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Dia: 11 de Janeiro, 2007

11 de Janeiro, 2007 Carlos Esperança

Como se mantém a religião

Para fazer um padre católico era necessária uma longa reclusão no seminário onde se dominava a vontade e se vigiavam as hormonas numa camarata de adolescentes sob a guarda de um vigilante que lhe exigia as mãos fora dos lençóis, nas noites frias de Inverno, ou lhe velava o sono com o bafo quente no pescoço.

Para criar uma freira era preciso que a miséria fosse grande ou os interesses da família aconselhassem a reclusão.

Para criar um bispo sempre foi necessário um padre dócil que seguisse os ensinamentos do Papa e andasse de rastos junto dos superiores e fosse autoritário perante os crentes.

Para sustentar uma religião é preciso o braço secular, a mentira milenar e milhões de supersticiosos que divulguem, ampliem e façam proselitismo da intrujice.

Mas é preciso, sobretudo, que o clero domine o poder.

11 de Janeiro, 2007 jvasco

Ciência e Sobrenatural

«Por azelhice minha não reparei que o Santiago tinha criticado o meu post sobre as alegadas limitações naturalistas da ciência. Peço desculpa pela falha, e vou aqui responder às criticas, que desde já agradeço.

Eu proponho duas coisas. Primeiro, que não importa para a análise científica de um fenómeno se o chamamos de natural ou sobrenatural. Segundo, que o conhecimento científico moderno é naturalista porque não há nada de sobrenatural no universo em que vivemos.

Vou começar pelo segundo, que o Santiago criticou desta forma:

«O meu agnosticismo militante impede-me de aceitar sem um pio a peremptória afirmação de o Universo não ter sido equipado com “acessórios” sobrenaturais (como é que ele sabe? Foi algum “ser sobrenatural” que lhe garantiu a sua própria não existência?)»

O agnosticismo é irrefutável, pois podemos decidir exigir sempre mais evidência. O que é difícil é fazê-lo com coerência, mas disso falarei noutra altura.

No século XVII o químico alemão Georg Ernst Stahl propôs que as substâncias combustíveis contém flogisto, que se libertava para o ar durante a queima e que era absorvido pelas plantas. Lavoisier acabou por demostrar que era ao contrário, que era o oxigénio que se ligava ao combustível e não o flogisto que se libertava. Mas antes da ideia do flogisto ser consensualmente rejeitada houve quem propusesse que o flogisto tinha massa negativa, para explicar porque a queima de algumas substâncias fazia aumentar a sua massa. Parece-me que já era uma hipótese bem próxima do sobrenatural. A lepra, as tempestades, a origem da vida e das espécies, e muitos outros fenómenos já foram rotulados de sobrenatural enquanto não foram compreendidos. Hoje em dia tudo o que observamos e compreendemos aparenta ser natural. O sobrenatural foi, e é, sempre o que nunca se observou (deuses e espíritos invisíveis) ou o que não se compreendeu. Não posso rebater o agnosticismo do Santiago se ele exige certezas absolutas, mas a tendência é clara e a preponderância da evidência reunida até agora favorece a hipótese de não haver acessórios sobrenaturais neste universo.

A outra questão é se a ciência como método pode avaliar hipóteses acerca do sobrenatural. Eu dei o exemplo de dois modelos para a fertilidade do solo, um baseado na química e outro na influência de espíritos ou deuses, e propus que se comparasse os modelos numa experiência controlada: fertilizantes químicos de um lado, rezas do outro, e ver o que produzia mais. A objecção do Santiago parece-me estranha:

«Não me parece particularmente feliz ir buscar o exemplo de uma actividade puramente tecnológica (a agricultura) para argumentar que devemos preferir a explicação científica por ser a mais bem sucedida.»

Não vou comentar a implicação que devemos preferir, como explicação, a explicação menos bem sucedida. O importante aqui é que a ciência, como método, consiste em compreender um fenómeno através de modelos desse fenómeno. Para cada modelo deduzimos consequências, comparamo-las com o que observamos do fenómeno, e seleccionamos os modelos mais adequados ao que observamos. É praticamente inevitável que um modelo adequado permita alguma aplicação prática, tecnológica, desse conhecimento, daí ser estranha a objecção do Santiago. Mas não preciso ficar-me pela agricultura. Qualquer modelo que faça previsões acerca dum fenómeno observável pode ser testado desta forma, seja natural ou sobrenatural. Talvez o Santiago possa dar um exemplo de um modelo sobrenatural que faça previsões concretas mas que não se possa testar.

O problema é a ideia comum que a ciência lida com a natureza. Não é verdade. A ciência lida com modelos: ideias, hipóteses, teorias, especulação. São esses que a ciência constrói, rejeita, repara, compara, aperfeiçoa. Como os modelos são sempre modelos de algo, é necessário observar algum aspecto desse algo para obter os modelos mais adequados. Mas esse algo basta que seja observável. Se é natural não natural é indiferente.

O que está para além da ciência é aquilo que não se pode observar (como criar modelos disso?) ou modelos que não se consegue ligar a nada (mas para que servem esses?). Mas talvez seja isso que quer dizer a palavra sobrenatural: modelos incompreensíveis de coisas que nunca se observa.»

——————————–[Ludwig Krippahl]

11 de Janeiro, 2007 Ricardo Alves

Do direito a acreditar que a Terra é plana

Eu acho que os crentes têm direito a acreditar que a Terra é plana. Têm direito a propagandear essa boa nova e o «conforto espiritual» que lhes dá. A juntarem-se para cantar canções sobre a felicidade planista. Podem até fundar escolas e ensinar que a Terra é plana e que nós vivemos do lado de baixo durante a noite, e do lado de cima durante o dia. E podem editar jornais e comprar canais de televisão que promovam essa ideia salvadora, a planura do nosso planeta.

O que me aborrece é que quando digo que a Terra é (aproximadamente) esférica me chamem intolerante; que quando apresento provas da sua esfericidade, me insultem e me tentem calar; que quando defendo que a escola pública deve ensinar apenas a teoria da Terra esférica e suas provas, me acusem de promover o ateísmo de Estado (mesmo que eu garanta que a escola não deve refutar a teoria da Terra plana…); finalmente, quando digo que acreditar na Terra plana é uma credencial menos do que boa para fundamentar opiniões sobre a IVG ou sobre se a mulher pode iniciar o divórcio, acusam-me de querer ilegalizar a religião.

Arre!
11 de Janeiro, 2007 Palmira Silva

Furacão Macedo

Versão melhorada do novo logotipo da DGCI, igualmente da Associação República e Laicidade

Os devotos do costume, que consideram estar acima da lei todos os que agem em nome de um mito, regurgitaram os comentários «piedosos» a que já nos habituaram no post que informava a clara violação da lei nacional cometida por Paulo Macedo, director-geral dos Impostos, que, para além de violar a laicidade do Estado, é igualmente intimidatória para todos os funcionários da DGCI que não frequentem missas e demais manifestações católicas. Para além, claro, de ser uma «estratégia manhosa do dr. Macedo para impor ao Governo a sua recondução com um vencimento superior ao de George Bush»!

A falácia encontrada para justificar a violação da lei cometida pelo devoto Opus Dei assentava nas supostas ética e eficiência profissionais exemplares que seriam o ex-libris do dito alto funcionário do Estado português, agraciado por obra e graça de espírito santo Manuela Ferreira Leite com poderes e salário inauditos (para além de beneficiar da revolução informática, que não obstante os seus esforços em contrário, agilizou as Finanças).

Por informação de um dos nossos leitores mais atento parece-me que as exemplares virtudes éticas e profissional apontadas se resumem ao proselitismo e devoção católicos de que deu provas q.b., nomeadamente na presteza com que interpretou da Concordata a isenção da Igreja em sede de impostos.

Por exemplo, em relação à «exemplar» ética fiquei a saber que:

«Paulo Moita de Macedo, o director- geral dos Impostos, a quem foi instaurado um ‘processo de execução fiscal’ por dívidas em contribuição autárquica referente a 2001, viu a sua propriedade na aldeia de Santo Estêvão, concelho de Benavente, avaliada em 70 mil euros, quando os preços de mercado ‘atingem algumas centenas de milhares de euros, de acordo com algumas fontes. É uma “casa de campo’, afirmam, que facilmente ultrapassa a quantia apurada para efeitos fiscais.»

Em relação à eficiência profissional parece-me muita parra e pouca uva, isto é, como confirma o Jumento, muita propaganda, poucos resultados:

«continuam por cobrar nos serviços de Finanças 13,98 mil milhões de euros, um valor que equivale a 9,5% do PIB português, noticia hoje o Jornal de Negócios.

Esta dívida tem vindo a crescer todos os anos, desde pelo menos 2001, e daria para pagar dois défices orçamentais. De acordo com o Relatório de Actividades da Direcção Geral dos Impostos (DGCI) de 2005 (…) Este valor cresce 4% em relação a 2004 quando a administração fiscal se tinha comprometido a reduzi-lo em 9,4% no período de um ano».

11 de Janeiro, 2007 Palmira Silva

A laicidade das Finanças

Paulo Macedo, director-geral dos Impostos e quadro do BCP, encomendou uma missa de acção de graças pela DGCI e pelos seus funcionários, para que todos – independentemente da confissão ou falta dela – foram convocados. A cerimónia realizou-se ontem, às 18 horas e 30 minutos, na Sé de Lisboa.

Certamente que o quadro do banco do Opus Dei, que aufere de um vencimento bruto superior a 23 mil euros, terá muito que agradecer à «Obra divina» pelo facto de permanecer há mais de dois anos em flagrante violação da lei que determina não poderem ter salário superior ao do primeiro-ministro (5.360,58 euros) os altos dirigentes do Estado.

E, como afirma Eduardo Moura num artigo absolutamente indispensável no Jornal de Negócios:

«Visto por dentro da convicção religiosa, como é normal numa Missa de Acção de Graças, tudo se passa de acordo com os princípios e os credos próprios da Igreja Católica e ninguém que partilhe estas convicções se sente estranha ao agradecer e encomendar ao divino a sua sorte passada e sua futura fortuna. Nem tão pouco estranha que Deus tenha tanta coisa a ver com a cobrança de impostos, com a eficácia da máquina fiscal, com o cumprimento da lei de um Estado, que tanta outra gente julga ser laico».

Mas exactamente por o Estado ser laico (supostamente) e por estarmos numa altura em que a Igreja e seus apaniguados não olham a meios para conseguirem coagir os portugueses ao voto no NÃO no referendo que se aproxima, estas manobras inadmíssiveis do devoto católico devem ser denunciadas e protestadas! E não só devem ser exigidas explicações a quem de direito, o ministro das Finanças, como garantias de que uma aberração destas não se venha a repetir!

Como remata Eduardo Moura:

«Mas também é evidente que a quantidade de maus exemplos não só não legitima novos casos, como se trata de situações invisíveis para a comunicação social. Todas os actos religiosos praticados em nome do Estado são ilegítimos e como tal devem ser tratados.

É pois inaceitável que o Ministério das Finanças, dando cobertura ao sucedido, venha explicar que iniciativas como estas não põem em causa a laicidade do Estado.

Fernando Teixeira dos Santos terá de explicar como é que uma convocatória para uma missa que seguiu a cadeia hierárquica, transmitida de chefia para chefiados, não fere o princípio do Estado laico.»

11 de Janeiro, 2007 Palmira Silva

Pastoral do dízimo


Satã não é para brincadeiras e actua de formas misteriosas. Segundo o pastor evangélico Josué Yrion, um bem sucedido caçador de dízimos bruxas, converte os mais incautos ao satanismo via … os perversos filmes da Disney. Já sabem: Pocahontas é apenas mais um nome para o Mafarrico!