a ICAR não é uma democracia, o catolicismo não é uma doutrina de tolerância, e a laicidade não é cristã.
30 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

Hospitais – Infecções religiosas

Os hospitais portugueses são a coutada predilecta do proselitismo com especial destaque para a religião católica.

A presença do capelão é paga pelo erário público a 100%, enquanto os medicamentos e os serviços médicos, cujo valor terapêutico não é inferior, têm taxa moderadora.

Nas enfermarias diz-se a missa e distribui-se a comunhão aos crentes, à hora das visitas, impedindo os amigos e familiares dos outros doentes, por respeito ou intimação, de falar com os acamados que foram visitar.

As paredes de algumas enfermarias parecem montras de quinquilharia sacra decoradas com cruzes, imagens pias e fotos da Irmã Lúcia, como se os micróbios se afastassem da iconografia santa como os administradores do Estado se afastam do cumprimento da lei.

Os Hospitais da Universidade de Coimbra previram um espaço para reflexão de crentes e não crentes, despojado de adereços pios e alfaias litúrgicas. Algum tempo depois apareceu uma enorme cruz sem que alguém tenha reclamado o milagre ou reparado o abuso.

Depois, chegou a Virgem, posteriormente a imagem do santo patrono do hospital, um hospital sem patrono é como um cão sem dono, e finalmente o lugar transformou-se na capela católica com o espaço público apropriado de forma permanente e definitiva (?) por uma confissão religiosa.

É este proselitismo provocatório, a mansa e beata penetração do incenso e da água benta pelos interstícios da nossa indiferença que vai minando a liberdade religiosa e impondo o totalitarismo católico.
Até os médicos do Opus Dei começam o dia de trabalho com uma oração naquele local. É uma forma de darem público testemunho da fé e justificarem a apropriação do espaço.