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Dia: 2 de Março, 2006

2 de Março, 2006 Ricardo Alves

Manifesto dos 12 (agora em Português)

«Depois de ter vencido o Fascismo, o Nazismo e o Estalinismo, o mundo enfrenta agora uma nova ameaça totalitária global: o Islamismo.

Nós, escritores, jornalistas, intelectuais, vimos aqui apelar à resistência ao totalitarismo religioso, bem como à promoção da liberdade, da igualdade de oportunidades e dos valores laicos para todos.

Os eventos que ocorreram recentemente, depois da publicação das caricaturas de Maomé em jornais europeus, tornaram evidente a necessidade de um combate em prol destes valores universais. Trata-se de um confronto a travar no campo ideológico e que nunca poderá ser ganho pelas armas. Aquilo a que estamos presentemente a assistir não constitui um conflito de civilizações, nem um antagonismo Este-Oeste, mas antes uma luta global entre democratas e teocratas.

Como todos os totalitarismos, o Islamismo estabelece-se sobre medos e frustrações. Os pregadores do ódio apostam nesses sentimentos para formar batalhões destinados a impor um mundo de opressão e desigualdades. Contudo, nós afirmamos clara e firmemente: não existe nada, nem mesmo o desespero, que possa justificar a escolha do obscurantismo, do totalitarismo e do ódio. O Islamismo é uma ideologia reaccionária que aniquila a igualdade, a liberdade e a laicidade sempre que as encontra. O seu êxito só pode conduzir a um mundo de dominação: dominação do homem sobre a mulher, dominação dos islamistas sobre os demais. Para nos opormos a este processo, temos que assegurar direitos universais a todos os povos discriminados ou oprimidos.

Rejeitamos o «relativismo cultural», que consiste em aceitar que homens e mulheres de cultura muçulmana devem ser privados do direito à igualdade, à liberdade e aos valores laicos em nome do respeito pelas culturas e tradições.

Recusamo-nos a renunciar ao espírito crítico por receio da acusação de “islamofobia”, um conceito infeliz que confunde a crítica do Islão enquanto religião com a estigmatização dos seus crentes.

Pugnamos pela universalidade da liberdade de expressão, para que o espírito crítico se possa exercer em todos os continentes, contra todos os abusos e todos os dogmas.

Apelamos a todos os democratas e espíritos livres de todos os países para que o nosso século venha a ser um tempo de Iluminismo e não de obscurantismo

Ayaan Hirsi Ali, Chahla Chafiq, Caroline Fourest, Bernard-Henri Lévy, Irshad Manji, Mehdi Mozaffari, Maryam Namazie, Taslima Nasreen, Salman Rushdie, Antoine Sfeir, Philippe Val, Ibn Warraq.

(Tradução de Luis Mateus – Associação República e Laicidade.)

2 de Março, 2006 Carlos Esperança

Humildade cristã

Bento 16 abdica do título «Patriarca do Ocidente», ficando reduzido a oito títulos: «Sumo Pontífice da Igreja Universal», «Primaz da Itália», «Bispo de Roma», «Vigário de Jesus Cristo» «Sucessor de Pedro», «Arcebispo Metropolita da Província Romana», «Soberano do Estado da Cidade do Vaticano» e « Servidor dos Servidores de Deus».

Esta tocante simplicidade papal tem precedentes. João 23 resignou ao título de «Papa do Reino Glorioso» trocando-o por «Servidor dos Servidores de Deus» e Paulo 6 prescindiu do excelente título de «Sua Santidade de Nosso Senhor».

A modéstia papal é um facto conhecido mas este desapego à solenidade dos títulos é deveras cativante e motivo de reflexão evangélica.

Com este alheamento dos bens terrenos em breve ninguém distinguirá o Soberano do Estado da Cidade do Vaticano do canalizador que desentope a sanita percorrida pelas santas matérias fecais do Pontífice Máximo.

Modéstia sim, mas não tanto.