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Dia: 15 de Novembro, 2005

15 de Novembro, 2005 Carlos Esperança

Só a estupidez é santa

O Talmude e a Tora, A Bíblia e o Novo Testamento, O Corão e a Sunnah (séc. IX) têm em comum o carácter misógino mas diferem em relação ao álcool, à carne de porco e na defesa do véu e da burka. No islão as proibições atingem o esplendor esquizofrénico, onde até urinar com o jacto virado para Meca é proibido.

Paulo de Tarso moldou o cristianismo. Perseguir era a sua obsessão esquizofrénica sem cuidar do objecto da perseguição. Ouviu vozes na estrada de Damasco e passou a perseguir o que deixara em nome do que abraçou. Juntou a essa tara a vocação pirómana e apelou à queima dos manuscritos perigosos.

Paulo de Tarso odiava o prazer e injuriava as mulheres. Advogou o castigo do corpo e glorificou o celibato, a castidade e a abstinência. É um expoente da patologia teológica, do masoquismo místico e da demência beata – um inspirador do Opus Dei.

O cristianismo herdou a misoginia judaica. O Génesis condena radical e definitivamente a mulher como primeira pecadora e causa de todo o mal no mundo.

As três religiões monoteístas defendem a fé e a submissão, a castidade e a obediência, a necrofilia (pulsão da morte, não a parafilia), a castidade, a virgindade e outras santas aberrações que conduzem à idiotia e ao complexo de culpa do instinto reprodutor.

A história de Adão e Eva é comum à Tora, Antigo Testamento e Corão. Em todos, Deus proíbe a aproximação da árvore da sabedoria mas o demónio incita-os à desobediência.

Aliás, o pecado é definido como a desobediência a Deus, ou seja, à vontade dos padres.

As páginas do Corão apelam constantemente à destruição dos infiéis, da sua cultura e civilização, bem como dos judeus e cristãos (por esta ordem) em nome do mesmo Deus misericordioso que alimenta a imensa legião de clérigos e hordas de terroristas.

Fonte: Traité d’athéologie, Michel Onfray – Ed. Grasset & Fasquelle, 2005

15 de Novembro, 2005 pfontela

Da decadência

O DN já há algum tempo que nos vem habituando às pérolas desse verdadeiro profeta da anti-modernidade que é JCN, mas há pouco tempo tivemos a oportunidade de conhecer outro dos profetas (menores) da ICAR: Monsehor Luís Delgado.

Diz-nos Luís Delgado que até para os ateus a manifestação de fé que se deu em Lisboa no sábado foi impressionante, e realmente tem razao. Foi impressionante ver tanta gente movida pelo irracional e pelo cego. Pessoas que sem pensar no que fazem dão o seu apoio à hierarquia de Roma e âs suas acções e conspirações.

Fala-nos quase como se estivessemos a presenciar o renascimento católico da nação, com pessoas de todas as idades nas ruas a dar mostras de fé. É a conversão dos ímpios á veradeira fé, pelo tom do nosso profeta de serviço parece que o reino do senhor neste mundo deve estar para breve. A julgar pelo exemplo de Timor Leste deverá, provavelmente, ser acompanhado da institucionalização do catolicismo e todos os seus previlégios, reclamando como direito fundamental da liberdade religiosa a opressão dos demais.

Segue-se o que eu chamaria o momento da apoteose da retórica:

“Foi inédito, grandioso, elevado e regenerador, particularmente num momento do País e dos portugue-ses em que nada dá esperança, em que o futuro é uma incógni-ta e em que as dificuldades se avolumam”

Isto é religião no seu sentido popular mais puro, um narcótico contra as dores do mundo, algo que negue a realidade. A ilusão que apesar de se saber falsa permanece por falta de alternativa ou coragem. Ao querer elevar a sua fé (sim porque também afirma que a dele é especial) Luís Delgado mostra-nos o seu lado mais miserável e aproveitador.

O texto termina com esta frase seguida de mais umas quantos desejos relativos à perenidade da ICAR:

“Calem-se, por um momento, os que achavam o contrário, e que no seu pessimismo agnóstico e militante tentavam reduzir a Igreja a um bastião ultrapassado e sem futuro..”

Trata-se de puro delírio de quem sente a rédeas do presente a escaparem-lhe. O indivíduo torna-se autónomo em todas as esferas e a governaçao por decreto “divino” transforma-se em algo impraticável.

A decadência do catolicismo nao é de hoje nem pode ser negada por profetas amadores como Luís Delgado ou César das Neves. Só parecem existir dois cenários: a irrelevância e impotência pública ou a fragmentação. Estas são as verdadeiras e inevitáveis escolhas do catolicismo.

15 de Novembro, 2005 Mariana de Oliveira

É hora

Teresa Fernández de la Vega, vice-presidente do governo espanhol, recordou à ICAR que as «contribuições generosas» feitas pelos governos anteriores não se manterão indefinidamente e que chegou a hora de a Igrejar cumprir com o compromisso celebrado há 26 anos: o de auto-financiar-se.

Actualmente, o Estado espanhol concede àquela instituição 35 milhões de euros extra, para além da liquidação de 0,52% do IRPF («Impuesto sobre la Renta de las personas físicas»). No que respeita a esta parte, a cifra ascendeu, em 2004, aos 105,6 milhões de euros, a somar às subvenções de 2.000 milhões de euros feitas a colégios católicos.

Acerca da manifestação do passado sábado, a vice-presidente disse que os motivos alegados pelos convocantes da marcha contra a Lei Orgânica da Educação não correspondem ao que diz a lei. «Ou há falta de informação, ou está a usar-se a educação como pretexto para desgastar o governo». «Não se entende que se diga que em Espanha existe o perigo de não haver ensino religioso nem liberdade religiosa. Não há nenhum país da Europa onde a Igreja Católica seja melhor tratada» (a não ser, provavelmente, Portugal).

Teresa Fernández de la Vega, relativamente à tentativa de um acordo entre a ICAR e o governo, reiterou que os interessados não deixaram de ser escutados na hora de elaborar a proposta de lei. Na verdade, ambas as entidades atingiram o consenso em 13 dos 15 pontos, mas os representantes da Conferência Episcopal Espanhola «não quiseram dá-lo a conhecer aos cidadãos, preferindo recorrer à reivindicação e à manifestação».

Segundo Juan Antonio Martínez Camino, secretário-geral do episcopado, não houve acordo em três pontos que a ICAR considera essenciais. Primeiro, quanto ao reconhecimento e tutela efectiva da liberdade de ensino religioso tanto para os pais como para os centros; segundo, não estava suficientemente clara a definição da Educação para a Cidadania; e, terceiro, qual é o estatuto da académico do ensino da religião.

O IUICV, mostrou o seu apoio ao governo e até se antecipou quanto a possíveis medidas a tomar pelo executivo em relação ao financiamento da ICAR. Na verdade, o grupo parlamentar desta coligação defendeu perante o Congresso que em 2006 se solicite à ICAR a devolução do dinheiro que recebe a mais pela antecipação da liquidação de 0,52% do IRPF. Pelos cálculos do IU-ICV, «a hierarquia da Igreja recebeu 240 milhões de euros de sobre-financiamento na última década».

Gaspar Llamazares, da Izquierda Unida, aproveitou para reiterar a inconstitucionalidade da Concordata e para afirmar que a Igreja actua como «um menino mimado: tem tudo e quer mais».

Ao contrário do que alguns comentadores deste Diário possam pensar, não tenho nada contra manifestações por parte da ICAR e dos seus apoiantes. O direito de manifestação é uma das maiores conquistas da Democracia. Mas reservo-me, com base no meu (e de todos) direito à liberdade de expressão, de declarar a minha opinião acerca dos fundamentos daquelas manifestações. Ora, tenho para mim que se torna notório que a marcha de sábado passado, com o alto patrocínio da Conferência Episcopal Espanhola e do PP, é mais do que uma inofensiva manif: é uma manifestação de força – embora não tanta como gostariam – com o objectivo de manter um conjunto de privilégios financeiros e educativos por parte de uma religião organizada num Estado de Direito Democrático que deve obediência aos princípios fundamentais da igualdade e da laicidade.

Para mais informações acerca da polémica da LOE espanhola, podem ver o tema do dia de hoje do jornal «El Periodico», o seu editorial e o artigo de opinião de Vicenç Navarro, professor catedrático de Políticas Públicas.