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Dia: 19 de Junho, 2004

19 de Junho, 2004 Carlos Esperança

Vaticano lamenta. Laicidade regozija-se

A Concordata, recentemente assinada por Portugal, foi o aborto praticado por aqueles que se obstinam a combater a despenalização. Temos de estar atentos à influência nefasta da ICAR e ao potencial de perversidade deste papa decrépito.

À medida que aumenta entre os vivos o número de pecadores, JP2 descobre entre os mortos cada vez mais santos. Com tantos intermediários dedicados à intercessão divina torna-se difícil, para os crentes, uma audiência a sós com Deus. E entre os intermediários, promovidos a beatos e santos, não faltam biltres da estirpe de Pio IX ou Josemaria Escrivá de Balaguer. Muitos deles, para além dos honorários que renderam ao Vaticano, foram a moeda para subornar o beatério dos países aliciados para tentarem contaminar a Constituição Europeia com referência explícita ao cristianismo. A vontade do confronto com as outras religiões está na sua natureza. Tal como na fábula da rã e do lacrau, está na natureza do papa a necessidade de segregar veneno.

Os chefes de Estado e de Governo que aprovaram a Constituição Europeia resistiram à chantagem do último ditador europeu.

O Vaticano lamenta a ausência de “raízes cristãs” na Constituição europeia.

O catolicismo é um cristianismo que resistiu, por entre leiras de batatas e regos de couves, à modernidade. Continua a alimentar superstições rurais com capatazes de batinas negras, com ou sem tonsura, que, várias vezes por dia, anunciam as penas violentas que aguardam no Inferno os desgraçados que recalcitrem.

19 de Junho, 2004 jvasco

Superstição

Do Dicionário da Porto Editora:

Superstição: desvio do sentimento religioso que consiste em atribuir a certas práticas uma espécie de poder mágico, ou pelo menos uma eficácia sem razão; crença, essencialmente uma crença religiosa sem fundamento; crendice; por extensão, importância ou ou confiança excessiva, quase “religiosa” atribuída a certas coisas.

Se ao menos as crenças religiosas tivessem algum fundamento válido, elas não eram meras superstições…

19 de Junho, 2004 André Esteves

A História do Ateísmo

História do Ateísmo, por George Minois

ISBN: 972-695-572-6

Foi com imenso prazer que vi publicado, pela Editorial Teorema, a «História do Ateísmo».

Trata-se de uma obra de divulgação histórica por um reputado autor: George Minois.

Minois têm no seu currículo mais de 25 obras que procuram expor a progressão histórica dos mais variados conceitos ou facetas da condição humana. É também um historiador que conhece, profundamente, a história francesa do período pré-revolucionário, o que se revela de extrema utilidade nesta obra.

A tradução e edição foram patrocinados pelo Ministério Francês da Cultura e Comunicação. Como ateu e português, agradeço esse generoso acto à República Francesa. Imagino, que este apoio poderá levar, alguns espíritos mais crentes, a maldizer a edição, como obra de propaganda da terrível franco-maçonaria ateia! A mim como ateu, cujos aventais só conheço os da cozinha, só me restaria comentar: E a alternativa? Seria a ignorância da história do ateísmo, um bem? O crente necessita da ignorância do mundo. Por mais que se manifeste publicamente como é lido e sofisticado, nunca deixará de ver o mundo, por detrás dos óculos coloridos da fé, do seu medo e da lealdade ao seu grupo.

Recomendo vigorosamente, ao crente a leitura desta obra. Ficará certamente surpreendido. O crente liberal de hoje é um «ateu» do passado.

Aos meus companheiros ateus, reitero a recomendação. Por esta obra, descobrimo-nos herdeiros de uma mundivivência com mais de 3000 anos. Somos um fio que une a humanidade, no seu melhor, na maioria das culturas humanas, presentes e passadas. Chegamos ao ateísmo vindos de muitos lados. Convém ter um mapa, para encontrarmos os nossos companheiros de viagem e reconhecermos a paisagem. Este livro é nesse aspecto satisfatório. Sugiro que convença a sua biblioteca mais próxima, a ter uma cópia disponível.

O que não gostei no livro? Primeiro o preço. É elevado. Segundo, é um autêntico tijolo. Mais de 700 páginas. Imagino que uma edição em papel bíblia estaria fora de questão (A República Francesa, apesar dos seus rendimentos não conta com o dízimo de crentes, e o ateísmo não conta com a generosidade dos editores). Creio que é um preço a pagar, pela extensão do assunto.

Terceiro, uma certa generosidade na contribuição gaulesa à história do ateísmo. Embora natural, num autor francês e pela importância real das contribuições do espírito das luzes e da revolução francesa ao pensamento ateu, faltam pormenores do ateísmo inglês e italiano, bem como de outras culturas ateias não ocidentais, que seriam de utilidade para o leitor.

De qualquer maneira, este leitor aceita o compromisso.

Extremamente interessante, é também o último capítulo do livro. O autor procura fazer um sumário do estado do ateísmo hoje. Vi-me surpreendido, por ter chegado a conclusões similares. Paradoxalmente, o nosso fracasso é o nosso sucesso.

Além disso, propõe que há forças que se erguem, que são maiores que a crença e a descrença.

Para mim, outra epifania. Como curioso dos sistemas complexos e amante da ficção científica, encontrei o eco de um apocalipse ateu:

Vem aí o formigueiro e a singularidade…

E mais não digo.

Reservo-me para futuros artigos sobre o assunto e aguardo a vossa leitura do livro.

19 de Junho, 2004 Carlos Esperança

Mais uma decapitação em nome de Alá.

Como prometido pelos mujaidine foi decapitado o refém norte-americano Paul Marshall, segundo declaração assinada pela Organização da Al-Qaeda na Península Arábica.

À tomada do refém, junta-se a crueldade do assassinato e a brutalidade da decapitação. Os facínoras não são meros bandidos em busca da sobrevivência, são beatos que lêem o Corão, rezam cinco vezes ao dia, fazem jejuns e adoram fanaticamente Alá.

O livro sagrado é um insulto aos mais elementares direitos humanos e os crentes são feras que só pensam no Paraíso.

Nunca percebi a fúria de morte que os crentes de um deus nutrem contra os crentes de outro deus, ou contra os que pensam que deus está a mais num mundo que se quer livre, fraterno e pacífico.

Estes actos de barbárie são obscenos e interpelam as pessoas civilizadas para o combate cultural que é preciso travar contra o obscurantismo, a superstição e a fé.

O Deus dos cristãos divertia-se com as fogueiras e diversas formas de tortura. O Alá dos muçulmanos tem um gosto perverso nas lapidações e decapitações.

É urgente pôr termo ao sofrimento que as religiões provocam.