Loading

Dia: 25 de Setembro, 2005

25 de Setembro, 2005 Palmira Silva

Arte proibida em Teerão

O Museu de Arte Contemporãnea de Teerão está a conhecer uma afluência inusitada de visitantes. A razão é uma exposição que exibe 190 quadros da colecção de Farah Pahlavi, a mulher do ex-Xá, incluindo obras de Picasso, Toulouse-Lautrec e Andy Warhol, que é simultaneamente uma despedida simbólica do actual director Ali-Reza Samiazar, forçado a pedir a demissão pelo novo regime do presidente Mahmoud Ahmadinezhad. De facto, os quadros agora expostos estavam banidos numa cave desde a queda do Xá e advento da teocracia no Irão, considerados «imorais» e «anti-islâmicos» pelos mullahs.

Numa entrevista ao Jornal de Arte, Samiazar, que acredita que a exposição não será encerrada porque é demasiado popular, revela que «Foi difícil promover a arte sob o governo reformista de Khatami (o anterior presidente), não há qualquer hipótese de o fazer sob os conservadores». Especialmente devido à recente tomada de posse como ministro da Cultura de Hossein Saffar-Harandi, um ultra-conservador, que acabará com o que resta da liberdade cultural no Irão.

Não obstante este ser um óbvio acto de revolta contra a ditadura dos mullahs, muito bem acolhido pelos visitantes do museu, que consideram esta a melhor exposição que Teerão conheceu e que se indignam por terem sido negados a sua apreciação por tanto tempo, Samiazar estabeleceu limites. Alguns quadros nunca saíram da cave, incluindo um Renoir representando uma mulher semi-nua. Pior sorte teve um tríptico de Francis Bacon representando dois homens numa cama e respectivos servos, que teve um tempo de vida efémero na exposição. No dia de abertura dois membros da milícia Basij arrancaram o painel central que representava os dois homens adormecidos e saíram com ele. O destino do quadro é desconhecido…

25 de Setembro, 2005 Palmira Silva

Exorcistas explicam-se

Depois de realizada em grande segredo a oitava convenção dos exorcistas italianos, a que compareceram 180 caçadores de demónios, realizada em Collevalenza, na província de Perúgia, subordinada ao tema esclarecedor «O exorcista na Nova Evangelização», o presidente da Associação Internacional de Exorcistas resolveu esclarecer os mal entendidos sobre os exorcistas ao periódico italiano Avvenire.

Ficámos a saber que a tarefa principal do exorcista é proclamar os Evangelhos e que o «seu apostolado conduz à fé pessoas que estão possuídas, iludidas ou obsecadas pelo demónio».

Mas o principal de toda a entrevista reside na descrição dos sinais de possessão que, muito convenientemente, para além de «doença desconhecida ou mesmo sintomas que são difíceis de identificar», uma descrição suficientemente lata para incluir todo o género de manifestações, especialmente em países menos desenvolvidos, esclarecem que a presença do mafarrico é denunciada pela «aversão pelo sagrado». Assim para o devoto charlatão prelado serão certamente possuídos pelo demo todos os ateístas!

Na realidade, desde 1999, data em que foi revisto e publicado o novo manual de caça ao Demo, que a Igreja de Roma tenta recuperar esse instrumento de dominação que se mostrou tão útil para a santa Igreja ao longo dos séculos. Como preleccionou o cardeal Jorge Medina Estevez, ex-prefeito da Congregação para o Culto Sagrado e a Disciplina dos Sacramentos, que relembrou o mundo católico da presença bem real do Demo, em cuja existência é mandatório acreditar, e esclareceu que o Demo «Engana os homens persuadindo-os de que não precisam de Deus e que são auto-suficientes». Não esquecendo que para o dignitário o mafarrico tem novas armas linguísticas que não hesita em usar: «O Diabo está muito presente, serve-se da mentira e para enganar usa eufemismos. Denomina o aborto interrupção da gravidez e os filhos, cargas. Anima os casamentos entre homossexuais e as leis de divórcio, apresenta o mal como bem, endeusa o dinheiro». Ou seja, o ilustre dignitário identificou como possuídos pelo Demo os que são a favor da despenalização do aborto, do controlo de natalidade, do casamento entre homossexuais e do divórcio.

Agora que a ciência desmistificou, no mundo ocidental pelo menos, as doenças e manifestações antigamente atribuídas a influências demoníacas veremos certamente muito esgrimir desta conveniente «aversão pelo sagrado», sinal inequívoco de possessão demoníaca, como a causa que impede o reconhecimento das «verdades absolutas» da ICAR e subjacente à laicidade.