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Dia: 13 de Dezembro, 2006

13 de Dezembro, 2006 Ricardo Alves

Padre católico condenado por genocídio

O sacerdote católico Athanase Seromba foi condenado a 15 de anos de prisão, pelo Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, por participação em genocídio e por crimes contra a humanidade. Durante os massacres de 1994, Seromba era responsável pela paróquia de Nyange. Depois de 2000 tutsis se terem refugiado na sua igreja, o sacerdote católico (que colaborava com as milícias hutus) ordenou que a igreja fosse destruída por máquinas escavadoras, com as pessoas lá dentro. Os sobreviventes foram mortos à facada.

Este é o primeiro sacerdote católico condenado por participação no genocídio por este tribunal internacional. Anteriormente, um sacerdote da Igreja Adventista do Sétimo Dia fora condenado a dez anos de prisão. O início do julgamento deste padre já fora noticiado pela Palmira e pela Mariana em 2004. Recentemente, uma freira católica, que selecionava tutsis para serem massacrados no hospital onde trabalhava, foi condenada por participação no genocídio (duas outras freiras católicas tinham sido condenadas em 2001 por um tribunal belga). Muitos outros membros do clero católico, e do clero de outras igrejas cristãs, estiveram envolvidos nos massacres do Ruanda (que antes de 1995, assinale-se, era o orgulho do Vaticano, devido à sua elevadíssima percentagem de católicos praticantes).

Existem pelo menos mais dois padres católicos detidos e aguardando julgamento.
13 de Dezembro, 2006 Carlos Esperança

Se Deus existisse!

Pároco católico condenado por genocídio no Ruanda


O Tribunal Penal Internacional para o Ruanda (TPIR), em Arusha, na Tânzania, considerou culpado de genocídio e de crimes contra a humanidade o pároco católico ruandês Athanase Seromba, a quem condenou a uma pena de 15 anos de prisão.

13 de Dezembro, 2006 Palmira Silva

Plataforma EuVotoSim no referendo

É hoje apresentada à imprensa a plataforma electrónica de suporte ao voto no SIM, no referendo sobre a interrupção voluntário da gravidez agendado para o próximo dia 11 de Fevereiro. Esta plataforma electrónica está localizada no endereço www.euvotosim.org e resulta da colaboração dos membros do MLS – Movimento Liberal Social com outros cidadãos independentes (nos quais se incluem esta vossa escriba e outros colaboradores do Diário Ateísta).

A apresentação pública decorrerá hoje, dia 13 de Dezembro, pelas 11 horas no Cine Teatro do Centro Comercial Espaço Chiado, na Rua da Misericórdia nº 12-20 R/C.

13 de Dezembro, 2006 Palmira Silva

Abuso sexual na igreja: um fenómeno transversal

Joseph P. Delaney, bispo da diocese de Fort Worth durante 24 anos.

uns tempos escrevi, a propósito dos abusos sexuais perpetrados pelos anciães das Testemunhas do Jeová e do encobrimento que a hierarquia da Sociedade Torre de Vigia faz nestas situações, que o problema subjacente é o poder absoluto sobre os membros da congregação que corrompe absolutamente, é o sentimento de impunidade que as religiões conferem. Os membros mais vulneráveis de uma igreja são vítimas frequentes da ganância, manipulação e/ou depravação sexual do respectivo pastor. Pastor, de qualquer religião, que se sente impune para praticar estes crimes já que se considera representante na Terra de um poder supremo, mandatário de uma autoridade «divina», acima das leis dos homens.

Referi igualmente que considero que se por um lado o estado deve garantir a liberdade de religião dos seus cidadãos por outro lado não pode demitir-se da responsabilidade de os proteger das predações religiosas. Liberdade religiosa não é impunidade religiosa, as igrejas devem estar sujeitas às leis do respectivo país. A linha sobre o que é liberdade religiosa e o que é criminalidade religiosa deve ser bem demarcada. E as actividades da religião devem ser vigiadas para que os cidadãos não sejam vítimas da sua própria credulidade e da manipulação por gente mal formada. Não há leis «divinas», os que pretendem falar em nome de um qualquer Deus deviam estar sujeitos às mesmas leis dos restantes cidadãos!

Assim, dever-se-ia proceder judicialmente contra as religiões organizadas cuja política é esconder os casos de abuso sexual de menores perpetrados por membros do respectivo clero, política de obstrução da justiça que não se restringe à Igreja Católica mas é partilhada, por todos os flavours do cristianismo.

Uma notícia recente que dá conta exactamente disto, ou seja, que o abuso sexual de membros do rebanho – que não se restringe a casos de pedofilia – é transversal a todos as variantes do cristianismo fez-me recuperar este post, que lançou consternação nas hostes betelianas aquém e além mar!

Esta notícia foi despoletada por mais um caso de encobrimento de pedofilia por parte da hierarquia católica, mais concretamente pelo bispo de Dallas-Fort Worth, Joseph Delaney, que contratou e manteve na sua posição o reconhecido predador sexual, o padre Thomas Teczar, que abusou sexualmente dezenas de crianças ao longo da sua carreira eclesiástica.

Vale a pena ler o artigo na totalidade já que explica como o abuso sexual é um denominador comum a todos os clérigos das várias denominações cristãs nos Estados Unidos. Simplesmente os pastores protestantes parecem ter mais tendência para abusar sexualmente mulheres adultas e os casos reportados não fazem as parangonas dos jornais.

O artigo refere igualmente declarações dos ex-padres católicos Richard Sipe, Thomas Doyle e Patrick Wall que escreveram o livro «Sex, Priests and Secret Codes: The Catholic Church’s 2,000-Year Paper Trail of Sexual Abuse». Mais concretamente Sipe, um psicoterapeuta, que confirma ser errada a associação que muitos fazem entre a homossexualidade e pedofilia – e que indica serem homossexuais cerca de 30% dos 50 000 padres americanos* – afirma que a investigação que os três autores conduziram lhes permitiu concluir que 9% dos padres americanos dos últimos 50 anos abusaram sexualmente de menores.

Recordo que Doyle foi o representante do Vaticano nos Estados Unidos no ínicio dos anos oitenta e um dos autores de um relatório entregue aos bispos norte-americanos em Junho de 1985, que os advertia das dimensões do abuso sexual perpetrado por padres.

*No post Pedofilia e assassínio referi serem menos de 30 000 os padres católicos em exercício, já que era esse o número referido pelo Official Catholic Directory. Usando os números de Sipe, 50 000, o valor que calculei para a percentagem actual de padres americanos que abusaram sexualmente de menores, desce de 17 para 10%, um valor próximo do indicado por Sipe como sendo a percentagem de padres pedófilos dos últimos 50 anos. O que confirma ser a pedofilia nas hostes clericais católicas um problema recorrente e não uma questão nova!