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Dia: 21 de Dezembro, 2006

21 de Dezembro, 2006 Ricardo Alves

Feliz solstício a todos!

Caros ateus e ateias (e outras pessoas sem religião),

a noite de hoje será a mais longa do ano em todo o hemisfério norte do nosso planeta. A partir de amanhã, os períodos diários de luz aumentarão novamente.

O ponto de viragem que a noite de hoje constitui, e que se deve a factos elementares do nosso planeta, justifica que seja assinalada. E porque prezamos a liberdade, da forma que cada um quiser. Provavelmente será natural procurar os amigos ou a família, estar com quem se gosta e comer e beber bem. Porque a falta da luz do sol pode provocar uma certa angústia e gostamos de ser confortados.

Não é necessário iludirmo-nos com deuses. Nenhum sacrifício, jejum ou pensamento que façamos tornará o regresso da luz menos inelutável. A ciência garante-nos que teremos mais e mais luz a partir de amanhã.

Feliz solstício e boas festas a todos os leitores.
21 de Dezembro, 2006 Palmira Silva

O aborto em França e as práticas actuais

No passado dia 17 de Dezembro o Movimento Médicos pela Escolha realizou uma conferência dedicada ao tema «O aborto em França e as práticas actuais», em que participou a ginecologista/obstreta Elizabeth Aubény, membro fundador e presidente honorária da FIAPAC (Federacion Internacionale des Associations de Professionals de Avortement et de la Contracepcion).

O testemunho da médica sobre a realidade da prática do aborto num país onde este é legal há três décadas permite desfazer alguns dos mitos sobre o tema.

Nomeadamente, demonstra inequivocamente que a legalização/despenalização não conduz, como pretendem muitos, a um aumento do número de abortos realizados, como se pode confirmar nesta figura onde são indicados os valores médios de interrupções voluntárias da gravidez por mulher no período 1976-1997.


Por outro lado, considerando que muitos apontam os custos para o SNS que a despenalização da IVG acarretaria (presumindo à partida que o SNS a suportará, o que não é certo) é útil confirmar na experiência francesa que tal não é verdade.

De facto, a maioria das IVGs faz-se até às 6 semanas, como indicado no gráfico seguinte, com cerca de 56% das intervenções realizada com recurso a fármacos, nomeadamente mifepristone ou a pílula RU-486, o que, segundo Elizabeth Aubény, implica serem os custos da IVG para o Estado Francês bem menores do que os custos do tratamento das complicações derivadas do aborto clandestino. E claro, são eliminadas as consequências do aborto clandestino (infecções generalizadas, infertilidade e morte).


De realçar ainda que não obstante a IVG ser legal em França este país tem a 2ª maior taxa de fecundidade da União Europeia.

Como nota final, constata-se que há um número elevado de portuguesas que realizam em França o que é criminalizado em Portugal, embora o número tenha diminuido desde que é possível realizá-lo em Espanha.

(Publicado simultaneamente no EuVotoSim) tag