Loading

Dia: 29 de Junho, 2006

29 de Junho, 2006 Carlos Esperança

A Santa Aliança

(Clique na imagem para ampliar)
Nota: A espionagem do Vaticano foi criada pelo inquisidor Pio V, canonizado alguns anos depois, com o único objectivo de assassinar a herege Isabel I de Inglaterra e apoiar a católica Maria Stuart.

O destino ultrapassou a vontade do bom Papa, que se satisfazia com um só assassinato, e transformou a Santa Aliança numa máquina de extermínio e corrupção ao serviço do Vaticano.

Simon Wiesenthal, o célebre caçador de nazis, disse um dia: «O melhor e mais efectivo serviço de espionagem que eu conheço no Mundo é o do Vaticano».

A confissão é uma arma prodigiosa, sem esquecer a astúcia e inteligência dos papas e bispos a quem a tiara e as mitras, respectivamente, refinam a maldade e a velhacaria.

A Santa Aliança, nos seus cinco séculos de existência, esteve presente em todas as lutas do Vaticano e, como não podia deixar de ser, na carnificina da noite de S. Bartolomeu.

Fonte: A Santa Aliança – Cinco séculos de espionagem do Vaticano, Eric Frattini

29 de Junho, 2006 Ricardo Alves

A indignação de um ateu

Os muçulmanos consideraram-se insultados por alguém ter rabiscado num papel a cara de Maomé. Os católicos dizem-se indignados porque alguém fez um telão com a «Virgem» a entrar numa sanita. E os ateus, será que também se ofendem?

Este ateu responde que sim. Sinto-me indignado quando vejo na rua uma adolescente tapada até só se verem os olhos. (Porque sei que o véu raramente é uma escolha livre e porque compreendo que significa repressão sexual e menorização da mulher.) Sinto-me ofendido quando vejo uma mulher caminhar dois passos atrás do marido, de olhos no chão e submissa. (Porque tenho a convicção, penso que legítima, de que o homem e a mulher devem ter igual dignidade social.) Sinto-me insultado quando os media falam dos eventos de Fátima como se algo de sobrenatural se tivesse passado por lá. (Porque é tratar-nos a todos, portugueses, como se fossemos estúpidos.)

Todas estas situações me indignam. No entanto, não defendo que se proíba o uso do véu na rua, nem que se proíba as mulheres (muçulmanas ou outras) de andarem dois passos atrás do marido, nem que se proíba as pessoas de acreditarem que apareceu em Fátima um «cadáver vivo» com dois mil anos. Convivo com tudo isso, que ofende as minhas convicções mais profundas, desde que me permitam criticá-lo.

Desgraçadamente, há católicos no país onde vivo que não aprenderam a conviver com o que lhes desagrada, e que defendem que as expressões públicas ou até privadas que «ofendam a religião» devem ser criminalizadas, e que enquanto esperam por esse novo Tribunal do Santo Ofício expressam indiferença ou mesmo simpatia por quem comete crimes de vandalismo e furto de objectos blasfemos. Sinceramente, exaspera-me que não compreendam que a liberdade religiosa não desculpa a prática de crimes. Se eu desenhar a cara de Maomé na privacidade da minha casa, esse «insulto» não descriminalizará o meu assassinato por um islamista. Se um grupo de brincalhões insultar uma representação em loiça da «Virgem Maria», qualquer agressão física que lhes seja feita não deixa de ser crime. E alguém dizer em público que é ateu não autoriza os católicos a roubar-lhe a carteira nem belisca a liberdade religiosa dos crentes.