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Dia: 4 de Junho, 2004

4 de Junho, 2004 jvasco

Profissão: astrólogo

No jornal da Câmara dos Deputados no Brasil vem lá o seguinte texto a introduzir um Projecto-Lei:

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) apresentou à Câmara o Projeto-Lei 6748/02, que regulamenta a profissão de astrólogo. A proposta estabelece regras e condições para o exercício da profissão, como exigência de habilitação em cursos reconhecidos; jornada de trabalho de 30 horas semanais; possibilidade de prestar serviços a órgãos públicos; e restrição do mercado aos profissionais reconhecidos, inclusive para actuar em meios de comunicação que divulguem o conhecimento correlativo à Astrologia.

O texto define como astrólogo o profissional que estabelece juízos a partir do estudo das configurações do céu, calculando e elaborando cartas astrológicas, actividades que também poderão ser exercidas por pessoa jurídica.

Segundo Luiz Sérgio, a Astrologia vem retomando sua importância nos últimos 50 anos. Por isso, “a prática de uma astrologia ingénua, em nível jornalístico e popular, embora inofensiva em si mesma, não significa aquilo que sempre se entendeu como astrologia”. O deputado defende que seja incutido na cultura brasileira “um pensamento astrológico correcto” e afirma que, para isso, “o meio mais efectivo é a regulamentação do exercício profissional dos astrólogos, que permitirá uma fiscalização mais rigorosa dessa actividade”.

No Brasil, em breve, será possível ser Astrólogo como profissão.

Não sou capaz de ficar muito indigando com isso. Afinal, já há vários séculos que é possível ser Padre como profissão…

4 de Junho, 2004 Ricardo Alves

A ICAR divulgou as suas directrizes para a família (e para a escola…)

A Conferência Episcopal Portuguesa divulgou hoje uma nova Carta Pastoral, intitulada “A Família, esperança da Igreja e do mundo“. Trata-se de um documento longo e fastidioso, como só os bispos da ICAR, com os seus empregos perpétuos e isentos de impostos, têm tempo para produzir. Sendo a CEP um dos mais influentes produtores de ideologia dos sectores conservadores portugueses, o documento é de interesse tanto para ateus como para outros (inclusivamente os católicos individuais, que evidentemente não foram ouvidos na produção deste texto que define a sua orientação em matéria de família).

Os parágrafos 66 e 67 são uma verdadeira pérola. É aí defendido que os pais “devem (…) ter o direito de recusar que a escola dê aos seus filhos uma educação sexual que vá contra os seus valores”. Ou seja, os pais devem ter o direito de poder alterar os currículos das escolas públicas em nome das suas crenças privadas e pessoais, que são legítimas mas que se deveriam restringir ao espaço privado e associativo. Não é claro como o Estado poderia gerir os conflitos entre pais católicos (contra toda e qualquer educação sexual substancial, na prática) e pais laicos (que deveriam exigir, estridentemente, o direito dos seus filhos a receberem uma educação sexual completa). Defende-se aí igualmente o financiamento das escolas privadas (católicas) em igualdade com as escolas pública, mas já sem o exagero de cartas pastorais anteriores em que se defendia quase explicitamente o cheque-educação (um dogma neoliberal). Particularmente deliciosa é a menção (no parágrafo 59) das “minorias [que] se apoderam dos instrumentos de participação existentes e os utilizam para fins que não servem os direitos e interesses da maioria das famílias”. O conceito de protecção ao aluno como indivíduo, independentemente da família e das maiorias sociológicas, continua ausente do pensamento católico. Por aí se defende também um maior empenhamento dos “pais cristãos” na gestão das escolas e na definição do projecto educativo. Teríamos assim programas escolares adaptados conforme a relação de forças em cada escola… A CEP exige igualmente que a EMRC seja uma disciplina curricular (recordar as polémicas recentes), para poder continuar a fazer propaganda contra a IVG na escola pública e a propagar crenças de uma era pré-científica…

Muito mais haveria a dizer sobre outros aspectos.

4 de Junho, 2004 André Esteves

Venham a mim as criancinhas!!!



Monsenhor josemaria escrivá a dar conselhos educativos.

Se deseja ter uma ideia das práticas nos colégios e residências da Opus Dei, recomendo uma visita à Opus Dei Awareness Network (em inglês) que segue as actividades da seita. Um dos colégios e residências em Portugal é o Colégio universitário Montes Claros. Existem mais residências em outras universidades, mas são mais discretas. Numa ironia ou coincidência, o colégio Montes Claros fica localizado na rua Vera Lagoa, antiga editora do jornal «O Diabo»…

4 de Junho, 2004 André Esteves

O «argumento» da existência de deus de 4 de Junho de 2004

Argumento Ontológico (II)

(1) Eu posso conceber um deus perfeito.

(2) Uma das propriedades da perfeição, é existir!

(3) Logo, deus existe.

Comentário:

Nada como extrair factos de hipóteses:

(1) Eu posso conceber que o Tobias fez o assassínio perfeito.

(2) Uma das propriedades da perfeição, é existir!

(3) Logo, o Tobias é culpado e deve ir para a cadeira eléctrica…