Loading

Dia: 26 de Outubro, 2005

26 de Outubro, 2005 Palmira Silva

Mais casos de pedofilia

O governo irlandês investigou mais casos de pedofilia no seio da Igreja católica, agora na diocese de Ferns em County Wexford. De acordo com o relatório de 271 páginas foram registadas mais de 100 queixas de abusos sexuais alegadamente cometidos por 21 padres da diocese entre 1966-2002. As queixas contra 6 deste padres foram provadas em tribunal. O relatório indica também que, no mui católico país, as investigações da polícia foram inadequadas, ou seja muito provavelmente os restantes 15 padres não foram condenados porque as acusações não foram devidamente investigadas.

O relatório é muito crítico especialmente do bispo de Ferns no período entre 1960 e 1980, Donal Herlihy, que considerava os casos de pedofilia na sua diocese como nada mais que um «problema moral». Ou seja, as crianças abusadas constituíam apenas um pormenor irrelevante, o problema grave era a imoralidade de um padre que não respeitava o voto de celibato e incorria em pecado «carnal». Com um total desrespeito pelas vítimas, os padres acusados de abusar sexualmente de crianças eram simplesmente transferidos para outra paróquia ou outra diocese por um tempo mas mais tarde regressavam ao seu «rebanho» inicial.

Como diz o Filipe no Oeste Bravio, referindo-se à análise de John Stewart sobre a aparente contradição de a ICAR por um lado defender os padres pedófilos e por outro estar lançada numa cruzada homofóbica em que acusa «os homens-sexuais de andarem a destruir a civilização ocidental»: para a Igreja Católica «a homossexualidade é uma doença incurável que não pode ser tolerada por nenhum bom cristão. A pedofilia é um problema conjuntural que se resolve mudando o padre de freguesia.»

26 de Outubro, 2005 Carlos Esperança

B16 – regedor do Vaticano

O cardeal Joseph Ratzinger foi várias décadas Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé – ex-santo Ofício -, espécie de Ministério Romano para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício. O mérito valeu-lhe a prorrogação do prazo de validade canónica por JP2, o Papa que dirigiu a ICAR até algumas horas após a morte.

O Opus Dei fez do cardeal inquisidor o Papa Bento 16.

B16 foi autor do rol dos pecados mortais e veniais e seu diagnóstico diferencial. A cópula é pecado mortal para solteiros mas pode tornar-se virtude em casais abençoados pelo sacramento do matrimónio se o objectivo único for a prossecução da espécie.

B16 elaborou o código de conduta eleitoral, para políticos católicos, em questões como o aborto, a eutanásia e outras, que o demo subtilmente tem trazido à colação e só lhe falta mandar actualizar o Índex dos livros proibidos, inalterável desde 1961.

B16 é o guardião da moral e dos bons costumes, avençado do divino, que não desiste de encaminhar almas para o redil da ICAR.

Ele não é apenas o representante de um cadáver com dois mil anos, é o responsável pelos negócios feitos à sombra da cruz, o estratego da divulgação da hóstia, o autor dos certificados de garantia dos milagres e o mais credenciado especialista para transformar a água vulgar em benta.

Do bairro de 44 hectares, que é o seu habitat, dirige um exército imenso de beatos, padres, frades, bispos e freiras, disposto a obedecer-lhe, capaz de dar e tirar a vida para lhe agradar.

Do seu covil – o Vaticano -, influencia os países católicos e traça planos para conquistar o mundo. O seu Deus é o poder e, a sua obsessão, o proselitismo.