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Dia: 14 de Maio, 2004

14 de Maio, 2004 André Esteves

O Ataque do Emplastro, a defesa da beata e a santa paciência dos jornalistas…

Anteontem, durante o tradicional enésimo não-sei-quantos directo do recinto de Fátima da RTP1:

Pergunta a jornalista:

– Então minha senhora, costuma vir ao 13 de maio?

– Sim! Venho todos os anos… Sinto uma grande paz… É muito bom… Venho sempre a Fátima para aliviar a culpa de desviar tanto dinheiro lá na secretaria da escola…

(não imaginava ela, que o emplastro se preparava para atacar…)

A jornalista afastou-se procurando evitar a situação e aborda duas senhoras da província:

– Então minha senhora, costuma vir ao 13 de Maio?

– Sim! Hi!Hi! Sim!! Hi!Hi!Hi!Hi!Hi!Hi! Sim!!! Hi!Hi!Hi!Hi!Hi!

– E o que a traz à Cova de Iria?

– Gosto muito da Nossa Senhora! Vim pagar a promessa depois do meu marido ter perdido as pernas num acidente de carro…

– E a sua mãe veio consigo…

– Sim… Ela também vêm pagar uma promessa, pela urticária.

– Pela Urticária??

– Sim. A do meu marido.

(E eis que ataca o emplastro…)

– Seu badalhoooco!!! Deixe a minha filha falar para a televisão!!

O tempo de antena é defendido com uma estalada…

Entretanto a jornalista afastou-se, falando sobre as defesas ao «ataque terrorista» na Cova de Santa Iria e entusiasmada, refere-se ao tamanho ENORME da futura basílica… Quando…

(o emplastro ataca outra vez…)

O ataque inicia-se…

Mas eis que a defensora da moral e dos bons costumes volta a defender a ordem natural das coisas…

– Seu Badalhoooco!!! Deixe a Nossa Senhora aparecer na televisão!!!

Sem resultados práticos… Os emplastros estão aí, para ficar!!

Nas franjas dos milagres prometidos existe uma mercado de esperanças…

Meia vida numa igreja evangélica pôde-me proporcionar algumas experiências esclarecedoras. Lembro-me de como todos os meses surgia pela igreja, o que chamávamos a «alminha do mês». O desespero da doença combina-se com a esperança da cura e acredita-se…

Esquizofrénicos, maníacos, deficientes mentais, espíritos simples… A procissão prolongou-se pelos anos.

Ajudei pretensos possessos que caiam no chão em convulsões de ataques epilépticos. Ouvi paranóias. Suportei as necessidades desesperadas de atenção de tantas pessoas… Jovens, velhos, mulheres, crianças. Humanos todos eles…

Sabem o que aprendi?

A distância entre a normalidade e a loucura, muitas vezes, não passa de uma mera convenção social…

Ás vezes, parecem mais loucos os que têm todas as faculdades mas dão a sua fé a coisas que são, pelas evidências, negativas – como o fenómeno de Fátima e o de todas as religiões.

O site do emplastro http://emplastro.no.sapo.pt/ e a conta bancária onde podem ajudar o Fernando Vamos ajudar o Fernando.

(O quê? achavam que o emplastro não tinha nome? Humano como nós!)

14 de Maio, 2004 Carlos Esperança

O ministro José Luís Arnaut foi a Fátima rezar na procissão das velas

Fé de ministro

«José Luís Arnaut foi a Fátima rezar na procissão das velas. Acompanhado por familiares e pelo governador civil de Santarém, Mário Albuquerque. Ocupavam a primeira fila na colunata sul do santuário, de vela na mão como qualquer peregrino. Tem muito por que rezar o ministro adjunto do primeiro-ministro. Por um Euro 2004 sem problemas e uma boa classificação da equipa nacional? Pela vitória nas europeias? Não foi possível saber. O ministro também tem direito ao recato nas suas manifestações de fé». Transcrição integral do Diário de Notícias de hoje (site indisponível).

Comentários:

1 – Fora melhor que um ministro não ocupasse a primeira fila. A ICAR sempre respeitou a hierarquia;

2 – «de vela na mão como qualquer peregrino». Onde é que a ia levar?

3 – Suspeito que foi pedir ajuda para melhorar o português periclitante que tem usado (sobretudo em relação ao verbo haver). Rezar não prejudica mas a gramática também faz falta.